sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Recesso da Realidade

Creio que essa época de festas, o Natal, pode ser sentida por muitas pessoas como um tempo em que elas têm o direito de estarem protegidas da realidade com suas dificuldades cotidianas, um tempo em que a fantasia impera e sonhamos com um mundo maravilhoso, cheio de cores, carinhos, presentes, desejos satisfeitos, pessoas afetuosas e gentis, esperanças, repleto de amor e abundância.
Cada um de nós tem todo o direito de viver este estado de espírito. Isto é lindo e cria uma aura de beleza que envolve aqueles que o vivenciam desta forma e se expande, afetando também aqueles que são menos dotados da capacidade de abstrair ou mesmo incapazes de ignorar que, apesar do Natal, o mundo continua o mesmo, apesar da enxurrada de propagandas dos lojistas e do apelo da mídia para atenuar o clima de horror que ela mesma alimenta durante todo o ano.
Entretanto, esta facilidade de podermos voltar a ser crianças, sentindo desta forma nas semanas das festas, que faz tanto bem a todos nós, pode ser exercitada, nos capacitando a mudar o nosso estado de espírito, mesmo frente aos momentos estressantes de perda e de dor, conseguindo estar em paz. É tipo poder ser feliz, sentir-se em paz sem que para isso tenhamos que esperar os fins de semana, as férias, as festas.
E creio que encontrar o sentido profundo de transformação, de renascer depois de uma morte simbólica, de deixar surgir o novo quando o velho já caducou em nossas vidas, a partir da elaboração, discussão e inspiração que vêm quando o tema é a morte, pode ser interessante apesar de ser dezembro.

A Morte Nossa de Cada Dia

Votei neste tema tão inspirador e logo sabia que iria participar com algum texto. É que a morte sempre marcou a minha vida, desde pequena. Não que eu tenha perdido muitas pessoas desde cedo. Pelo contrário, perdi meu pai quando tinha 42 anos e minha mãe aos 49. A minha avó materna perdi aos 39 anos e antes disso, só um primo querido quando eu estava no ginásio e uma cunhada que era como uma irmã, aos 47 anos. Apesar disso, muito criança eu ficava inquieta e tremia só de pensar na possibilidade da morte dos meus pais, minha avó ou meus sete irmãos. Fantasiava sobre isso, me sentia atormentada por qualquer alusão à morte ou doença. Não foi por acaso que decidi ser médica. Talvez pensasse em poder superar a morte. Acho que todo profissional dessa área gosta de brincar de Deus. Só que ao longo de minha vida descobri que para tratar o medo da morte, o segredo é o mesmo que para lidar com outros medos. É preciso chegar perto, enfrentar ou pelo menos conhecer. O medo de algo desconhecido se intensifica, fugir de algo que se teme não é boa coisa. E como filha de Plutão que sou, de qualquer forma a morte iria correr atrás de mim, até que eu me tornasse sua amiga e assim ela deixasse de me incomodar.
E foi dessa forma que presenciei a morte de várias pessoas, desde quando estava na barriga de minha mãe, que fui atraída por uma especialidade em que durante mais de 20 anos fiz autópsias, até que há uns 10 anos me interessei por terapia de vidas passadas e estou mais ligada a esta prática atualmente.
Não sinto mais qualquer desconforto diante da morte, não porque não sofra com as perdas ou ache natural que o corpo deteriore. Aprendi a aceitar a finitude da vida e acredito mesmo que este detalhe seja um fator de enriquecimento da nossa existência. Mas gostaria que a morte fosse um processo natural, sem tanto estresse por negação e sem tanta parafernália, e sim como era antigamente. Mas tudo tem o seu lugar neste mundo e cada um morre conforme vive.
Penso que refletir sobre a morte todos os dias nos ajuda a evoluir, a tomar atitudes e fazer escolhas mais apropriadas na vida. Tenho habilidade para lidar com doentes terminais que têm muito a nos ensinar e creio que a morte sempre funciona como uma oportunidade para os que estão próximos, podendo ser um ponto de mutação, desde que seja encarada com a dignidade que desperta quando aparece em nossas vidas.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Morte (Pelos Olhos de Quem Vê)

A própria morte pode parecer penosa
Mas a passagem não é assim tão ruim
No tempo certo todos estarão preparados
Ainda mais porque expirar não é o fim.

A morte dos outros pode ser ensinamento
Para aqueles que quiserem se aproximar
Verão tranquilidade nos olhos que se ampliaram
E já não enxergam a luz que os guiará.

É momento de reflexão e lucidez
Onde cada coisa adquire o real valor
Existe a possibilidade de compreender
Que tudo é passageiro, exceto o amor.

É como se uma aura de verdade
Enchesse os lares onde alguém partiu
Cessam as contendas por iniquidades
Se a gente entende a vida como um rio

Tudo passa, nada permanece
Só se leva da vida o que se aprendeu
O amor que expressamos é a nossa prece
E nos liga para sempre a quem já morreu.

Sobre a Morte

Não há porque se inquietar
Se existe outra opção
Afinal, a morte é só mais um bilhete
Rumo à próxima estação.

Morte é convidada ilustra
Que sempre causa um frisson
Às vezes chega, mas não fica,
Só deixa no ar a transformação.

Há os que aceitam o convite
E partem com ela de braços dados
Se não é o momento, não ultrapassam o limite
Mas voltam, certamente, transformados.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

É Natal

É Natal.
Vamos permitir que nasçam em cada um de nós sentimentos de fraternidade, de amor ao próximo, de tolerância com os outros e com aspectos nossos que não apreciamos.
Vamos tentar permitir que aquilo que em nós ainda é latente se desenvolva e possamos descobrir novos talentos, novas capacidades de interagir com os outros e produzir coisas boas.
É importante, sobretudo, que estejamos atentos para buscar a transformação daquilo que é inadequado, que tira a nossa felicidade, que nos distancia dos outros e impede a expressão do amor que reside no fundo de nós. Transformar-se é poder evoluir.
Que nesse Natal nós possamos nos abrir mais para o amor, abandonando defesas desnecessárias e fortalecendo realmente o nosso Ser que naturalmente procura o estado de união. Afinal, somos todos irmãos e não podemos estar bem enquanto tantos sofrem, se hostilizam ou são indiferentes na sua solidão, além da necessidade do encontro consigo mesmos.
Feliz Natal!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

SOS Rio de Janeiro

Nas últimas semanas, o estado do Rio de Janeiro foi manchete dos jornais brasileiros e estrangeiros em virtude do caos que se instalou na cidade, provocado por integrantes de facções criminosas envolvidas com o tráfico de drogas e da reação do Estado, com a integração das forças armadas e polícias, que cooperaram e retomaram terrenos dominados por bandidos para as comunidades pobres residentes nesses locais.
A mídia chamou a atenção para as ações cinematográficas das forças de repressão, com uma atuação jamais vista antes, tornando um fato histórico a sua ação competente, destoando do que até então era apresentado por uma polícia desfalcada, desguarnecida, esquecida, solitária e corrupta.
Esperamos que esse episódio de ação responsável e competente passe a ser a regra e que seja permanente, com a presença do Estado nessas e em todas as outras comunidades do Rio.
Outros dois fatos pedem a nossa reflexão e infelizmente não estão sendo focalizados pela mídia:
É importante assinalar que aqueles usuários que se escondem nas áreas nobres da cidade, quando o caos se instala e evitam sair às ruas por medo, são os mesmos que garantem a manutenção de toda essa violência nas comunidades pobres, ao financiarem o crime organizado quando compram as suas drogas.
É oportuno também refletir sobre o fato de que os chefes do tráfico com casas luxuosas nas comunidades carentes têm como sonhos de consumo, bens (suítes suntuosas com banheiras de hidromassagem, aparelhos de ar condicionado central, piscinas e tvs de tela plana enormes) que muitas vezes constituem exatamente os objetos de desejo de pessoas que, mesmo sendo intelectualmente mais favorecidas que eles, aceitam levar uma vida com níveis crescentes de estresse, empenhando seu tempo e suas almas, apenas para garantir possuí-los. Nesse particular, quanto se diferenciam desses marginais?

O Que o Duelos Significa para Mim

O Duelos representou, de início, para mim, um espaço onde eu poderia escrever sobre determinado tema que seria também usado por outros autores, nos dando a oportunidade de apreciar diferentes pontos de vista e refletir. Essa ideia me pareceu muito interessante e fiquei entusiasmadíssima.
Mas, como eu já tivesse o costume de escrever há muito tempo e guardasse minhas composições sem nunca antes tê-las mostrado a outra pessoa além de uma grande amiga, vi no Duelos uma oportunidade de compartilhar textos que na verdade escrevi pra mim mesma. E assim, fui enviando alguns escolhidos e como não encontrei resistência (pelo menos explícita) a algumas bobagens, perdi a vergonha e encaminhei quase tudo que escrevi ao longo de vários anos. Dessa forma, vários momentos de minha vida foram focalizados nos textos. Descobri que escrever era terapêutico e estimulei muitas pessoas a usarem esta via de expressão para lidar com questões difíceis em suas vidas. Para mim, essa característica do Duelos é a mais interessante. Mostrar para outras pessoas o que a gente escreve num momento de tensão, dor, deslumbramento, revolta etc. é ter a possibilidade de reler e reavaliar nossos pontos de vista que serão, a partir da publicação, apreciados por outras pessoas. É como compartilhar a nossa profundidade, é ter a noção exata do que é estarmos todos no mesmo barco. Acho que isso nos aproxima mais dos nossos semelhantes (e de nós mesmos) e se traduz em expansão do amor.
Além disso, ler os textos de tantas outras pessoas, emociona, permite que as conheçamos um pouco mais, cria simpatias e possibilita transformações e expansão para todos. E, inclusive, pelo menos no meu caso, inspira e cria um certo atrevimento em colocar no papel ideias e opiniões próprias, ignorando a parca capacidade na seara da Literatura, como se me fosse dado o direito de poetar e escrevinhar à vontade, sem inibições. E eu adoro isso.
É que como não sou da turma das Letras e já lido na minha área com tanta responsabilidade e cuidado, tenho a oportunidade de ser uma inocente e autêntica criança no Duelos, escrevendo historias que vivi, que vi outras pessoas viverem, que ouvi de pacientes, amigos e estranhos, que criei ou que representam minhas subpersonalidades ou mesmo possessões, sem qualquer preocupação maior com a forma. Ou seja, o Duelos, para mim, é um espaço para vivenciar a amizade, a alegria, a espontaneidade, o amor e a liberdade. É um portal de aprendizagem e terapêutico.

Ciúme

Camisa de força, cretinice, covardia, crispação, crise, cólera, crime, cobra.
Idiotice, infantilidade, inverossímil, imaturo, irreal, irracional.
Único, utilidade, universal, usurpador, usufruir, urso.
Mancada, malformação, menos-valia, mentalidade, mal, merda.
Engodo, engasgo, estupidez, estardalhaço, escândalo, espetáculo, embriaguez.

Sobre o Ciúme

Ciúme é arremedo de atuação daqueles que não têm o menor talento na arte de amar.

Demonstrar ciúme é, às vezes, a única coisa que alguém sabe fazer pra assegurar o sentimento de posse.

Ciúme cresce na relação inversa da competência quando se trata do amor.

Ciúme só é tolerável em doses homeopáticas, entre quatro paredes e, mesmo assim, dose única é melhor.

No terreno do amor, posse é fruto da conquista e só tem a duração de um momento que vale a eternidade. Assim, resta a quem não se garante, enveredar pelos ridículos subterfúgios do ciúme.

O Ciúme é a Banda Podre do Amor

O ciúme amesquinha o amor.
Ninguém tem o direito de reduzir assim este sentimento que é pura expansão. O amor é livre e quem manifesta o ciúme deseja cercear aquele que ama e reclama posse de quem nunca terá dono. O amor é doação e dá aquele que quer para quem deseja, para todos que inspiram nele este nobre sentimento. Não há limites para o amor. E idiota é aquele que tenta dar medida a algo que é abstrato e supõe que, se dividido, menor parte lhe caberá. Pobre infeliz desavisado, ignora que quanto mais se ama, cresce cada vez mais a capacidade de oferta e de expressão do amor.
Muitos dizem, em relação ao amor romântico, que ciúme é o seu tempero. Entretanto, as manifestações do ciúme, longe de serem interessantes e enaltecedoras de seu objeto, na maioria das vezes, se transformam em algo nefasto que envenena e destempera.
Mas, esta prova contumaz de insegurança e menos valia não se restringe aos parceiros amorosos, fazendo muitas vítimas, também, nas relações familiares, profissionais e de amizade, onde se desenrolam histórias mirabolantes e quase sempre ridículas.
É lamentável que o ciúme não seja tratado logo ao ser detectado, antes que tome proporções maiores com comportamentos descabidos e consequências desastrosas. É uma importante armadilha que apanha os incautos que, assim como os que o manifestam, se sentem lisonjeados com tal deferência, denunciando, também, igual menos valia e, mais tarde, poderão sofrer intensamente as agruras de verem o amor que sentem sendo colocado em camisas de força, ou sendo forçado a usar cinto de castidade.
Sinto pena de quem é incapaz de ver aqueles que são objeto de seu amor livres para expressar o mesmo sentimento por quem inspirá-los, sem amarras, sem certificados de posse e sem limitações.
É preciso estar atento para não ser personagem de histórias fatídicas, onde o ciúme é doentio e pode se manifestar com requintes de crueldade, num desequilíbrio que cria uma rede de intrigas que pode terminar de muitas formas dolorosas e imprevisíveis ou se arrastar indefinidamente numa teia invisível de sofrimentos e compensações que mantêm juntas pessoas que pensam que sabem amar realmente.
Tratar o ciúme requer tempo, vontade e empenho de trilhar o caminho do autoconhecimento com fortalecimento do ego e desenvolvimento da capacidade de se voltar para o outro com amor.

Medo

Medo é barreira auto-imposta
Que nos isola em impedimentos
Fazendo com que a personalidade
Murche em vida, sem movimento.

Medo pode ser desculpa
Para não se conhecer.
Pode gerar repulsa
À oportunidade de se desenvolver.

É tanta coisa que fenece
Por causa do medo atroz
Que às vezes até parece:
Que não se vive, é a morte vindo veloz.

Medo é areia movediça
Que aos poucos toma conta de nós.
É também defesa com ponte levadiça.
É ficar encolhido debaixo dos lençóis.

Não há que se ignorar o medo.
Fugir é nada salutar.
Melhor entender bem o desassossego,
Criando condições de poder enfrentar.

O que torna o medo pleno de poder
É aquilo que cerca o tanto que existe de real.
Somos nós que incrementamos o que poderá acontecer
Com nossa fantasia, nossa imaginação surreal.

Então melhor usar a tal imaginação
Sempre e muito bem, ao nosso favor.
Diminuir o que nos ameaça é uma solução.
E fortalecer o ego ajuda a eliminar o pavor.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Hermógenes

Em minhas meditações, chego a não mais sentir o corpo, e então dou liberdade à mente. Deixo-a dizer o que quiser, até aquietar-se. Ela me agradece por lhe ter aliviado o peso-carga do corpo. Este, por sua vez, goza de paz, livre que fica das intromissões da mente, no comum agitada de conflitos e tensões...
E eu, não sendo mente nem corpo, aproveito para ser o que realmente eu sou - Paz.

Pimenta

Pimenta malagueta ensolarando o meu prato.
Pimenta que traz fantasias na ponta do meu garfo.
Vermelhinha e pontuda, esperta e como brilha!
Aguça o sabor da comida, realça o amor à vida!

Pimenta atrevida que esquenta e empolga.
Diz-se de criança peralta que quase nos endoida
De tanta travessura, que não para quieta!
- Alusão ao condimento que incrementa a dieta.

Faz suar, dá energia, é puro calor!
Se usada com critério, tem grande valor.
Indianos que o digam: não dispensam a iguaria.
Sempre a pimenta nos seus pratos mantendo o fogo da vida.

É o remédio mais barato que existe pra depressão.
Acende, tira do tédio e dá o maior tesão!
Quem não sabe que é afrodisíaca, na certa já dançou.
Vermelho é a cor do pecado, a pimenta do amor.

Os baianos entendem o que eu digo, pra eles é natural:
Pimenta de todo tipo pro cardápio ficar legal.
Depois é aquela leseira que acaba sempre em sesta,
Pra logo mais tá novinho aprontando a maior festa.

Bendito condimento fálico
Que ajuda a não falhar!
É a inspiração da divina natureza
Que espanta olho gordo e deixa a energia. BELEZA!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Revendo a Morte

Revolvendo a terra, me retorcem as entranhas.
Não quero ver o que não é mais o que era.
Sumiram no passado as lembranças boas.
Já não existem os motivos de alegria.
Só a dor impera!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Palavras ao Vento

Muitas vezes acho interessante atualizar esse blog, colocando minhas opiniões sobre vários assuntos, dando depoimentos sobre acontecimentos nessa cidade, mostrando fotografias das pinturas que faço, contando histórias pessoais e de pessoas conhecidas, no sentido de compartilhar idéias.
Mas, tantas outras vezes sinto uma imensa preguiça de postar qualquer coisa aqui, já que parece que o que eu mostro não interessa a quase ninguém. As visitas são pouquíssimas e os comentários ainda mais raros.
Assim, estou pensando seriamente em voltar a escrever em agendas que eu sempre reservei exclusivamente para esse fim e guardá-las só para lê-las quando desejar refletir sobre o que escrevo para mim mesma.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Charlotte Chegou!

Chegou muito bem a nossa querida Charlotte, em 12 de novembro.
Com saúde e vitalidade, veio brilhar a estrelinha. É grande a alegria dos pais, do irmão e de toda a família.

Seja bem-vinda a este mundo, esta que veio trazendo festa. Que possa a sua presença na família proporcionar equilíbrio e harmonia. Que seja motivo de felicidade para todos e que saiba aproveitar bem as experiências trazidas pela Vida para tornar-se melhor a cada dia.

Ela tem o Sol em Escorpião, a Lua em Aquário, o Ascendente em Gêmeos e o Sol de casa 1.
Na Numerlogia, tem Alma 1, Imagem 5, Expressão 6, Destino 8, Destino complementar 3, Pessoal 3, Intensidade 9 e Maturidade 5.

Que sua passagem por esta vida seja proveitosa e plena de amor, que traga a felicidade para muitos e que se realize naquilo que planejou.
Que tenha aceitação para o plano maior, equilíbrio, força de vontade, muito amor para dar, caridade como caminho e que desenvolva a fé para que possa sempre ter paz.
Amém!

Sua tia-avó está muito feliz com sua chegada e agradece a Deus esta benção.

sábado, 6 de novembro de 2010

Voltem Logo

Diza e Jorge, vocês fazem muita falta!
Desde o dia 2, o Fazendo Arte e o Quero que você leia estão parados e sei que, como eu, muita gente está estranhando a ausência de vocês.
Assim, estou torcendo para que o Jorge saia logo desse hospital e como está com várias histórias na cabeça para contar, comece logo a trabalhar nelas. Além disso, a experiência de ficar de molho esses dias vai render muitas reflexões e aprendizados que, com certeza ele vai querer compartilhar com a gente.
Sei que o susto foi grande, mas, felizmente, não passou de um acidente de percurso sem maiores consequências.
E o que vai ficar de tudo isso é uma riqueza de experiências que vocês bem saberão aproveitar nas suas produções, sempre voltadas para o enriquecimento dos que acompanham seus blogs. E ainda mais, a satisfação de saberem o quanto são queridos por todos nós e o quanto são necessários.
Desejo uma ótima recuperação pro Jorge e muita energia e amor para vocês. Beijos.

Fertilidade

Pintura: "Criação"
.
Muitos de nós já se deram conta da velocidade que se instaurou em nossas vidas há algum tempo. Se, de início, isto assustava um pouco e imaginávamos que não seria possível acompanhar, logo aqueles mais antenados perceberam que se desenvolvessem a flexibilidade e a atenção, teriam grandes oportunidades de evolução. Essa marca uraniana pede rapidez de resposta e plena atenção.
É necessário que estejamos cada vez mais preparados para fazer as escolhas que a vida nos apresenta a cada instante, com a maior responsabilidade que conseguirmos ter. Isso é que vai diferenciar os homens.
Optar com total consciência é a meta para uma evolução mais facilitada. Então é importante estarmos mais presentes em cada momento e lembrando que todos fazemos parte de uma mesma realidade, todos estamos no mesmo barco, o crescimento de cada um necessita da evolução de todos os outros. Assim, trabalharemos por causas que incluam o bem-estar de todos os seres, com cuidados e responsabilidades com os semelhantes e com o meio-ambiente, considerando que nada está desvinculado, estamos todos ligados numa imensa rede de conexões que se sustenta no amor e, consequentemente, na compassividade.
É preciso estarmos atentos, receptivos, com um olhar direcionado para o outro e termos flexibilidade para respondermos rapidamente e de forma responsável às demandas que serão cada vez maiores e mais frequentes. Entretanto, se entendermos que não estamos sozinhos e que podemos ser inspirados e auxiliados por energias que só aguardam a nossa solicitação para atuarem, nossos caminhos se alargarão e serão facilitados.
A fertilidade ocorre em nossas vidas, à medida que descobrimos nossa natureza de espíritos vivendo uma experiência material.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Outono

Pedalo pela ciclovia e tão solta quase chego ao êxtase.
O vento me conduz e desalinha o meu cabelo.
As paisagens são descortinadas pelos olhos bem abertos.
E tudo segue a imutável lei da natureza...
Logo, as folhas irão desprender-se dos galhos
E as árvores desnudas testemunharão a mudança.
Haverá então um certo equilíbrio nos tons de sépia
E os corações repousarão,
Para que possam receber o aconchego prometido do inverno.

A cidade parece descansar agora.
E é capturada pelo instantâneo da máquina fotográfica
Dos meus olhos que percebem a passividade presente em tudo.
É tempo de repouso, só de receptividade.
Os dias de outono são tão férteis!
Em nós, o inconsciente domina a cena.
É como uma preparação para escolher os temas
Que iremos “hibernar” no inverno, se estivermos sós.

Pedalo movimentando as ideias na cabeça.
Elas vêm e vão, não se fixam, são como as folhas...
Mais tarde, novos ventos irão soprar até que a mente adormeça.
Então, em sonhos, meus eus se desprenderão como bolhas...

Não me esqueço que um dia você se foi de mim sem perceber
Que o tempo passou, se fez outono.
- É que o amor só permanece para quem compreender
Que com as folhas atapetamos o caminho para novos sonhos.

O Duelos Voltou!

Dia de sol radiante,
Prenúncio de felicidade.
Acordei cantarolando e
Pedalei pela cidade.

Qual não foi minha surpresa
Ao ver na telinha outra vez
Sim, era o Duelos, com certeza
Voltando a bombar em português.

Que falta que ele fazia!
Como era bom acessar
As notícias dos amigos
Nas composições a expressar.

Rendo homenagens a Shintoni,
Cujo trabalho é magistral.
Que possa estar sempre por aqui
Porque o Duelos pra nós é fundamental.

Obrigada pelo trabalho e dedicação
Que sabemos, é enorme...
Mas vale demais sua devoção,
Pois semente boa nunca morre.
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Em homenagem ao blog Duelos Literários.

Beija-flor


Um beija-flor dança no ar suspenso em alegria.
Toca de leve as flores coloridas e perfumadas,
Desenhando caminhos de intensa energia
Para os olhos que veem na alvorada.
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........................Pintura "Suavidade".....................................................

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Auschwitz

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Meu irmão está em viagem pela Europa, a trabalho. Como deve ficar alguns dias na Polônia, um de seus colegas propôs que fossem visitar as ruínas do campo de concentração de Auschwitz.
Quando ele me deu essa notícia, eu gelei, pensando que poderia estar no lugar dele.
É que eu sou extremamente fraca para qualquer coisa que se relacione com esse momento de horror na história da humanidade.
Quando fui assistir, sem saber do que se tratava, ao filme A Lista de Schlinder, eu tive uma reação inusitada: não podia parar de chorar compulsivamente, logo nas primeiras cenas mais chocantes. Foi uma reação incontrolável.
Algum tempo depois, eu tive uma recordação de vida passada em que eu me via numa daquelas filas de judeus para serem mortos. Foi muito forte o sentimento.
De fato, mesmo que eu fosse à Polônia, jamais iria me aproximar daqueles lugares horrorosos. A aura de dor, tristeza e desespero deve permanecer até hoje por lá e isso certamente afeta aos que visitam as ruínas. Não importa se na época, alguém que fez parte das minhas vidas passadas esteve lá como nazista ou judeu. Para a personalidade de hoje, não importa de qual lado esteve, o incômodo é o mesmo. Afinal, em determinado contexto, acertar ou cometer erros é irrelevante. O que importa é o aprendizado adquirido por viver a experiência.
Vou esperar para ouvir o que ele vai me contar sobre essa vivência tão significativa em sua vida.

domingo, 31 de outubro de 2010

Outono

Ondulam ao vento as folhas que caem.
Úmidas e acastanhadas forram o chão nos quintais.
Tremulam os lençóis nos varais e a água se esvai.
Ouvem-se os lamentos da solidão no cais.
Nada é mais doloroso que um navio indo embora.
Outono é impermanência e a natureza não chora.

Preciosa

Assisti ao filme Preciosa, uma produção que tem a participação da Oprah.
Vi logo que só poderia ser uma estória de superação. O filme é muito bom. Acredito que os professores de escolas públicas desse país poderiam aproveitá-lo como indicação para temas de trabalhos e discussão nas salas de aulas. Além do argumento, que é atualíssimo e extremamente interessante, a produção é ótima, o desempenho dos atores e a direção são excelentes.
Vários aspectos do filme são dignos de nota, mas o que mais me surpreendeu foi o modelo de ensino alternativo para alunos que foram banidos ou que não puderam acompanhar a escola tradicional e se baseia na focalização do desenvolvimento da identidade para aquele aluno problema. E essa abordagem enfoca sobretudo os aspectos emocionais. Cada aluno começa no primeiro dia de classe dizendo o seu nome,de onde veio, de que cor mais gosta e o que sabe fazer bem. Isso permite que a pessoa tenha uma noção exata de si mesma, em termos mais amplos, não só no âmbito familiar e social, como também do ponto de vista espiritual e entenda que cada um de nós possui uma missão, um papel certo a desempenhar perfeitamente no filme da vida. A partir daí, se dá a construção da identidade do aluno, com a possibilidade de superar as grandes dificuldades que impediram cada um deles de acompanhar o ensino tradicional. Eles, aos poucos, são trazidos para a realidade, para o aqui e agora, para dentro de si mesmos, para que então possam ter um olhar profundo para o outro e para a sociedade.
Outro ponto importante é mostrar como o amor, o fato de olhar e acolher o aluno com sérios problemas, pode contribuir para elevar a sua auto-estima e fazer com que ele possa fazer a superação e se tornar capaz de oferecer aquilo que não recebeu de seus pais ou da família.
Discute o abuso sexual por parte dos pais ou da família e que se reflete depois no consentimento ao abuso imposto pela própria sociedade. Mostra como nos momentos de horror, aquele que sofre tem como mecanismo de defesa a fantasia, usando a imaginação para obter a gratificação que não encontra no mundo e nas pessoas. Chama a atenção para o fato de que, geralmente, quem não foi amado não sabe amar e ainda para o problema das crianças com necessidades especiais e a gravíssima questão do preconceito, que permeia toda a trama.
Enfim, o filme é magnífico, discutindo temas variados como preconceito, superação,perversão, abuso sexual, incesto,exploração do trabalho infantil e dos filhos de maneira geral, ódio por parte de quem devia cuidar, papel da escola na sociedade, falhas na Educação etc.
Vale assistir, refletir e discutir sobre ele.

sábado, 23 de outubro de 2010

Renascer

O conceito de reencarnação é algo que já incorporei há muito tempo. Penso nisso naturalmente e compreendo o discurso de pessoas que não compartilham da mesma opinião, tendo em vista que cada um de nós tem direito a conceber o mundo e todos os acontecimentos da forma que lhe parecer mais verdadeira. Entretanto, não aceito que usem como argumento que não creem nisso ou naquilo porque está escrito o contrário em algum texto antigo, quase sempre a Bíblia, sem que levem em conta as variadas interpretações que podem ser dadas, o contexto histórico em que determinada coisa foi escrita e os tantos erros de tradução possíveis. E, quase sempre, repetem como papagaios coisas que ouviram sem compreender bem e muito menos sem antes se darem o trabalho de estudar o assunto para depois opinar.
Assim é que para aqueles que buscarem com atenção, a comprovação da crença na reencarnação, com multiplicidade de vidas do espírito em diferentes corpos se encontra em variadas passagens na Bíblia. Mas, aqueles que se recusam a enxergar continuarão negando essa verdade até o fim dos seus dias, apesar das provas irrefutáveis.
O que gostaria de focalizar aqui não é a reencarnação e sim a oportunidade que algumas pessoas têm nessa vida de renascer, de se transformarem totalmente, a partir de uma ocorrência de tamanho impacto em suas vidas, que é capaz de provocar uma morte simbólica e a possibilidade de um renascimento. Esse ponto de mutação pode ser uma doença grave que ameace a vida, uma experiência de quase-morte em que a pessoa que se recupera transforma-se completamente, uma perda de um ente querido, um rompimento amoroso de uma relação muito importante ou algum outro acontecimento que faça com que a pessoa passe a ver todas as outras coisas de uma nova perspectiva. É certo que cada um desses escolhidos teve que passar por um período extremamente difícil (a noite escura da alma). Mas, a chance de transformação e evolução, sem que necessitem reencarnar para que isso se concretize, é uma benção. E, para quem observa e identifica isso é uma graça recebida e é bonito de se admirar.
Eu tive o prazer de assistir à transmutação da minha sobrinha que apresentou Linfoma no início desse ano e enfrentou corajosamente o diagnóstico e o tratamento e, durante todo o processo, procurou compreender o papel da doença na sua vida e as mensagens que lhe sugeria, sendo capaz de integrar todos os significados, o que foi fundamental para a sua transformação.
Hoje estive com ela e pude perceber que tanto por fora quanto interiormente é outra pessoa, alguém muito mais rico. Ela é a fenix que renasceu das cinzas. E será sem dúvida, o farol que iluminará a vida de muitas pessoas, sinalizando para elas as oportunidades que suas vidas lhes apresentam todos os dias e que elas deixam passar, simplesmente por não terem sido capazes ainda de ter um olhar mais profundo pras coisas da vida e a certeza de que tudo acontece da melhor forma para cada um de nós, dentro de um equilíbrio perfeito que não podemos conceber naturalmente.
Desejo a ela muitas bençãos e alegrias pela coragem, força, lucidez e amor em todos os momentos vividos nesse processo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pão de Queijo Rápido

Quero dividir com vocês uma receita que eu achei interessante e modifiquei para torná-la mais saudável, fácil de fazer e que usasse apenas ingredientes que geralmente temos em casa.
Não que pão de queijo seja algo muito recomendável. Mas, quando está frio e recebemos crianças em casa para o lanche, sem aviso prévio, essa é uma opção que demora menos de meia hora desde pegar os ingredientes até derreter na boca a delícia que acompanha muito bem um chocolate quentinho. Além disso, não faz mal e não deixa ninguém de barriga estufada ou empazinado. E ainda oferece a vantagem de não precisar botar as mãos na massa, já que pode ser misturado com colher.
Então lá vai:
Basta colocar dois copos (de requeijão) de polvilho doce num recipiente e acrescentar dois ovos inteiros, uma colher de chá de sal, uma caixa de creme de leite (200 g) e queijo parmesão ralado (100 g). Agora é só misturar bem com a colher e colocar em formas para empadas untadas com margarina, em forno pré-aquecido a 270 graus, por 15 minutos. Eles vão crescer e corar levemente, podendo ser retirados do forno.
Bom lanche !

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Todos Tão Perdidos

O tempo está abafado. Já choveu muito durante a noite, mas as nuvens continuam carregadas.
É o primeiro dia do horário de verão. Quase toda gente está meio sem foco, um tanto ou quanto desvairada, como se o espírito ainda não tivesse encaixado no corpo que foi forçado a acordar uma hora mais cedo.
Indo para o trabalho, passei pela comunidade do Jacarezinho, onde no cruzamento principal, estava um rapaz drogado, circulando entre os carros que passavam em velocidade média e desviavam dele buzinando, freneticamente, após o grande susto de um quase atropelamento. No seu delírio, não sei o que ele enxergava no lugar dos carros, não imagino do que fugia ou perseguia. Ele era mais um enlouquecido nessa cidade, numa segunda-feira, logo cedo.
Mas, será que não existem tantos de nós, tão perdidos quanto ele, atrás de falsas ilusões, sem se darem conta da realidade?
Desejo que cada um de nós seja capaz de estar cada vez mais presente hoje, tomar plena consciência dos seus atos e direcionar seus pensamentos num sentido mais coerente com suas crenças e benéfico para todos.

domingo, 17 de outubro de 2010

Memória x Vida

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A memória é mesmo uma faca de dois gumes...
Garante usufruir, depois de já vividos, os momentos bons. Permite que tenhamos outra vez a alegria que experimentamos ao receber um sorriso, um afago, um olhar, uma ação favorável quando é despertada.
Mas, essa mesma capacidade de reter o que nos foi benéfico possibilita que não deixemos para trás as dificuldades. Se podemos nos lembrar dos erros, eles continuarão a nos pedir modificações, reparação e aprendizado. E é certo que isso tem as suas vantagens. Entretanto, nem sempre é possível reverter as falhas do passado e, nesse caso, a memória é um tormento constante, trazendo sofrimento.
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Quantas vezes desejaríamos apagar da mente situações vivenciadas com desespero, que foram impostas por outro que, aproveitando a nossa fragilidade, nos atingiu? Tantas vezes experimentamos sensações ruins ligadas à memória de ocorrências que por tão traumáticas não podemos recuperar totalmente, mas cuja dor permanece viva em nós!
Às vezes, é possível pensar que é uma benção a deterioração da mente, apagando o conhecimento do passado tanto remoto quanto recente, criando um vácuo onde parece que a dor é menor. Mas, será que isso realmente ocorre? O que sobra quando a memória se esvai?
É cada vez mais comum a doença de Alzheimer. Mas, será que ela protege o seu portador do que pesa em sua existência ou rouba dele os momentos de glória, os aprendizados, as relações afetivas?
E na velhice que se estabelece naturalmente, quando esquecemos de fatos recentes, talvez sem muita importância no contexto geral, servindo-nos apenas numa atuação competente no presente e lembramos perfeitamente do passado remoto? Será que isso talvez proporcione um convite à reavaliação de nossa vida, com a possibilidade de maior compreensão dos fatos? Quem sabe seja interessante iniciar esse inventário aproveitando a chance que a natureza nos dá, antecipando a análise retrospectiva da vida que, inevitavelmente, seguirá a nossa morte.
Será que perder a memória é possibilidade de poder começar tudo outra vez? Apagar o quadro-negro da vida e reescrevê-la sem tantos erros? Mas, será que começamos realmente a nossa vida como uma tela em branco? Se assim fosse, como poderíamos aceitar a justiça de tantas diferenças entre os homens?
A memória é um bem precioso, mesmo que tantas vezes acabemos deturpando seus conteúdos por pura incapacidade de lidar com a realidade. É uma ferramenta incrível que nos permite acessar a nossa vida e fomentar o auto-conhecimento.
E, se o sentido da vida é experimentar no plano material para aprender e evoluir, é imperativo que ao longo da caminhada possamos fazer um balanço do que já foi vivido. E se evoluir implica em transformação, essa será mais proveitosa quanto maior o conhecimento que tivermos de nós mesmos.
Mas... não basta lembrar. É preciso meditar para entender. E a compreensão dos fatos e das pessoas traz a aceitação da realidade. O conhecimento da realidade nos permite tomar nas nossas mãos as rédeas da nossa vida, uma vez que, no íntimo, cada um de nós sabe exatamente ao que veio nessa existência. Assim, será possível corrigir a rota, caso esta esteja alterada por força das circunstâncias, da nossa incapacidade momentânea ou reincidente de trilhar o caminho pretendido, previamente acordado.
Meditar, ir para dentro de si mesmo é também mergulhar nas profundezas da mente, podendo ter contato com memórias ancestrais. O conhecimento de memórias de vidas passadas muitas vezes nos permite montar o quebra-cabeça que dá sentido a essa vida e corrobora com os aprendizados.
Parece que é preferível lembrar-se, mesmo que isso nos traga dor, porque se ela de fato existe, é melhor ter a consciência a sofrer as consequências da presença do seu fantasma, eternamente a nos espantar. Entretanto, é importante respeitar as possibilidades de cada um, em cada momento. E buscar ajuda para lidar com os conteúdos de memórias perturbadoras é, muitas vezes, imprescindível. Conscientizar permite ressignificar e livrar da dor aquele que o faz.
Memória é vida. E, se a consciência sobrevive, estamos vivos para sempre, mesmo após a morte do corpo físico.
E, mesmo que na vida física a memória se deteriore, ela certamente se recupera na vida do espírito, já que a vida é eterna.
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Pintura: "Segredo"

A Morte do Xamã

Tirei uma carta do tarot na tentativa de iluminar o meu caminho para os próximos dois meses, uma vez que tenho sentido uma ansiedade que sinaliza mudanças em minha vida.
A carta chamava a atenção para a necessidade de identificar em minha personalidade aspectos já ultrapassados tendo em vista meu grau de evolução atual. Falava de como poderia ser interessante me despojar de comportamentos, sentimentos, condicionamentos sem utilidade, para permitir o desenvolvimento de aspectos que eu já teria em potencial.
Tendo em vista que as artes divinatórias nos mostram que essas orientações não dispõem sobre a nossa vida e sim nos apontam outras possibilidades de avaliação, outros pontos de vista, é sempre muito proveitoso esse tipo de consulta. Andar no escuro pode ser mais difícil e, além disso, as predições não tiram o prazer do novo, do desconhecido, apenas nos permitem um aprofundamento na avaliação de cada etapa de nossa vida.
Pensei naquilo que já estaria caducando em meu ser, considerando os aprendizados que fiz até aqui, o que estaria destoando em mim e entendi que gostaria de ser menos reativa, mais plácida, mais serena, menos crítica, deixar de lado os chiliques. Afinal, se acredito que cada pessoa tem uma trajetória e está num estágio de evolução, se o meu nível de aceitação dos desígnios da Vida é maior, porque insisto em continuar esperneando?
Considero essa uma tarefa árdua, tendo em vista minhas tintas leoninas. Mas quero colocar na prática essa percepção.
A simbologia dessa carta é entar em contato com tudo que representa lixo em nossa vida e em nosso ser e ser capaz de descartar isso para dar espaço para que novas habilidades, talentos e manifestações de comportamento possam surgir. Entretanto, lidar com o lixo pode parecer difícil. Fazendo um paralelo com a psicologia, é trabalhar para integrar a sombra, reconhecendo aspectos de nosso ser que, a princípio parecem negativos, mas que possibilitarão o surgimento de uma dimensão mais completa de nosso ser. O lixo bem trabalhado se transforma em expressão de arte e beleza.
Desejo a todos que puderem refletir sobre essa carta hoje, proveitosas mortes.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Exumação e Transmutação da Dor

Pintura “Reino de Hades”
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Tudo se resume e termina numa pequena caixa. Uma caixa simples que guarda o sagrado. O tesouro que foi a estrutura de uma vida. A perfeição para sempre guardada, até que mesmo ela seja destruída pelo tempo e se transforme em pó.
Mas há algo além da caixa. Algo que jamais se extingue. Que é luz e se expande e evolui. A essência que sobrevive ao tempo, uma vez que não segue suas leis. A essência que concentra os perfumes de todas as existências. E, se chega perto dos bem-aventurados, inunda de perfume doce e suave, inconfundível para aqueles que estão ligados pelos laços do amor.
Parece contraditório que o homem se reduza com a morte, que esta simbolize perda e destruição. Muitos procuram defender-se negando seus rituais, afastando-se das práticas a ela relacionadas. Entretanto, para olhos que perscrutam, tudo é sublime e traz elevação.
Para aqueles que enterram seus mortos, o funeral se justifica quando o corpo é exposto para que seja testemunha da finitude da vida, da igualdade entre todos os homens quando chega o derradeiro sopro de vida. Depois, o corpo na urna é resguardado dos olhos que sem isso, assistiriam à sua decomposição, uma vez que a matéria é perecível. Assim protegido, o corpo, sagrado para aqueles que o amaram, é cuidado, vestido, enfeitado e lacrado para que possa descer à profundidade da terra que o acolhe e colabora com a ação do tempo.
Então, no processo de decomposição que segue nos próximos anos, as emoções se acomodam e família e amigos aceitam sua ausência, enquanto tentam e por fim conseguem simbolizá-lo no fundo de seus corações.
Mas, como existe por parte dos homens, de muitos dos homens, alguma resistência em aceitar a morte como natural, vem a necessidade de desenterrar aquele corpo para que, em seu lugar, outro possa ser acolhido, dando início ao mesmo processo.
E dizem alguns que a exumação é algo horroroso, indigno dos olhos que amaram aquele que se foi. Mas, de fato não é. É sim mais uma oportunidade de enxergar além das evidências e melhor aceitar a verdade suprema e reverenciar a lei da natureza.
Assim, quando pessoas comuns realizam este ritual sagrado, mexendo num corpo que não conheceram, na pessoa que não amaram, permitem que entendamos que somos todos iguais, todos irmãos, que devemos amar ao próximo sem que para isso existam laços de família ou amizade.
E quando aquelas mãos retiram os restos do caixão destruído pela ação da terra, os coveiros comportam-se como garimpeiros que buscam o ouro, os ossos daquele que nos é tão caro. E procuram e separam da terra e dos despojos todos os ossos, longos e pequeninos, que juntos compuseram a estrutura daquele ser e que agora, separados como numa caixa que contém um quebra-cabeças, simbolizam o que restou da pessoa amada.
E reúnem os ossos de forma tão respeitosa, lavam e limpam com as próprias mãos o que de mais profundo existia naquele ser material. E os ossos são guardados na caixa, uma pequena caixa que contém a grandiosidade daquele que para nós era tudo.
Não existe nada de feio, nada de deplorável. É a lei da vida. É a vontade de ter ainda perto o objeto do nosso amor.
E quando valorizamos aqueles que o destino escolheu para participar do nosso ritual sagrado, estamos mais perto de entender a transitoriedade de todas as coisas e o consolo que existe nisso.
E então depositamos esta pequena urna num nicho que protegerá aquele tesouro a que renderemos nossas homenagens até que possamos exercitar o desapego e transferir para a essência luminosa o nosso amor.
Isto acalma os corações que amam e que se permitem acompanhar até o fim a trajetória dos que lhe são caros até que num outro plano haja um reencontro tão esperado, coroado pela paz que enfim se estabelece.

domingo, 3 de outubro de 2010

Votar é Preciso

Enfim chegou o dia tão esperado!
O povo nas urnas deve escolher.
Nosso destino está em nossas mãos!
Será que isso vai mesmo acontecer?

Tanta propaganda falsa!
Tantas promessas em vão!
Tanto descalabro, tanto engodo!
Tanto descaramento e podridão!

Quanto dinheiro escorrendo pelo ralo
Em campanhas patrocinadas por todos nós,
Os assalariados sempre extorquidos
Por quem protege ricos e do povo é algoz.

Se até Deus nos deu o livre-arbítrio,
Por que então a lei a nos obrigar
A participar, sem opção, desse desafio
De engolir a obrigatoriedade de votar?

Depois dessa disputa pelo poder
Com jogo sujo e tanta enganação,
Chegou a hora do povo responder,
Participando em massa da eleição!

Vamos todos às urnas nosso voto anular,
Dando aos candidatos as notas que merecem:
Zero, zero e mais zeros, só pra confirmar!
Quem sabe assim, eles nos esquecem!

Responsabilidade Dividida

Um projeto interessante para testar a competência do nosso governo, de total transparência, seria mudar a lei que rege a aplicação dos impostos pagos pelo povo.
Imagine se, por exemplo, tudo o que é cobrado pelo imposto de renda de cada contribuinte fosse regido pelo seguinte sistema:
- a metade da participação iria para o governo, para ser aplicada segundo sua determinação, como é feito agora;
- a outra metade, a pessoa teria a possibilidade de empregar em projetos assistenciais de acordo com sua vontade e orientação, desde que comprovasse, a cada ano, como usaria o dinheiro, prestando contas ao governo.

Assim, cada contribuinte poderia gastar este dinheiro em ações individuais nas suas próprias comunidades ou associando-se em grupos pequenos ou grandes, que gerenciariam projetos em educação, saúde, geração de empregos, segurança e todas as áreas onde o governo, até hoje, tem-se mostrado ineficiente.
Pesquisas poderiam ser feitas para comparar os resultados do governo com aquelas da iniciativa particular que, certamente, seriam mais compassivas, práticas e honestas, ao invés das costumeiras pesquisas para manipular os dados das eleições no sentido de favorecer os candidatos que interessam aos grupos dominantes.
Evidentemente, os beneficiados por estas ações teriam o compromisso de fiscalizar os recursos para evitar corrupção, embora esta já estivesse sendo reduzida à metade.

Recado ao Lula

Mais vale um voto vendido do que um povo traído.

domingo, 26 de setembro de 2010

Charlotte

Pintura: "Flores", de Aline.
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Charlotte, menina-doce
De olhos tão expressivos
Quem me dera você fosse
Da minha casa o sorriso!

Querida guria dourada,
Nascida cheia de luz
Como o encanto da madrugada
Aos amantes da vida seduz.

Sei que vou lhe receber
Com muito amor linda criança.
E junto com o Kurt há de ser
Outra dádiva e só esperança.

Papai e mamãe muito orgulhosos
Com o irmão fazem coreografia,
Para expressarem tão amorosos
A alegria de ter você na gataria.
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Nós

Pintura: "Doçura"
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Toda pessoa tem um grupo espiritual
Que sempre a acompanha
Eu e você, às vezes somos um canal
E também vivemos essa façanha.

Fico pensando como será interessante
Quando a gente se encontrar
O congraçamento dessas almas
Que vivem a nos inspirar.

É que eu tenho uma certeza:
Que somos almas afins.
Pensamos tantas coisas de infinita beleza,
Que superam as outras ruins...

Viemos do mesmo lugar,
É o Universo quem garante,
Quando é impossível para nós
Caminharmos estando longe.

É certo que nosso grupo já se conhece há muito tempo.
E a nossa relação é uma explosão de contentamento.
Entretanto o tempo não existe para além desse espaço.
Juntos emanamos a vibração de um forte abraço.

Por isso é que o nosso amor
Muda as cores dos lugares,
Traz a paz aos corações,
Brilho e perfume aos outros pares.

Somos como os beija-flores
Disseminando a alegria,
Num vôo sincronizado
Salpicando amor à revelia.

E o encontro dos nossos guias
É como dois arco-íris que se entrelaçam.
Impossível saber até onde essa energia
Alcança os corações que nunca se separam.

É que o amor só traz expansão
E pensamentos positivos elevam a vibração.
Eles permitem que o homem consiga melhorar
O mundo em que vive com aquilo que pensar.

Olhemos para o outro como um Ser especial,
Focalizando em cada indivíduo o Eu superior.
E a conversa dos dois Eus de maneira natural
Permite que cada um manifeste o seu real valor.

Todos somos inspirados por energias superiores.
Somos seres de luz interligados e amorosos.
O amor se propaga através desses benfeitores.
Elevando nossas vibrações podemos ser maravilhosos.

domingo, 19 de setembro de 2010

Desejos

Pintura: "Desejos"
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Mar tormentoso é o desejo
Que faz do homem o que bem quer.
Se ele cede a um só lampejo
Mais que um escravo não é.

Quem dentre vós já escapou
Surrado pelas águas desse mar?
Da razão nada sobrou.
- Sob domínio do desejo, é certo naufragar.

Ainda que sereno ele se mostre,
Fatal que se apresente em profundeza
Irreconhecível, imenso, a própria morte,
Quando expressa a verdadeira natureza.

O homem só é senhor do seu destino
Naquilo que não concerne à paixão,
Pois nas garras dessa loba é um menino.
- Coração cravado sem perdão.

Tão humano é esse sentimento
Que cumpre a cada um se perguntar:
Elevar-se em espírito é despir-se do desejo?
Ou será amar e diluir-se nesse mar?

domingo, 12 de setembro de 2010

As Flores do Caminho

Pintura: "Harmonia"
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Destino não é condenação obrigatória,
Livre-arbítrio é oportunidade justa.
Quantos de nós, em nossas trajetórias,
Fazemos distinção dos dois na luta?

Aprender não implica sofrimento,
Atenção ajuda a abreviar as provas,
Já que cada uma tem o intento
De testar a evolução antes de passar pra nova.

Todos podemos crescer mais facilmente
Sem desperdiçar as oportunidades que virão.
Opor resistência ao ensinamento
É pedir provas mais duras, sem perdão.

Porque quando vivemos sem reflexão
A Vida precisa ter muita paciência
Pra ficar repetindo ao incauto a lição,
Tantas vezes até poder tomar ciência.

As escolhas a cada passo são inevitáveis,
E é preciso avaliar antes de optar.
Criamos no presente as próximas paragens.
Quem escolhe bem, entre as flores vai caminhar.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Hermógenes

Se o vaga-lume aprendesse a ficar quietinho, aceso, satisfeito, humilde e tranquilo, não haveria quem não o tomasse por estrela.
É bom ficar quieto, paciente, em silêncio, esperando a visita da Luz.
O vaga-lume tem luz, mas é ainda vaga.
Falta-lhe quietude. Silêncio já tem. E tem também o negrume da noite envolvente a servir-lhe de fundo, a realçar-lhe o fogo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Hermógenes

Somente na alma do asceta reina a Paz. Ele não quer mais do que tem. Não anseia tornar-se o que ainda não é. Não se angustia nem mesmo com a estupidez dos homens. Não se filia a doutrinas, que deva defender ou impor. Não persegue ilusões. Não teme a morte. Nunca se sente pobre. Não deseja poderes, honras, lugares, haveres... Não reprime. Não se reprime. Não se engana. Não engana. Não explora. Mas também nada tem e, se nada tem, não anseia aumentar ou guardar. Não se perturba, pois nada o ameaça. Não se ira, pois ninguém o pode ferir.
Ele só tem uma estrela a supri-lo com Infinito, Beleza, Justiça, Amor, Verdade, Beatitude...
Sua estrela é Ele mesmo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Hermógenes

Jogaram uma pedra na tranquilidade do lago.
O lago comeu-a.
Sorriu ondulações e...
ficou novamente tranquilo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Hermógenes

Antes de ser remanso, o rio se arrebenta todo nas corredeiras da montanha.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Hermógenes

Não pules ansioso e ávido querendo agarrar estrelas.
Senta-te quieto e mudo e esquece-as inteiramente.
Quando teu silêncio fizer de ti uma estrela, uma das do céu descerá para brincar contigo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Hermógenes

Enquanto ansiamos pela Paz não a alcançamos.
Ansiedade e Paz são antíteses. Nunca se juntam.

terça-feira, 9 de março de 2010

Uma Doença Chamada Plano de Saúde

Se a saúde pode ser definida como um estado de bem-estar físico, mental e espiritual em que o sujeito pode estar apto a atender aos mais altos fins de sua existência, a doença mais prevalente nos dias de hoje é a que resulta de possuir um plano de saúde.
Quem pode ficar sossegado depois de adquirir um título de empresa de saúde?
Apesar dos comerciais com belas imagens de pessoas esbanjando saúde e mensagens subliminares equivalentes aos produzidos por fabricantes de cigarros, é evidente que nunca mais o assistido terá paz nos dias que lhe restarem para viver.
E isso acontece porque é quase impossível receber “dez com louvor” após precisar se submeter a uma avaliação por um clínico conveniado. As chances de ser enviado para consultar outros especialistas são altíssimas, mesmo se a pessoa é quase assintomática.
É que a Medicina de hoje, altamente tecnológica, é exercida por esses profissionais impessoais, que se portam de forma indigna do juramento que fizeram, que são medrosos e que não estão dispostos a assumir responsabilidades, antes preferindo resguardarem-se, solicitando quase sempre uma infindável lista de exames, ao invés de se aterem a ouvir o paciente com cuidado e buscar um diagnóstico que seja individualizado para o cliente.
E nessa busca desenfreada por explicar sintomas que, freqüentemente, se relacionam com vivências cotidianas, questões psicológicas ou distúrbios funcionais que não aparecem nos exames, mas que podem ser entendidos e resolvidos através da escuta atenciosa e interação com o paciente, fazendo a integração dos mesmos, muito dinheiro é despendido inutilmente na realização de exames de laboratório, de imagem e exames funcionais, totalmente desnecessários.
E é preciso que se diga que o maior desperdício não é do dinheiro em si, mas da própria saúde do sujeito que perde suas energias se consumindo num trabalho inglório e estressante de solicitar autorização das empresas para realizar determinados exames, marcá-los num tempo hábil, perder seu precioso tempo para fazê-los, aguardar ansiosamente os resultados com o coração na mão, depois de passar pelos constrangimentos, dores e dificuldades do exame em si e, finalmente, ter o veredicto dos médicos que, não raramente são incapazes de resolver os resultados conflitantes e acabam pedindo ainda outras novas provas para elucidar os mistérios que eles mesmos ajudaram a produzir, tanto por ficarem mais perdidos do que cego em tiroteio, pela deficiência da história mal colhida e exames físicos incompletos quanto pela possibilidade freqüente e inerente a cada exame de ter falsos positivos ou negativos.
É inegável que para aqueles que apresentam doença aguda ou crônica com expressão no plano físico ou cujo diagnóstico dependa de exames específicos ou avaliação por especialistas, o cliente possuir um bom plano de saúde representa uma comodidade tanto para o médico como para o doente e por vezes é mesmo indispensável, apesar dos problemas, tendo em vista nosso atual sistema de saúde pública tão precário e ineficiente.
E é assim que caminha a Medicina com a sua impessoalidade, sua alta tecnologia fria e desconcertante, seus erros patéticos e injustificáveis, seus processos cada vez mais freqüentes, perdendo apenas para seus protocolos, classificações, procedimentos e medicamentos de última geração.
Que saudades do tempo em que era possível ter um clínico que atendia a família, que era amigo e íntimo e no qual podíamos confiar, que considerava a sua obrigação profissional estar junto do paciente em todos os momentos para promover a cura, não da doença, mas do paciente, sabendo das suas limitações, não posando de Deus Todo Poderoso, mas com a autoridade de quem está ali para melhorar a condição do sujeito, que usa a sua pessoa, a sua palavra, a sua intenção, a sua sabedoria e o seu amor para exercer a sua profissão com dignidade.
Apesar do estrago sem precedentes que os planos de saúde trouxeram para o exercício digno da Medicina, ainda existem esses raros profissionais. E quem topar com um desses pela frente, agarre-o com unhas e dentes e cuide de preservá-los, desde que não em cativeiro porque estão em extinção, mas são livres por natureza.

sábado, 6 de março de 2010

Parabéns, Heloísa e Marcelo!

Hoje é o casamento do meu sobrinho e eu sou a madrinha. Pensei no que diria aos noivos nesse importante momento de suas vidas.
Eles já se conhecem há um bom tempo, sabem que se amam muito e desejam viver juntos formando uma nova família.
E agora vão descobrir o que é viver com outra pessoa, como cada um realmente é no contato com o outro. E essa experiência é inédita para os dois.
Digo a eles então que a realidade cotidiana será mais doce, a casa deles terá mais harmonia, luz e felicidade se ambos tiverem como objetivo maior concretizar a felicidade do outro. Parece ilógico que alguém deva se responsabilizar pela felicidade de outra pessoa, mas o simples desejo de fazer feliz quem você ama, tentando descobrir o que agrada e o que desagrada àquela pessoa e, sendo uma atitude de ambos, no mínimo é capaz de facilitar o relacionamento. E para que a receita seja eficaz, é fundamental a sinceridade no que diz respeito à emoção.
É importante ter uma comunicação aberta, sem subterfúgios, sem jogos ou insinuações, sendo capaz de dizer ao outro exatamente como se sente, qual o impacto que palavras, gestos e atitudes do companheiro têm sobre a sua emoção.
Dessa forma clara será possível perceber os problemas que surgirem ao longo da vida, não deixando pendências no relacionamento que poderiam gerar o enfraquecimento da aliança que foi prometida para os dias felizes e também para os momentos difíceis da vida do casal.

Que dentro desse espírito de união, amor e sinceridade, vocês possam construir uma família muito feliz, num lar harmonioso, pródigo e iluminado. Felicidade!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Hermógenes

Se as coisas lá de fora te amedrontam e te perturbam é que até agora ainda desconheces a silenciosa e sutil fortaleza de Paz que está dentro de ti.
É paraíso. Segurança. Plenitude.
Mergulha.
Para dentro.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Hermógenes

Neste mundo bélico, “lógico”, psicodélico, tecnológico, competitivo, erótico, dispersivo, neurótico, violento, pseudo-artístico, virulento, tão “normal”, tão “intelectual”, tão superfície, tão oco, tão agitado, tão louco, tão material, tão hedonista e sem rumo... os poucos que têm Paz são “marginais”.
Marginalizemo-nos. Mergulhemos na Paz.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Buda: “Importante é Como Falar”

Aqueles que encontram as palavras certas nunca ofendem ninguém. E, no entanto, eles falam a verdade. Suas palavras são claras, mas jamais ásperas. Eles não recebem ofensas e não as dão.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Felicidade

Brilha o sol com intensidade, logo de manhã,
Convidando toda a gente para viver com afã.
Que alegria será esta que brota no coração
Sempre que ele aparece dissipando a escuridão?

Há quem goste dos dias nublados
Com friozinho que chama o aconchego.
Mas vejam, parece inegável que é a luz
Que mais desperta o nosso desejo.

O sol assanha as pessoas e faz todo mundo sorrir.
Esquenta até mesmo as entranhas aguçando o sentir.
Dá vontade de sair dançando, abraçando quem encontrar,
Pintando os caminhos de sonhos e esperando o luar...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Carnaval

Carnaval é um tempo em que a realidade cotidiana dá lugar ao sonho.
E cada um de nós tem o seu.
As crianças têm a liberdade de escolher quem desejam tornar-se. E cabem, na medida, na fantasia que vestem: fadas, carrascos, pierrôs, super-heróis, colombinas, vampiros, bate-bolas. Não importa. Elas se transmutam naqueles personagens que elegeram.
Para os adultos, fica mais complicado deixar de ser o que pensam que são para manifestar outra personalidade. Geralmente, precisam de algo mais para nublar a consciência e permitir a mudança. É uma pena!
No carnaval tudo fica mais vivo. Os sentidos se aguçam e os talentos se manifestam. A profusão de cores e formas explode em criações inimagináveis que enfeitam os corpos e os lugares com luzes radiantes por toda parte.
O som é inebriante. Os acordes são arranjados magnificamente e a música só não é celestial porque o ritmo cadenciado é humano demais. As baterias descompassam o coração levando a emoção aos píncaros da glória.
Tudo é cor, tudo é luz, tudo é festa e alegria. Ou quase tudo. É inevitável lembrar do arquétipo do palhaço, daquela alegria forjada para suplantar a dor.
E aí vem a dúvida... será que esse povo que faz o carnaval na cidade é, por dentro, o que mostra na avenida nos dias de festa: só nobreza, beleza e força ou acaso tudo isso é o último vestígio de brilho que ainda sobrevive ao massacre de um cotidiano de pobreza, humilhação e medo?
Que importa? Cada pessoa é que sabe de si e nada pode tirar o que vibra dentro de cada um de nós.
E é isso que certamente explica toda a grandeza dessa festa, capaz de unir nessa arte, numa imagem harmônica, num ritmo cadenciado, num só canto, toda a diversidade de um povo que nesta hora sabe comungar num só credo. Está feita a Vossa vontade. Amamos uns aos outros como a nós mesmos. Somos feitos à Vossa imagem e perfeição. O sagrado expresso no profano.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de fevereiro do Duelos Literários: Carnaval.

Sem Máscara

Já é chegada a hora tão ansiada
De retirar a máscara de todo dia,
Liberar a repressão malfadada
E esbaldar-se colocando a fantasia.

Certamente não há mais como conter
Aquela eterna luta de polaridades.
O inevitável irá acontecer:
Homem sisudo vai sair de beldade.

Ele acaba revirando o armário do quarto
Da mulher recolhe saia e até o sapato,
Arranja a cabeleira do jeitinho exato
E aí só volta quarta-feira e sem espalhafato.

O carnaval é uma festa de beleza rara.
Mas para quem se reprime o ano inteiro,
A permissão para exibir a verdadeira cara
Pode ser pior que botar a mão em vespeiro.

É festa, é arte, é explosão de criatividade!
Pode ser orgia e bagunça por conta de bebedeira.
Mas nada tira o seu brilho em nossa cidade.
As almas expressam a luz de qualquer maneira!

Quem dera todos nós possamos um dia
Sem nenhum disfarce por menos-valia
Estampar no rosto nosso ser de energia,
Sem as máscaras exibindo a genuína alegria.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de fevereiro do Duelos Literários: Carnaval.

Carnaval

Criatividade, cantiga, compasso
Alegoria, avenida, abraço
Reinado, ritmo, remelexo
Negritude, novidade, nau
Alma, abre-alas, amor
Viagem, valor, vaidade
Animação, alegria, aquecimento
Lança-perfume, loucura, liberdade
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Este post faz parte da blogagem coletiva de fevereiro do Duelos Literários: Carnaval.

Ser ou Fingir

Carnaval é a apoteose
.......................do delírio
Pra quem só toca de leve
........................a realidade.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de fevereiro do Duelos Literários: Carnaval.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Adeus, Calissa

Pintura: "Suspiro"
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Abriu-se para você um novo tempo
Livre das dores e limitações do corpo.
Traçando agora um novo caminho na luz,
É amparada por espíritos amigos e pelo amor.

Não havia mais como continuar...
Já era pesada demais a sua cruz.
Findaram as experiências aqui na Terra
E o aprendizado por certo continuará no Além.

Você leva tudo o que aprendeu,
O quanto amou e foi amada,
As ideias que brilhantemente defendeu
E até mesmo alguma incompreensão que gerou.

O que importa é o que não passa...
Deixou muito amor para alguns,
Levou lembranças das experiências positivas
E continuará bem viva no coração dos seus amigos.

Que a consciência a leve em paz
Para um novo despertar de liberdade.
Que o amor de Deus a guarde sempre
E que a saudade se transforme em força para os que a amam.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Luz e Trevas


A luz sempre se sobrepõe às trevas.
Uma pequena faísca ilumina desfazendo a escuridão.
Ao identificar o caos que se instalou em todos os lugares
Não podemos ceder simplesmente à desordem, à miséria,
Ao preconceito, à falta de lógica e de coerência,
À insanidade e ao desequilíbrio.

A luz e o amor são mais fortes
E agora eles devem reinar
Ignorando o poder das trevas.

Não podemos nos deprimir e adoecer,
Encolher diante dos absurdos.
Sejamos fortes!
É necessário manter-nos cientes
Da nossa integridade física e mental,
Da nossa ligação com o espírito.

As pessoas que vibram na oitava superior serão
Os pilares de sustentação na transição do planeta.
E deverão ser norteados pela certeza
Daquilo que são e no que crêem.
Não podem esmorecer e se deixar arrastar
Pela corrente dos que vivem inconscientes.

Aqueles que ainda não perceberam seu ser espiritual
Seguem em desequilíbrio e contribuem
Para aumentar o caos e engrossar a legião
Daqueles que só agridem e se defendem.

Mas os que são conscientes vibram luz
E têm infinito poder não manifestado.
São indestrutíveis quando alinhados com o espírito.
Devem ser trabalhadores incansáveis
E contribuir para alterar a vibração da Terra.

Através de suas posturas, atitudes,
Palavras e gestos de amor fraterno
Serão capazes de puxar muitos que ainda estão perdidos.

No momento da dor e do desespero,
Só a calma, a temperança, a segurança de si mesmo
E a atitude amorosa podem ajudar
Àqueles que já possuem essa consciência.

Que possam ser como beija-flores
Espalhando beleza e alegria por onde passam.
Que sejam o farol para os que estão perdidos.
Que sejam o bálsamo para os corações que sofrem.

E que possam ser o refrigério das almas
Que ainda queimam em desespero inútil.
.

Pintura: "Trama"

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Outra Que Não Eu

Cai a tarde de calor opressivo.
Não há vento, a realidade para.
Observo tudo que não muda.
Nenhuma folha se mexe,
Não há pássaros, não há canto.
Há silêncio e tristeza.
Minha paisagem interna é cinzenta.
Vejo o mundo, mas não faço parte dele?

Sinto uma dor profunda
E nem sei qual a razão.
Parece que tudo desabou sobre mim
E que as coisas pesam demais.

Minha cabeça se atordoa
E o que me oprime é a vida
Com toda a sua forte presença.
São as alegrias e as dores.

O que me salvaria eu não consigo ter:
Um distanciamento protetor.
E nada a desejar, nada a esperar.
E não ter medo de nada,
Não sofrer pelas dores alheias,
Não sentir minha própria dor.

Mas, será que isso é viver?
Eu que sou passional,
De natureza viva, quente e mutante?
Como ter serenidade, certeza e calma?


Eu não sou calma nem placidez.
Eu sou barulho, gritos, choros, sorrisos.

Eu sou idiotamente humana demais!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Depressão

Dor que dilacera meu peito
Como algo que se aprofunda
E que desconheço a natureza.
Que me invade e domina!

Ela talha o meu leite,
Desanda a minha massa,
Sola os meus bolos,
Empelota os meus cremes,
Enfeia os meus pratos,
Queima a minha carne

E torna a minha vida insossa.

Que remédio capaz de curá-la?
Que luz ofuscaria seus dentes que brilham,
Enquanto exibem para mim sua agressividade?
Que força poderia espantar os meus fantasmas?
Que realidade teria o poder de me absorver nessa hora?
O que me despertaria interesse nesse momento?

Como consigo acalmar meus dias?
De que forma eu posso paralisar meus pensamentos
E deixar minha mente como um lago tranquilo
De águas claras e cristalinas?

Devo entender e aceitar os riscos de viver
Como a criança que avança no caminho,
Um pé depois do outro, preparada para o tombo,
Com a certeza de que irá se levantar e seguir sempre.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ver Além pra Viver Bem

Garimpar em todo lugar belezas
É tarefa hercúlea e empolgante.
Nunca para mim foi incerteza
Que o melhor se esconde dos amantes.

Viver bem é uma questão de escolha.
Por vezes parece armadilha de Sísifo...
Melhor é sentir-se protegido numa bolha,
Tentar e repetir, sempre com um sorriso.

Porque o que difere nos que têm sucesso,
É a disposição para vencer
Fazendo de cada tropeço ou retrocesso
Um desafio para não esmorecer.

Estar atento aos acontecimentos,
Percebendo onde errou ou acertou,
Sendo capaz de mudar a rota, a qualquer momento,
É a condição para ser um vencedor.

E, na verdade, vencer é vivenciar
Cada momento em sua plenitude!
Usufruir do belo e aproveitar...
A vida só melhora com mudança de atitude!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Meditar

Como pena de pássaro flutuando,
Ao sabor da brisa indo parar
Onde o pensamento for levando.
Soltar-se meditando é salutar.

Relaxar o corpo progressivamente,
Cessar da mente o burburinho,
Ficar tranqüilo e ser aquiescente.
Meditar é ser capaz de voltar ao ninho...

Até parece coisa de lunático!
Mas, na verdade, isso é só confusão.
Quem medita, jamais fica à parte,
Já que ela incrementa a atenção.

Mergulhar de cabeça no momento presente.
Ser capaz de integrar-se ao Universo.
Estar ligado a tudo realmente,
Sendo um com o Todo é o processo.

Mas, não se consegue isso só com a vontade.
É necessário aprender a ceder.
Entregar-se de todo e não pela metade.
Depois, é só deixar acontecer...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Aprender

O verdadeiro aprendizado é se saber
Nessa vida um eterno ignorante.
Ter humildade para compreender
Que jamais saberemos o bastante.

Pois que para poder caber
No mesmo lugar algo mais,
É necessário antes poder se desfazer
Daquele mesmo quantum, esvaziar-se ser capaz.

Quando nos consideramos locupletados,
Nada mais teremos do porvir.
Ser um vaso incompleto é o recado
Para aqueles que desejam evoluir.

Evoluir é estar disposto a aprender.
Não apenas se vangloriar pelos sucessos,
Porque é o erro reparado que vai trazer
A verdadeira razão desse processo.

Aprender sempre é recuperar a inocência,
Ser como as crianças, nunca resistir,
Porque é onde menos esperamos a presença
Que está o nosso mestre para evoluir.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Dom

Arte é centelha permanente
Na vida de quem deixa fluir...
A sensibilidade é um presente.
O dom é o bem maior a possuir.

Mas nem todos conhecem o seu dom.
Às vezes, é escondido tão profundamente
Que se vive sem brilho e fora do tom,
Percebendo a vida nada reluzente.

Se a existência parece cinza,
Se nós contamos os dias ao invés de viver,
Fazendo o que deve ser feito e sendo ranzinzas,
Decerto não deixamos nossa missão florescer.

É preciso sondar com diligência.
Entender como de fato somos é mister.
Onde parecemos perfeitos? Do que gostamos?
Cumprir a missão é fazer o que se quer.

Não importa o que os outros pensem a respeito.
A escolha é sempre individual.
Só você é capaz de saber ao que veio,
Pode ser algo grandioso ou mesmo banal.

O fato é que quando sintonizamos
Com a razão maior de nossa vida,
Equilíbrio, força e alegria nós despertamos,
Estaremos em paz e fluindo com a vida.

Essa é a maior proteção que se pode ter:
Uma vida muito rica de objetivos,
Não dando espaço pra doença aparecer
E estampando no rosto um eterno sorriso.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Hermógenes

O grande perigo da tecnologia é implantar no homem a convicção enganosa de que é onipotente, impedindo-o de ver sua imensa fragilidade.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Hermógenes

Uma vez vi um homem no lixo.
Que vergonha danada senti de ser homem.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Hermógenes

Pecador é tão-somente um ser infelicitado pela ignorância e pela doença.
O antídoto do pecado portanto não é virtude, mas saúde e sabedoria.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ecologia

Mostre que você tem cabeça
E se permita refletir só a alegria.
Vivencie dividir realmente o planeta.
Isso é entender de ecologia.

Estamos todos integrados.
Não há quem seja melhor.
Dependemos sempre do outro.
Fique atento se quiser evitar o pior.

É preciso conter o desperdício
De tudo aquilo que não seja perene.
Recursos eternos, isso é algo fictício.
Ensine às crianças de forma solene.

Proteger a natureza em sua plenitude:
Considerar as plantas e os animais,
Sem esquecer dos minerais que, amiúde,
Constituem riqueza e memória colossais.

Tudo que existe é sagrado!
Incluindo os homens, tudo é vivo e fundamental,
Mas parece que o planeta foi abandonado
Nessa corrida desenfreada pelo bem material.

Equilíbrio é respeitar o semelhante e o desigual.
É na diferença que se busca a complementariedade.
Ser responsável é responder de forma magistral.
O planeta está gritando! Salvá-lo só depende da nossa vontade.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Irmãos

Imundície indiferença infelicidade incerteza irritação insólito
Ruas rato ronda rosário raquítico ruindade
Menino madrugada maltrapilho maus-tratos mandamentos morte
ALMAS açoite ausência ANSEIOS ALIMENTO AMOR
Odores orgulho ofensa olhos ódio ocaso
Sombra solidão sumiço sofrimento sopro SEMENTE

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Escrevendo Bobagens

A idiotice manifesta é o único recurso que nos resta quando a habilidade nunca existiu ou o talento para escrever abandona a gente por longo tempo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ex-Haiti

A morte é oportunidade para quem vai e para aqueles que ficam e a presenciam. Com a morte, o físico se desintegra para que possa ser reorganizado no futuro. E a porção de luz segue como consciência, acrescida de mais aprendizado até que após um período de transição cósmica possa novamente habitar outro corpo físico e renovar as experiências na realidade material.
Aqueles que assistem ao desenrolar da morte - seja individual ou coletiva - e estão atentos às sutilezas que o cercam, igualmente poderão adquirir conhecimento e trazer transformação às suas vidas.
A experiência do que vem ocorrendo no Haiti todos os dias, há tanto tempo, acrescida pela catástrofe que aconteceu agora, pode ser enriquecedora para o observador interessado. O caos permite, pelo contraste, delinear ocorrências da mais elevada esfera, presentes lá e em todos os lugares onde o sofrimento físico pode ser transcendido pela força do espírito.
Até quando serão necessários as grandes hecatombes e o caos disperso no cotidiano, em tantos outros lugares pelo mundo, para que a humanidade se confronte com a realidade de que o sofrimento advém da ignorância de que fazemos parte da mesma unidade e que, portanto, o que afeta a um afeta a todos e podemos mudar a realidade redescobrindo nossa verdadeira natureza de espíritos?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Hermógenes

Tenho encontrado homens e mulheres que orgulhosamente proclamam a liberdade de serem escravos de seus vícios.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Hermógenes

Em busca de boas definições, encontrei uma que acho exatíssima:
- Potentado é um tolo que vive pelo pó tentado.
Concorda?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Hermógenes

Aí está a normalidade que recuso ser.
Aí está a massificação que não aceito para poder ser aceito.
Aí está um mundo normal no qual prefiro, mesmo em troca de sofrimento, conservar-me anormal.
Aí estão as compensações, vitórias, seguranças que não busco... para, desse modo, poder continuar fora do rebanho.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Hermógenes

Dois ignorantes se encontram e não tardam em se agredir.
Dois sábios se encontram e logo se abraçam.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hermógenes

Os condutores de que o mundo precisa raramente aparecem. Surgem como estrelinhas faiscantes, mas em geral ficam anônimos, quando não perseguidos, anulados, esmagados pela mediocridade dominante.
Alguns desses raros seres nem sequer saem da humildade em que nasceram.
O mundo não os entende. E muito menos lhes atende.
O mundo prefere continuar seu viver sofrido, entre choques de doutrinas, nacionalismos adversários, facciosismos conflitantes, impérios que crescem esmagando e fazendo injustiça, instalando a exploração, despertando ódios, derramando sangue... E tudo em proveito de mentirosas e efêmeras hegemonias.
Os gênios que poderiam conduzir o mundo à Paz continuam estrelinhas anônimas, ignoradas, isoladas, inacessíveis.
São estrelinhas num rasgo de céu em noite tempestuosa pejada de negros nimbos da violência e da ignorância.
Quando teremos nós, os homens, um céu todo estrelado?

domingo, 31 de janeiro de 2010

Somos Todos Um

Que fronteiras pode haver
Olhando do ponto de vista da emoção?
Quando o homem vai entender
Que fazemos parte da mesma amplidão?

O que separa é sem valor
Por que insistir na posse?
Criamos um mundo sem cor:
Viver só na matéria não traz sorte.


Se há caminhos, há espaços distintos
E, portanto, fronteiras existem
Mas se seguimos nossos instintos
Semeando amor, dissolvemos todos os limites.
.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de janeiro do Duelos Literários: Fronteiras.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Hermógenes

O homem está fugindo.
Foge dos outros.
Foge do tédio, do perigo, da ansiedade, do vazio, da fome, da guerra, da privação, da morte...
Mas a fuga principal é aquela com que procura escapar do encontro consigo mesmo.
Cada um se sente, para si mesmo, a maior ameaça, a decepção maior.
O homem tem medo de saber o que ele é.
Todas as portas de escape são buscadas, contanto que se aliene do que é ou supõe ser.
LSD, aquisições, aplausos, divertimentos, prazeres, euforizantes, vícios, pervertidos ócios, negócios sufocantes... As portas são muitas...
Que pavor da solidão!
Todas as portas parecem válidas, mas são frustradoras.
Que pavor do silêncio!
Silêncio e solidão lhe parecem ameaças. Por isto são temidos e evitados.
Lastimável e trágico erro!
Poucos podem aceitar que a salvação está na direção oposta à da fuga.
A libertação, o remédio e a paz estão no fim da estrada do silêncio e da solidão.
Foi-nos insistentemente ensinado “conhece-te a ti mesmo”. Têm-nos insistentemente repetido que a “verdade que liberta” nos salvará.
Mas, até agora não aceitamos.
E o escapismo universal segue devastando o homem e tudo.
A procura de si mesmo - em silêncio e só - é a esperança.
E a minha esperança é que se voltem para ela todos os homens.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Hermógenes

O homem é o herdeiro do Reino.
Mas a bruxa da ignorância o encantou. E ele sofre porque pensa que é mendigo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Hermógenes

Quando o diamante e o carvão, salvos da ilusão em que vivem, descobrirem que, em realidade, um não é mais do que o outro, nem mesmo diferente do outro, pois são a mesma coisa - o carbono - então deixará de existir a injustiça do primeiro contra o segundo e a revolta deste contra aquele.
Quando libertos da ignorância, da estupidez, do erro, da violência, da espoliação, do ódio, da greve, da guerra, da fome, as ruínas, a miséria, o medo... tudo deixará de existir.
Acabará a luta de classe.
Acabará porque acabará a razão de lutar - a ignorância.
É ela que impede que o carvão e o diamante descubram que, em realidade, são ambos o carbono.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Símbolo Perdido

O Símbolo Perdido - Dan Brown
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O autor desenvolve uma trama interessante que envolve o leitor desde o primeiro parágrafo.
Tudo gira em torno da Francomaçonaria e o seu papel na fundação na cidade de Washington, onde ocorre o sequestro de um grão-mestre com a mutilação de sua mão direita que então aparece no Capitólio. A partir daí, o clima é de suspense e um professor de História analisa vários símbolos para desvendar os grandes mistérios que se escondem, segundo o sequestrador que o convocou para desempenhar este papel, naquela cidade. Paralelamente entra em cena a irmã do sequestrado, que é uma cientista que trabalha com noética e demonstra, nas suas pesquisas, a importância do pensamento como algo que tem poder de agir sobre a matéria, podendo ser quantificado. Daí são discutidas as interrelações dos mistérios das antigas civilizações, com as descobertas científicas da física quântica, mostrando que, como anunciado por símbolos presentes em todos os lugares desde tempos imemoriais, a grande mudança esperada para este momento da civilização é a descoberta pelo homem de sua porção divina ao voltar-se para dentro de si mesmo, mudando completamente sua forma de estar no mundo e se relacionar com os semelhantes e o meio ambiente.É uma boa diversão e instrui a quem ainda não conhece estas novidades.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hermógenes

As potencialidades infinitas do Ser Supremo, que nós somos, permanecem abortadas pelas posses, afazeres, doutrinas, partidos, preceitos, preconceitos, vaidades estúpidas, verdades que não o são e que, embora nos retenham na penúria verdadeira e em verdadeira servidão, são por nós defendidas e amplificadas como se nos dessem segurança e paz.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Anticâncer

Anticâncer: prevenir e vencer usando nossas defesas naturais - David Servan-Schreiber
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O valor deste livro é que, à luz da experiência própria, o autor chama a atenção para a importância de enxergar que o tratamento, tanto do câncer como de qualquer doença crônica, não pode se restringir às medidas tradicionais que só se referem à doença em si, quase sempre ignorando a ação sobre o terreno onde ela se manifesta (o organismo, a individualidade) e a atuação indispensável sobre o meio ambiente que contribui de forma incontentável, muitas vezes superando o papel da predisposição genética. Além disso, mostra como medidas possíveis, embora algumas vezes, à primeira vista, pareçam trabalhosas, podem atuar de forma preventiva melhorando a saúde de maneira geral e sempre contribuindo de forma decisiva para a eficiência do tratamento convencional.
Ele, como médico tradicional, psiquiatra e neurocientista, vence o preconceito por força da necessidade, expande a sua consciência e se permite analisar as terapias alternativas com a visão aberta e curiosa que devia ser a do verdadeiro cientista e testá-las em si mesmo, buscando sempre a explicação científica para abordagens clássicas que resistiram ao tempo, presentes nas medicinas chinesa, tibetana e indiana. Seu mérito é investigar, analisar e somente rejeitar ou aceitar depois de conhecer e se aprofundar, ao invés de fazer como a maioria dos pseudocientistas que nos cercam e que, sem ao menos se darem ao trabalho de conhecer, repudiam e desaconselham por puro preconceito, contribuindo para manter a ignorância geral e privar seus pacientes de oportunidades de melhorarem sua saúde, ampliarem suas consciências, ainda que, apesar disso, possam morrer, aliás, como todos nós iremos morrer um dia.
Ele mostra que as medidas para melhorar a saúde devem ser múltiplas e concomitantes com atuações sobre a alimentação, as atividades físicas e a emoção, promovendo uma verdadeira transformação em si, além de simplesmente serem tratados só com cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
Leitura indispensável nos dias de hoje, para todos que querem viver melhor.

PS - Amigos, não deixem de ler este livro por medo do título, já que ele traz, numa linguagem bem acessível, medidas fáceis de serem seguidas com um convite tentador para todos que quiserem modificar hábitos e passar a viver de acordo com sua própria natureza, libertando-se de restrições sofridas ao longo de suas vidas, muitas vezes não percebidas.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Estou Lendo...

Anticâncer: prevenir e vencer usando nossas defesas naturais, de David Servan-Schreiber.

Consciência

Sou independente por natureza.
Nunca suportei que me dissessem por onde devia ir.
A não ser a percepção do erro que, inevitavelmente, corrige a minha rota.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Quanta Energia

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De onde será que vem tanta disposição?
De onde retira tanta alegria?
Como pode ter energia para realizar tantas coisas ao mesmo tempo?

Ela esbanja vontade de fazer as coisas e contentamento enquanto trabalha. É que seu combustível é inesgotável, ele vem direto da fonte. Ela está conectada ao reservatório do Universo, se alinha, está ligada ao Todo.

Consegue isto porque está voltada para o seu interior e sabe bem o que veio fazer nesta vida. Ela é a grande doadora. Fica feliz ao proporcionar alguma coisa para os outros.

E foi sempre assim: um sorriso largo oferecido indiscriminadamente; as mãozinhas abertas, indo em direção às pessoas, desde a infância, com expressão de felicidade. A mesma felicidade que irradiava ao entregar presentes em enormes embrulhos de papéis coloridos e laços de fitas pra tanta gente, inventando motivos para oferecê-los.

Continua assim quando se manifesta com sorrisos, gentilezas, ajudas, trabalhos, palavras de incentivo, cuidados, abraços e carinhos que são fartamente distribuídos hoje.

Dessa forma, sua força aumenta a cada dia, já que sua energia se renova e sua aura brilha mais.
Que seu brilho aumente a cada ano.
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FELIZ ANIVERSÁRIO! BEIJO.
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Desperdício de Energia

Hoje, ao passar por várias academias de ginástica, me ocorreu que o que acontece ali é uma tremenda perda de energia e um comportamento antiecológico generalizado. E, pensando em termos da nova realidade planetária, é um contrassenso tanta gente passar tantas horas queimando energia sem produzir outra coisa que não suor.
Não que eu seja contra exercícios físicos, muito pelo contrário. Mas é que todo o esforço que é feito nesses locais, que faz tanto bem à saúde, bem que podia de quebra trazer benefício a outras pessoas também.
Ao pensar dessa forma, imediatamente me pus a delirar. Imaginei como seria interessante que as pessoas que malham depois do horário de trabalho, fizessem esta atividade, por exemplo, numa frente de trabalho voluntário na construção civil. No fim de algum tempo, elas teriam o imenso prazer de ver antigos desabrigados ocupando moradias construídas com sua participação. Outras, queimariam calorias à beira de um fogão numa cozinha onde seriam preparadas refeições comunitárias. Quem gostasse de se exercitar ao ar livre poderia correr atrás de pimpolhos numa creche para filhos de mães que precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos. E as caminhadas poderiam ser feitas todas as manhãs, acompanhando pessoas da terceira idade que estão jogadas em asilos e passam semanas inteiras sem interagir com ninguém. Parece bem simples, mas sei que é difícil acontecer.
É que nós estamos cada vez mais obsessivos e essas opções são formas mais criativas de usar a energia.
Então, eu temo que continuarei a passar por salas envidraçadas cheia de gente solitária com fones de ouvido, correndo atrás de nada ou não sei do quê, fazendo movimentos repetitivos, sem um mínimo de consciência corporal, aguardando talvez um momento de azaração pra quebrar uma rotina insípida e vazia.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Haikais

Preto lascado
Não irá pra panela
Mesmo sendo bom

Não só na mesa
Aparência vale mais
Que qualidade