sexta-feira, 29 de abril de 2011

Semeando

Cada coisa que fazemos vai plasmar nosso futuro.
Tudo o quanto escolhemos configura o nosso mundo.
É preciso acreditar: somos nós que fazemos o caminho.
Assim, é melhor partilhar ou seguiremos sozinhos.

Partilhar conhecimento é coisa muito bem-vinda.
Trocar ideias originais dá um up às nossas vidas.
Mas nada é tão interessante quanto poder expressar
A nossa profundidade, se tem alguém pra escutar.

Escrevendo livremente, vamos estreitar os laços
Com o ser que mora lá no fundo e desatar os nós.
Então iremos pra vida, felizes, abrindo os braços,
Semeando novos amigos e jamais estaremos sós.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Amor Virtual

Cada um ama, no contexto pessoal, como sente, quer e pode.
Considerando cada elemento: terra, água, fogo e ar, o amor pode ter várias manifestações. Assim, de acordo com o elemento que predomina em cada ser e pode ser analisado do ponto de vista astrológico, o amor se expressará de forma particular.
O amor virtual tem a ver mais com o elemento ar, diriam alguns. Claro, é a mente que comanda. Cada um se coloca na rede como bem quer, se traveste daquela imagem que deseja mostrar, às vezes para atrair, outras para afastar (ou seja, atrair exatamente o que mais abomina e garante que a relação não poderá ir além do mundo virtual).
Mas será mesmo que os outros elementos também não têm vez no mundo virtual?
Será que os românticos do fogo não tremem, aceleram o coração e suam frio quando, em sua página do orkut ou facebook recebem mensagens daquela figura que cabe exatamente na idealização de seus sonhos?
E os nativos de água, também não se derretem e passam horas dos seus dias fantasiando com os elementos daquelas histórias construídas pelos seus novos amigos virtuais?
E o que dizer dos que são filhos da terra, que a cada dia, depois dos lances inesperados do cotidiano, sentem-se seguros quando podem vivenciar, a seu modo, o amor virtual, do jeito que lhes agrada e não oferece qualquer perigo (ou será que não se deram conta ainda dos perigos do transitar num mundo que exatamente por não ter como base o concreto é tão estranho para eles, apesar de serem tão desconfiados)?
O fato é que todos nós temos em nossa constituição psíquica todos os elementos e o mundo virtual é vivido por cada um de acordo com o que predomina no seu ser e, em última instância, tudo se mistura nesta rede que é a vida.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Difícil Exercício da Simplicidade nas Palavras e Ações

Cada um de nós tem o seu caminho de desenvolvimento espiritual que, em última análise, seria um processo de refinamento durante essa existência rumo a níveis cada vez mais altos de consciência, independentemente do que significa Deus para cada um, inclusive os que se intitulam ateus.
Assim, considerando que nós somos matéria e energia que só se diferenciam pela vibração mais lenta ou mais rápida, sendo realmente compostos da mesma “substância” do espírito,o objetivo maior de nossas existências é sintonizar com as esferas mais altas. Essa separação só existe na nossa ilusão e quando nos conscientizamos de que somos espírito num corpo material, tudo faz sentido e fica mais fácil. Só que essa consciência vem em raros lampejos que são percebidos por alguns de nós e que para outros é estranho, não se dando conta quando ocorrem. E desenvolver essa percepção é extremamente difícil no estágio de evolução em que nos encontramos e ocorre progressivamente, em várias etapas que nos permitem, aos poucos, ir aumentando o nosso autoconhecimento, tentando vencer os condicionamentos e alcançando um estado de observador dos acontecimentos da vida, o que não quer dizer indiferença e sim uma placidez que reflete a paz do espírito.
Chegar a isso, que ainda não é estar plenamente consciente do seu verdadeiro Eu, já é uma raridade de ser alcançada pelo homem comum. Entretanto, pelo menos, podemos tentar evitar o eterno estado de separação em que vivemos (diabo=dia-ballo que quer dizer: o que divide) que gera nossos conflitos, sofrimentos e dor. Esse distanciamento do espírito do estado de união é a grande heresia (voltarmos as costas para a luz que faz parte de nós) que é o resultado do estado de inconsciência do homem, a ilusão.
Essa evolução não se faz pelo externo e sim, lentamente, pelo interior. Não é possível usar a vontade apenas, o racional. É muito mais do que isso. Somos humanos e os dois polos, o bem e o mal, fazem parte desse processo. O importante é sempre, através do erro, redirecionar a nossa energia para sintonizar com as vibrações mais altas do espírito.
Dessa forma, não importa em qual âmbito das nossas vidas isso ocorra. Inclusive, no campo da sexualidade, a agressividade se transmuta em força, poder e vontade em nível espiritual; o criticismo em discernimento e o amor egoístico em amor universal.
Mas, por enquanto, todos nós ainda estamos no caminho, senão não habitaríamos este mundo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pensando a Respeito da Tragédia na Região Serrana

“Nada como a dor alheia para desviar nossa atenção da responsabilidade com a nossa própria vida.”
- Há alguém que sofre e clama por socorro dentro de nós, da nossa casa, em nosso trabalho ou na vizinhança e nós não ouvimos seu apelo cotidianamente.
- É importante aproveitar a iniciativa de socorrer as vítimas de grandes tragédias para estender esta solidariedade também àqueles que estão perto de nós.
- Atenção para o fato de podermos estar apenas tentando expiar nossa culpa ao darmos os donativos, como quem diz: Agora que já prestei ajuda, qualquer que seja, tenho a permissão de voltar a ser feliz com a minha vida de banalidades, apesar da desgraça alheia tão próxima.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oásis

Antes de começar mais uma jornada de trabalho, um grande número de funcionários civis e militares passa por ali todos os dias.
É um lugar colorido e aconchegante, onde pessoas bem-humoradas, solícitas e carinhosas recebem os clientes, contrastando com a frieza que reina em torno.
Lá, as pessoas podem saciar a sua curiosidade pelo que acontece no mundo, buscar informações, comprar livros, algumas vezes de conteúdo surpreendente e desopilar o fígado congestionado pela rotina estressante.
Antes do trabalho, quando ficarão inevitavelmente imersos numa atmosfera cinza, sem graça e fria, por conta da natureza extremamente rígida do local, podem satisfazer seu lado lúdico, enquanto folheiam revistas e livros de todo tipo.
Nesse pequeno recinto, pouco refrigerado, que inicia tão cedo suas atividades todos os dias no hospital, acontece uma alquimia muito interessante. Lá, é possível para os que têm mais sensibilidade, perceber que transmutamos as energias pesadas, adquiridas durante o trajeto até ali, num encontro sutil com almas afins, os nossos queridos jornaleiros.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Estou Lendo...

Eu Sei, Mas Não Devia, de Marina Colasanti.
Laudos Espíritas da Loucura, de Lamartine Palhano Junior.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mãos à Obra

Quanta angústia! Quanta dor se vê durante todo o tempo! Tão perto de nós! Que magnitude de destruição!
As imagens são aterradoras. O susto e quase tudo veio abaixo! Parece a carta da Torre do tarô!
As mortes, o desamparo, os ferimentos, a fome, a solidão, o abandono, os órfãos, os idosos, os deficientes, os traumatizados física e emocionalmente.
Tão perto e ao mesmo tempo tão distantes de nós, das nossas mãos para acudi-los, dos nossos olhos para lhes transmitir força, das nossas palavras de consolo, da nossa força de trabalho para lhes garantir teto, água e comida, roupas, um mínimo de condições básicas para continuarem, apesar de tantas perdas.
Muitos de nós, ou porque moram nas áreas afetadas, têm parentes por lá, fazem parte das forças de socorro público ou se dispuseram e conseguiram ir para lá ajudar, talvez não sintam essa angústia. Eles estão lidando diretamente com a desgraça e o mínimo que puderem fazer lhes traz um sentimento positivo de vitória diante do sofrimento, embora também se cansem e se fragilizem no contato com a tristeza e a dor e precisem ser substituídos por outros sujeitos compassivos, pelo menos aqueles que, exatamente por estarem ajudando na linha de frente, consigam renovar suas energias e se mantenham muito bem, uma vez que não funcionam apenas no corpo, na matéria e sim guiados pelo espírito.
Mas há aqueles de nós que têm compaixão e estão longe, assistindo pelos noticiários na tv e pelos jornais ao desenrolar dos acontecimentos. São pessoas do Rio e de outros estados do Brasil ou mesmo de outros pontos do mundo, que como já aconteceu em outras catástrofes, se mobilizam, trazem os afetados no seu pensamento durante todo o tempo e manifestam a sua compaixão e vontade de ajudar através do envio de donativos por variadas vias, torcendo para que cheguem aos desabrigados e sejam distribuídos com equanimidade. Mas, dar dos bens que possuímos, seja muito ou pouco de acordo com nossas posses e apegos, não satisfaz nessas horas. A vontade é poder estar lá, agindo ou algumas vezes apenas compartilhando a dor e apoiando os que necessitam.
Seria bom que em virtude da magnitude da catástrofe, parte dos atingidos pudesse ser trazida aqui para a cidade do Rio de Janeiro e colocada em abrigos que possibilitariam àqueles que moram e trabalham aqui e não podem se deslocar para a região serrana, prestar o auxílio que desejam, dentro das suas habilidades, aptidão e áreas de atuação profissional.
É preciso considerar que esse apoio não pode ir esmorecendo com o passar dos dias, como acontece naturalmente após a primeira mobilização, até porque o número de mortos computados deve crescer, mas, nas próximas semanas, o que se espera é o aparecimento das doenças infecciosas na população sobrevivente, o que demandará ainda mais cuidado e ajuda de todos nós.
Que essa corrente de solidariedade possa sempre se expandir, porque os tempos são de certeza de estarmos todos no mesmo barco.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Renascer das Cinzas

Renascer pressupõe morrer: morte de fato ou morte em vida, morte do ser ou de algo que se relaciona a ele. Mas sempre à morte, à polaridade vida x morte. E se há renascimento, há superação.
O ano começou com a tragédia na região serrana do Rio e agora, no fim de janeiro, passadas duas semanas do desastre, o tema renascimento me remete a estes tristes acontecimentos sob forma de oração.

Que aqueles que morreram encontrem a paz e sigam seu caminho de evolução espiritual.
Que os que perderam familiares, amigos, conhecidos ou semelhantes se conformem e continuem suas vidas para que ia renasça a esperança em sues corações.
Que aqueles que aguardam a localização dos desaparecidos na tragédia se fortaleçam a cada dia enquanto esperam a identificação do corpo, a alegria do encontro se o desaparecido estiver vivo ou a aceitação, se não puder ser encontrado.
Que o medo possa ser superado por todos com o passar do tempo e que, para isso, sempre procurem ajuda.
Que as perdas materiais sejam superadas com a ajuda daqueles que têm compaixão, com o socorro do Poder Público cumprindo seu papel com competência e decência.
Que os diretamente atingidos consigam se recuperar através do trabalho e da conformação, mas, acima de tudo, as perdas materiais sejam aproveitadas como a comprovação de que tudo é impermanente e que, portanto, a vida precisa ser vivida com responsabilidade a cada segundo, principalmente por aqueles que não foram atingidos diretamente.
Que os atingidos pela catástrofe aos poucos encontrem, dentro de si mesmos, os meios para renascer das cinzas, através da superação das perdas dos entes queridos, dos seus imóveis e bens materiais, mas, sobretudo, reavivando a esperança num futuro em que seus sonhos poderão ser reconstruídos e suas estabilidade e paz possam ser resgatadas, acrescidos da experiência de amor fraternal compartilhado nos momentos da dor.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Renascimento: Descoberta

Pedro e Maria, colegas de faculdade. Atração, desejo, descobertas, proximidade, rotina, compatibilidade. Fim de curso. Novos rumos. Saudade. Vontade de viverem juntos. Famílias próximas. Casamento. Felicidade. Primeiro filho. Primeiras dificuldades. Outro filho. Maior aproximação. Prosperidade. Afabilidade mútua. Sentimentos mornos. Mais outro filho. Retorno do carinho. Afastamento sexual. Mais trabalho. Envolvimento com filhos. Maria mais presa ao lar. Pedro mais maduro, assoberbado pelos compromissos na empresa. Rotina. Cansaço. Desinteresse mútuo. Afabilidade. Sentimentos frios. Carinho. Respeito. Ambos voltados para a criação dos filhos. A vida segue. Pedro e Maria quase nunca sós. Férias esparsas. Fins de semana cheios e voltados para a família. Não trocam mais olhares cúmplices. Não se amam mais. Pedro calado, afável, distante quase sempre. Maria ocupada, certa da felicidade familiar, segura na solidão a dois. Filhos criados. Um dia, um fato: Pedro está diferente. Quase não para em casa. Esconde, por trás do jeito sério, um sorriso quando volta. Maria repara nele e se pergunta o que há. O tempo passa. Pedro diferente, com ela ainda é o mesmo, exceto por um distanciamento corporal crescente. A dúvida: terá outra? Tudo então se acende em Maria, retornam os sentidos aguçados. Outra vez ele povoa seus pensamentos. Seus olhos buscam o de Pedro, que se esquiva. Fareja novidade, interroga-se sem resposta. Repara, procura, investiga. Maria passa a seguir Pedro. Às vezes recorda-se de que ele desejava conversar e ela adiava. Mas tudo voltou a se aquietar e a conversa ficou pra depois. O medo. De longe, Maria segue os passos de Pedro. Enfim, a descoberta: Pedro tem outro. O susto.
Atônita, arrasada, humilhada, se esquiva e volta para casa. Chora, revolta-se, reflete sobre os sinais que Pedro lhe dava e ela não enxergava. A constatação: traída pelo marido com outro homem. Seu mundo despenca, sua cabeça roda, seus olhos derramam lágrimas inesgotáveis. Dorme sozinha, curvada como um feto. Sonha e liberta-se. Acorda e o primeiro pensamento é: por que um homem? Reflete. Aceita? Passa o tempo. Pedro e Maria conversam. Ela fala, grita, interroga, desatina, chora, berra, sofre e cai até que a lucidez retorna. Sozinha, pensa nas poucas palavras de Pedro: estou seguindo meu coração e meu desejo. Esforça-se para compreender. Gosta dele, tem respeito por ele. Tenta absorver tudo aquilo. Corre o tempo. Maria entende que não é algo pessoal, é o destino dele. Aceita, finalmente, o fato: seu marido é homossexual. E ela? Por que se casou com um homossexual? Tenta entender. É um longo processo.
Separam-se sem litígio. Os filhos participam de tudo. Nada fica escondido. A verdade é íntegra. Há desequilíbrio. Há ajustes.
Agora, passados muitos meses, ainda se veem. Maria olha Pedro que agora é outro. Encanta-se, desconcerta-se. Ele é mais solto, criativo, mais pleno, mais vital. Apaixona-se. Não pelo ex-marido, mas por Pedro agora renascido, intenso, profundo, inteiro, revitalizado, feliz. Sabe que ele não é mais seu. Compreende tudo. Agradece a oportunidade que a vida lhe deu.
Parte em sua própria busca, plena de possibilidades.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro

O que dizer sobre o acontecido, quando as imagens falam por si mesmas? A única resposta é o silêncio. A dor e a noite silenciam as vozes que gostariam de gritar seu desespero diante de tão súbita e aterradora ocorrência.
Na verdade, foi um desastre anunciado há muito tempo, embora sua proporção tenha sido uma grande surpresa que ainda por cima ocorreu durante a madrugada.
Todos nós, moradores do Rio de Janeiro ou não, estamos muito abalados e o povo brasileiro tão solidário nessas catástrofes acorre imediatamente com ajuda e solidariedade.
Mas o tempo vai passar, as chuvas irão cessar, a terra vai secar, assim como o pranto, e tudo será reconstruído, não se sabe quando, até as vidas dos atingidos pela calamidade.
Tudo passará. Nada fica para sempre. Nem a felicidade nem a dor. Tudo é um ciclo que se repete e repete sempre. É a vida.
E algo tão grandioso, nos faz pensar que o momento presente precisa ser mais valorizado em toda a sua magnitude. Precisamos ficar mais atentos para o que fazemos a cada dia de nossas vidas, o quanto aproveitamos cada momento de paz, o quanto declaramos do amor que sentimos e o quanto ainda somos capazes de fazer sofrer por nossas bobagens, intransigências, orgulho e desrespeito cotidianos justamente àqueles que nos são mais próximos, para que não precisemos ser despertados em consciência por uma desgraça desta monta, capaz de nos fazer corrigir o passo na vida.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Vivendo a Diferença (Homossexualidade)

A exposição que os homossexuais tiveram a partir do aparecimento da AIDS acelerou o processo de reflexão da sociedade. Mas, trouxe com ele, relacionado ao medo, um incremento da homofobia.

Ora, se Deus é amor, não vejo como o encontro de dois seres que se amam, ainda que o objetivo não seja a procriação, possa estar em desacordo com os princípios da lei de Deus. Contudo, a hipocrisia sempre acompanhou a homossexualidade. Os homossexuais têm o direito de expressar a sua natureza, desde que não venham a constranger os outros (de acordo com os padrões de cada sociedade) com atitudes jocosas que denunciam fraqueza e tentativa de impor a sua diferença, ao invés de naturalmente se colocarem na sociedade, contribuindo para que, progressivamente, sejam vistos como pessoas normais e sujeitas, a princípio, às mesmas dificuldades de adaptação ao mundo que os heterossexuais. Cada um de nós tem o direito à livre escolha de, no seu íntimo, aceitar ou não a homossexualidade no outro (colocando seu ponto de vista claramente ou fazendo vista grossa) e em si mesmo, se for o caso (manifestando sua verdade, reprimindo a sua expressão ou ainda reagindo à sexualidade alheia). Entretanto, ninguém tem o direito de desrespeitar, hostilizar ou agredir o homossexual.
No mundo da expressão material, é difícil para cada ser viver de acordo com a verdade que vem do seu espírito, qualquer que seja seu aspecto, inclusive com relação à sexualidade. É preciso individualizar sempre e perceber que homossexualidade não implica, necessariamente, em perversão. E que os estereótipos aparecem como uma forma de se fortalecer para lutar contra a exclusão advinda do preconceito. Entretanto, indivíduos homossexuais nem sempre se desestruturam na afirmação de sua sexualidade numa sociedade que tenta reprimir o que parece diferente. Há, a cada dia, homossexuais mais harmonizados com a sua natureza, que se colocam na sociedade sem medo do desrespeito e vivem relações estáveis, equilibradas, sujeitas aos mesmos altos e baixos dos relacionamentos heterossexuais e baseadas em laços de amor onde os parceiros mostram um bom autoconhecimento, podendo prescindir de ligações juridicamente respaldadas. Mas é claro que há os homossexuais que se desestabilizam, que sofrem com o preconceito e vivem relações superficiais, o sexo pelo sexo, estando mais sujeitos a doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a AIDS (assim como ocorre com os heterossexuais), onde só a proteção no nível material (preservativos) muitas vezes é ineficiente, quando existe o desequilíbrio energético pelas experiências vividas por um espírito conturbado.

A sexualidade é assunto de grande complexidade, quando deveria ser vivenciada com simplicidade. O homossexual é um ser diferente e a aceitação da diferença, com toda a dificuldade que ela traz, começa com a autoaceitação e o respeito por si mesmo. E é pena que a noção de pecado sustentada por algumas religiões ainda consiga enfraquecer aqueles que tanto necessitam compreender a sua natureza que é inquestionável e se manifesta desde tenra idade, gerando tanta repressão e consequente frustração ainda nos dias de hoje, o que inevitavelmente leva a projeções, camuflagens e violência auto e heterodirigida.

Cada pessoa tem seu caminho de desenvolvimento espiritual, cada qual com a sua natureza. Ser homossexual não é necessariamente bom ou ruim. Apenas é. E o importante é como cada homossexual vive a sua sexualidade em todos os âmbitos de sua vida e nas relações consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com a espiritualidade.

domingo, 9 de janeiro de 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Boneca

Rostinho rosado de porcelana, os olhinhos vivos e amorosos. Vestidinho vaporoso e azul esverdeado qual água marinha. Ela me conquistou ao primeiro olhar. Era uma bonequinha que apaziguava os corações de tão delicada expressão que tinha. Seus cabelos louros, presos num pequeno coque e encimados por fita de mesma cor do vestido e do sapatinho davam-lhe uma graça especial. Mas, o que mais sobressaía nela, além do olhar era o sorriso afetuoso. Quantas crianças ela estava fadada a conquistar? E quantos adultos, de súbito, desencantariam suas porções criança, tão cotidianamente soterradas pelas demandas da vida adulta (tão ditatoriais quanto sem graça)? Com certeza, se ela fosse presenteada ao ser mais maduro, no que se refere à chatice de ter crescido, ele não poderia esconder ao encará-la a fenda por onde escaparia um quê de doçura, fantasia e espontaneidade que só as crianças sabem traduzir na expressão quando alguma coisa as encanta e arrebata. Que momento mágico aquele que permite a volta à infância no que ela teve de bom, belo, acolhedor, apaziguador em cada pessoa, apesar dos conflitos, das dores, dos tormentos que vieram depois!
A beleza é assim: tem o poder de resgatar no fundo do nosso ser aqueles tesouros que foram sendo amealhados ao longo da vida e que de tão escondidos, por vezes até mesmo o dono se esquece que os possui. E, ainda que o conceito de beleza possa variar de acordo com o observador, existe naquilo que toca fundo o coração uma tal harmonia que é universalmente percebida, não há quem esteja imune ao seu feitiço. E essa bonequinha é assim: um mimo que dá vontade da gente dar de presente pra todo mundo.