O momento atual é como cair em areia movediça. Quanto mais tento sair, mais afundo e sou coberta pela lama. São tempos cinza, sem perfume, nem mesmo ar. Não há melodia nas horas que escorrem num compasso que se mantem o mesmo, nada se cria, apenas é possível repetir, repetir, repetir. Meus olhos miram, mas não veem. A paisagem interna é de seca. Não há emoção. E sem ela, só resta ceder e afundar para sempre.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Tertúlia Virtual - O Homem no Lixo é Lixo
Numa manhã fria de um inverno mais rigoroso na Cidade Maravilhosa minha visão é atraída por uma cena patética enquanto passo de ônibus por uma área residencial pobre que retrata perfeitamente este momento no Rio de Janeiro, no mundo e dentro de cada um de nós.
O negro do homem contrasta com as sacolas plásticas brancas “indestrutíveis”: é um morador de rua que se deitou sobre um monte de lixo deixado ao lado de uma caçamba da Comlurb. Aquilo me choca e, aos poucos, a outros passageiros - que ousam enxergar fora, além da sua realidade incômoda: um coletivo lotado, em que pessoas semi-acordadas se espremem para ocupar um espaço que não existe para todos.
Não há espaço para todos e este homem sabe disso.
Sua consciência o conduziu para onde de fato estava: no lixo. Ele é o lixo da sociedade que reduz o homem.
Quantos de nós, em momentos subsequentes, em dias que se repetem, em semanas intermináveis, em meses e anos que não nos levam além da certeza de que, a cada dia, a luta para sobreviver será maior e a possibilidade de exclusão aumentará, já tiveram estes insights... Quantas vezes já nos sentimos no lixo? Nós somos o lixo a cada vez que permitimos que o homem seja visto assim, feito assim, degradado.
Ah! Como incomoda ver pelas ruas, em número cada vez maior, meninos que saem de casa expulsos pelos maus tratos e abusos e passam a viver ao relento, dormindo no chão sujo, protegidos apenas na parte superior do corpo pelas camisas ralas, imundas, que esticam e prendem até os joelhos para proteger o sexo, num frio de desproteção emocional muito maior do que o do inverno! Como nos causa repugnância quando sobem pela porta de trás dos ônibus moradores de rua drogados, sujos, fedidos, tuberculosos, tossindo sua dor na nossa cara, poluindo o já rarefeito ar dos veículos cheios de gente que volta do trabalho exausta e consome o resto de energia agarrando-se como podem aos apoios dos microônibus que solavancam sem amortecedores e com molas gastas, guiados por condutores explorados, insanos, que extravasam a raiva dos donos das empresas em demonstrações irresponsáveis de direção perigosa!
O que somos senão lixos quando, todos os dias, nos permitimos ser tratados desta forma? Que menos-valia é esta que faz com que permaneçamos impassíveis, sentados em nossos carros, quando crianças molambentas ou deficientes tentam nos vender balas ou fazem acrobacias diante de uma platéia que finge não ver, em troca de trocados que geralmente não vêm? E, nas lanchonetes, quando você, por não ter dinheiro para almoçar, pede um sanduíche barato com refresco e, na primeira dentada, tem seu braço puxado pelo moleque que, com expressão de choro e abandono, pede que lhe pague um lanche porque ainda não tomou café? Você pode ter uma boa refeição ou tem seu estômago revirado numa ânsia de vomitar toda a sua indignação com este estado de coisas, sobretudo porque é extorquido, sem opção, por impostos abusivos que equiparam, nas alíquotas cobradas, seu minguado salário aos ganhos estratosféricos de privilegiados funcionários públicos de alto escalão?
E então, refletindo sobre tantos absurdos que cada um de nós enxerga em sua área de atuação nesta sociedade todos os dias, de tantos anos que já aconteceram e na expectativa de tantos outros que virão, eu me pergunto: a atitude deste homem que se deitou hoje no lixo não foi mesmo um alerta formidável? Porque, simplesmente estando onde estava, sendo o que de fato era, nos jogou, a todos nós que o vimos de súbito, na consciência de que cada um de nós também é ele, a despeito das artimanhas que inventamos e dos disfarces que assumimos para nós mesmos quando negamos, em nossa vida, a sujeira, a dor, a pobreza, a velhice, a nossa sombra, a própria morte. Quando aceitamos a corrupção, os desmandos, a impunidade, as contradições, as safadezas, os descaramentos do poder reinante, somos o lixo que precisa urgentemente ser reciclado. É necessário conscientizar que não é possível deixar fazer aos outros, nossos semelhantes, o que não admitimos para nós.
O negro do homem contrasta com as sacolas plásticas brancas “indestrutíveis”: é um morador de rua que se deitou sobre um monte de lixo deixado ao lado de uma caçamba da Comlurb. Aquilo me choca e, aos poucos, a outros passageiros - que ousam enxergar fora, além da sua realidade incômoda: um coletivo lotado, em que pessoas semi-acordadas se espremem para ocupar um espaço que não existe para todos.
Não há espaço para todos e este homem sabe disso.
Sua consciência o conduziu para onde de fato estava: no lixo. Ele é o lixo da sociedade que reduz o homem.
Quantos de nós, em momentos subsequentes, em dias que se repetem, em semanas intermináveis, em meses e anos que não nos levam além da certeza de que, a cada dia, a luta para sobreviver será maior e a possibilidade de exclusão aumentará, já tiveram estes insights... Quantas vezes já nos sentimos no lixo? Nós somos o lixo a cada vez que permitimos que o homem seja visto assim, feito assim, degradado.
Ah! Como incomoda ver pelas ruas, em número cada vez maior, meninos que saem de casa expulsos pelos maus tratos e abusos e passam a viver ao relento, dormindo no chão sujo, protegidos apenas na parte superior do corpo pelas camisas ralas, imundas, que esticam e prendem até os joelhos para proteger o sexo, num frio de desproteção emocional muito maior do que o do inverno! Como nos causa repugnância quando sobem pela porta de trás dos ônibus moradores de rua drogados, sujos, fedidos, tuberculosos, tossindo sua dor na nossa cara, poluindo o já rarefeito ar dos veículos cheios de gente que volta do trabalho exausta e consome o resto de energia agarrando-se como podem aos apoios dos microônibus que solavancam sem amortecedores e com molas gastas, guiados por condutores explorados, insanos, que extravasam a raiva dos donos das empresas em demonstrações irresponsáveis de direção perigosa!
O que somos senão lixos quando, todos os dias, nos permitimos ser tratados desta forma? Que menos-valia é esta que faz com que permaneçamos impassíveis, sentados em nossos carros, quando crianças molambentas ou deficientes tentam nos vender balas ou fazem acrobacias diante de uma platéia que finge não ver, em troca de trocados que geralmente não vêm? E, nas lanchonetes, quando você, por não ter dinheiro para almoçar, pede um sanduíche barato com refresco e, na primeira dentada, tem seu braço puxado pelo moleque que, com expressão de choro e abandono, pede que lhe pague um lanche porque ainda não tomou café? Você pode ter uma boa refeição ou tem seu estômago revirado numa ânsia de vomitar toda a sua indignação com este estado de coisas, sobretudo porque é extorquido, sem opção, por impostos abusivos que equiparam, nas alíquotas cobradas, seu minguado salário aos ganhos estratosféricos de privilegiados funcionários públicos de alto escalão?
E então, refletindo sobre tantos absurdos que cada um de nós enxerga em sua área de atuação nesta sociedade todos os dias, de tantos anos que já aconteceram e na expectativa de tantos outros que virão, eu me pergunto: a atitude deste homem que se deitou hoje no lixo não foi mesmo um alerta formidável? Porque, simplesmente estando onde estava, sendo o que de fato era, nos jogou, a todos nós que o vimos de súbito, na consciência de que cada um de nós também é ele, a despeito das artimanhas que inventamos e dos disfarces que assumimos para nós mesmos quando negamos, em nossa vida, a sujeira, a dor, a pobreza, a velhice, a nossa sombra, a própria morte. Quando aceitamos a corrupção, os desmandos, a impunidade, as contradições, as safadezas, os descaramentos do poder reinante, somos o lixo que precisa urgentemente ser reciclado. É necessário conscientizar que não é possível deixar fazer aos outros, nossos semelhantes, o que não admitimos para nós.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Pipas
Sonhos de papel erguem-se...
Coloridos, esvoaçam a esmo,
Buscam o alto
Atados pelas linhas imaginárias
Do desejo dos meninos
Tremulam, bailam, voam...
Desenham formas audaciosas;
Mergulham na profundeza dos ares,
Misturam-se a outros no céu,
Competem pelo espaço livre
Pintam de cores vivas as tardes,
Motivam a algazarra dos moleques,
Permitem o exercício da liberdade,
Incitam às exibidas disputas
E, por fim, testemunham de cima avoadas frustrações.
Coloridos, esvoaçam a esmo,
Buscam o alto
Atados pelas linhas imaginárias
Do desejo dos meninos
Tremulam, bailam, voam...
Desenham formas audaciosas;
Mergulham na profundeza dos ares,
Misturam-se a outros no céu,
Competem pelo espaço livre
Pintam de cores vivas as tardes,
Motivam a algazarra dos moleques,
Permitem o exercício da liberdade,
Incitam às exibidas disputas
E, por fim, testemunham de cima avoadas frustrações.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
No Limite
Há algumas semanas atrás, vimos níveis de violência crescentes com várias mortes no trânsito na cidade do Rio de Janeiro. Transporte escolar irregular com motorista demonstrando dificuldades para realizar seu trabalho e acontece um acidente com vários mortos e feridos em estado grave, por provável imprudência. Uma estudante de doze anos que tenta embarcar num ônibus comum e fica presa depois que o condutor do veículo arranca, acaba morrendo debaixo da roda traseira e quando o motorista percebe entra em crise e é hospitalizado.
Esses acontecimentos mexem com a emoção de todos nós que pensamos que poderíamos estar passando pelo que estão sofrendo esses pais que perderam seus filhos. E parece tão absurdo que essas coisas aconteçam! Muitos se revoltam, outros se deprimem, outros ainda se afastam das notícias na tentativa de fugir dessa dura realidade, talvez para se protegerem, já que a vida continua e as pessoas vão prosseguir trabalhando e precisando deixar seus filhos com outras pessoas em escolas, creches e transportes.
Seria fácil encontrar culpados e descarregar a raiva nessas pessoas; exigindo que respondam pela imprudência e sejam condenadas.
Mas isso é apenas uma parte do problema que se chama a hegemonia da impunidade. Acontece em vários segmentos da sociedade e já há grande mobilização para reverter este quadro.
Entretanto, essa visão maniqueísta é simples demais para algo que é muito mais complexo. Na verdade, a maioria das pessoas, hoje, trabalha no limite da irresponsabilidade, aguentando cada vez mais pressão por parte dos empregadores que alegam estarem pressionados também por dificuldades de várias ordens, vinculadas à crise econômica atual. Isso é real, mas não justifica e é usado como desculpa cada vez mais em nosso meio.
O fato é que tudo está correndo rápido demais, o nível de estresse é cada vez maior, com maiores exigências para todos.
Dessa forma, é fundamental que cada um de nós fique atento para determinar até que ponto poderá ceder às pressões. É necessário saber quando dizer que já chega e que a partir daí não dá pra continuar. Não se pode simplesmente contar com a sorte, imaginando que não vai acontecer nada. Todos os dias assistimos nas ruas, no trabalho, nas nossas próprias casas à situações de risco que se tornaram rotineiras e, ao invés de exigirmos que as falhas sejam corrigidas para que possamos viver com um mínimo de normalidade, estamos nos acostumando a estar cada vez mais no limite, vivendo perigosamente, na corda bamba.
A resposta para lidar com as crises que se apresentam a cada dia é aumentar a nossa atenção, é ter nossa consciência cada vez mais aguçada e desenvolver a responsabilidade por nossas escolhas de cada momento. Trazer a responsabilidade para si mesmo é a única saída, até porque, quando o pior acontece ficamos mesmo sozinhos, somos nós com a nossa consciência. E aí, não há consolo que conforte.
Esses acontecimentos mexem com a emoção de todos nós que pensamos que poderíamos estar passando pelo que estão sofrendo esses pais que perderam seus filhos. E parece tão absurdo que essas coisas aconteçam! Muitos se revoltam, outros se deprimem, outros ainda se afastam das notícias na tentativa de fugir dessa dura realidade, talvez para se protegerem, já que a vida continua e as pessoas vão prosseguir trabalhando e precisando deixar seus filhos com outras pessoas em escolas, creches e transportes.
Seria fácil encontrar culpados e descarregar a raiva nessas pessoas; exigindo que respondam pela imprudência e sejam condenadas.
Mas isso é apenas uma parte do problema que se chama a hegemonia da impunidade. Acontece em vários segmentos da sociedade e já há grande mobilização para reverter este quadro.
Entretanto, essa visão maniqueísta é simples demais para algo que é muito mais complexo. Na verdade, a maioria das pessoas, hoje, trabalha no limite da irresponsabilidade, aguentando cada vez mais pressão por parte dos empregadores que alegam estarem pressionados também por dificuldades de várias ordens, vinculadas à crise econômica atual. Isso é real, mas não justifica e é usado como desculpa cada vez mais em nosso meio.
O fato é que tudo está correndo rápido demais, o nível de estresse é cada vez maior, com maiores exigências para todos.
Dessa forma, é fundamental que cada um de nós fique atento para determinar até que ponto poderá ceder às pressões. É necessário saber quando dizer que já chega e que a partir daí não dá pra continuar. Não se pode simplesmente contar com a sorte, imaginando que não vai acontecer nada. Todos os dias assistimos nas ruas, no trabalho, nas nossas próprias casas à situações de risco que se tornaram rotineiras e, ao invés de exigirmos que as falhas sejam corrigidas para que possamos viver com um mínimo de normalidade, estamos nos acostumando a estar cada vez mais no limite, vivendo perigosamente, na corda bamba.
A resposta para lidar com as crises que se apresentam a cada dia é aumentar a nossa atenção, é ter nossa consciência cada vez mais aguçada e desenvolver a responsabilidade por nossas escolhas de cada momento. Trazer a responsabilidade para si mesmo é a única saída, até porque, quando o pior acontece ficamos mesmo sozinhos, somos nós com a nossa consciência. E aí, não há consolo que conforte.
domingo, 12 de julho de 2009
O Imaginário
A realidade está vinculada ao ponto de vista do observador. Apreendemos o mundo, neste nosso estágio de evolução, utilizando, principalmente, os cinco sentidos: visão, audição, olfato, gustação e tato.
Tudo o que acontece no mundo acontece primeiro na nossa mente. Einstein disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento.
Nós atribuímos significados às imagens segundo nossos condicionamentos. Se a forma como olhamos algo nos prejudica, temos a capacidade de mudar isso a qualquer momento, já que somos nós que enterramos, no nosso inconsciente, estímulos desagradáveis. Ao olharmos a realidade por outro ângulo ela será modificada. Podemos fazer a escolha de sair do casulo condicionado. Isso é transformação.
Cada um de nós apresenta um sistema sensorial que é mais relevante na percepção do meio externo: visual, auditivo ou cinestésico, segundo a utilização na PNL (programação neurolinguística).
Sobretudo para aqueles que são mais visuais na sua forma de apreensão da realidade, o treinamento com imagens é enriquecedor. Mas, também para aqueles que “ouvem” ou “sentem”, predominantemente, o mundo que os cerca, é importante esse trabalho.
A observação de pinturas abstratas pode ser uma forma de treinamento na esfera visual, para desenvolver a capacidade de olhar por outro ângulo. Um novo olhar para determinada experiência ou ver o outro de nova perspectiva ou ainda nos vermos de uma forma diferente é transformador, muda o nosso estado.
Ao pintar um quadro, o artista coloca na tela uma visão de algo segundo seu ponto de vista, como o impressionou aquilo que tenta expressar. Pode ser algo concreto: uma paisagem, um objeto, um ser vivo ou algo abstrato. Utilizando as tintas, compõe as imagens de acordo com o seu mundo interior.
Pintar é terapêutico porque é expressão, é linguagem, permite extravasar.
O que percebemos ao olhar uma pintura é totalmente individual e um mesmo quadro poderá simbolizar algo diverso em momentos diferentes da vida do observador.
Constitui um exercício interessante olhar uma pintura e escrever sobre o que ela representa num determinado momento e reolhá-la outras vezes, sentindo como muda a perspectiva, tornando-se possível enxergar outras coisas na mesma tela. A escolha do que vê pertence sempre ao observador. É como na vida, em que escolhemos a forma como recebemos cada pessoa, acontecimento; como percebemos cada fragmento da realidade.
Trabalhando com o imaginário, podemos desenvolver a capacidade de transformação, isto é, alterar o nosso estado diante de qualquer experiência. Estar bem ou mal só depende de nós mesmos, de como vemos o mundo. Podemos, em qualquer momento, ressignificá-lo, promovendo transformação em nossa vida.
Tudo o que acontece no mundo acontece primeiro na nossa mente. Einstein disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento.
Nós atribuímos significados às imagens segundo nossos condicionamentos. Se a forma como olhamos algo nos prejudica, temos a capacidade de mudar isso a qualquer momento, já que somos nós que enterramos, no nosso inconsciente, estímulos desagradáveis. Ao olharmos a realidade por outro ângulo ela será modificada. Podemos fazer a escolha de sair do casulo condicionado. Isso é transformação.
Cada um de nós apresenta um sistema sensorial que é mais relevante na percepção do meio externo: visual, auditivo ou cinestésico, segundo a utilização na PNL (programação neurolinguística).
Sobretudo para aqueles que são mais visuais na sua forma de apreensão da realidade, o treinamento com imagens é enriquecedor. Mas, também para aqueles que “ouvem” ou “sentem”, predominantemente, o mundo que os cerca, é importante esse trabalho.
A observação de pinturas abstratas pode ser uma forma de treinamento na esfera visual, para desenvolver a capacidade de olhar por outro ângulo. Um novo olhar para determinada experiência ou ver o outro de nova perspectiva ou ainda nos vermos de uma forma diferente é transformador, muda o nosso estado.
Ao pintar um quadro, o artista coloca na tela uma visão de algo segundo seu ponto de vista, como o impressionou aquilo que tenta expressar. Pode ser algo concreto: uma paisagem, um objeto, um ser vivo ou algo abstrato. Utilizando as tintas, compõe as imagens de acordo com o seu mundo interior.
Pintar é terapêutico porque é expressão, é linguagem, permite extravasar.
O que percebemos ao olhar uma pintura é totalmente individual e um mesmo quadro poderá simbolizar algo diverso em momentos diferentes da vida do observador.
Constitui um exercício interessante olhar uma pintura e escrever sobre o que ela representa num determinado momento e reolhá-la outras vezes, sentindo como muda a perspectiva, tornando-se possível enxergar outras coisas na mesma tela. A escolha do que vê pertence sempre ao observador. É como na vida, em que escolhemos a forma como recebemos cada pessoa, acontecimento; como percebemos cada fragmento da realidade.
Trabalhando com o imaginário, podemos desenvolver a capacidade de transformação, isto é, alterar o nosso estado diante de qualquer experiência. Estar bem ou mal só depende de nós mesmos, de como vemos o mundo. Podemos, em qualquer momento, ressignificá-lo, promovendo transformação em nossa vida.
sábado, 11 de julho de 2009
Reflexão
Caso nos fosse proposto usar um sofá como instrumento terapêutico, para onde seriamos orientados a nos dirigir e agir, ressignificando uma situação problemática, ora deveríamos fazer dele um trampolim para representar o salto que a capacidade que a capacidade de lidar com o problema criando novas habilidades geraria. Outras vezes, quando os condicionamentos adquiridos nas vivências do passado nos impedissem de avançar, o jeito seria fazer dele um local para repousar, deixar a situação evoluir livremente dentro de nós até que uma atitude de nada fazer, apenas esperar, nos trouxesse a luz e a energia necessárias para a transformação e o crescimento.
Estou Lendo...
Aprendendo a Viver, de Clarice Lispector.
A Dieta do Yin e do Yang, de João Curvo.
O Livro Orange, de Osho.
A Dieta do Yin e do Yang, de João Curvo.
O Livro Orange, de Osho.
Refletindo
Lagoa tranquila refletindo meu rosto
Que crispado pela dor se desfigura
Em máscara encobrindo a candura
Daquela que sofre do mundo o desgosto.
Quisera olhar agora o mar revolto
Levando para longe o desespero
De quem na vida experimenta o desterro
Por sentir-se ainda parte desse mundo louco.
Que crispado pela dor se desfigura
Em máscara encobrindo a candura
Daquela que sofre do mundo o desgosto.
Quisera olhar agora o mar revolto
Levando para longe o desespero
De quem na vida experimenta o desterro
Por sentir-se ainda parte desse mundo louco.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
O Meu Guri - Chico Buarque
Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
Acontecimentos
Os acontecimentos na vida dos homens não representam prêmios ou castigos. Antes, refletem as escolhas que continuamente se fazem necessárias, sendo somente consequências delas.
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