Muitos dos que te
convidam para a liberdade têm escondidas as mãos algemadas e, nelas, as algemas
destinadas a ti.
terça-feira, 16 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Juliana Mynssen: "O dia em que a Presidenta Dilma em 10 minutos cuspiu no rosto de 370.000 médicos brasileiros."
Há alguns meses eu fiz um plantão que chorei. Não contei à ninguém (é nada fácil compartilhar isso numa mídia social). Eu, cirurgiã-geral, "do trauma", médica "chatinha", preceptora "bruxa", que carrego no carro o manual da equipe militar cirúrgica americana que atendia no Afeganistão, chorei.
Na frente da sala da sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado na parede num prego similiar aos que prendemos plantas (diga-se: samambaias). Ao seu lado, seu filho. Bem vestido. Com fala pausada, calmo e educado. Como eu. Como você. Como nós. Perguntava pela possibilidade de internação do seu pai numa maca, que estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. Esperou, esperou, e toda vez que abria a portinha da sutura ele estava lá. Esperando. Como eu. Como você. Como nós. Teve um momento que ele desmoronou. Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse "não é para mim, é para o meu pai, uma maca". Como eu faria. Como você. Como nós.
Pensei "meudeusdocéu, com todos que passam aqui, justo eu... Nãoooo..... Porque se chorar eu choro, se falar do seu pai eu choro, se me der um desafio vou brigar com 5 até tirá-lo daqui".
E saí, chorei, voltei, briguei e o coloquei numa maca retirada da ala feminina.
Já levei meu pai para fazer exame no meu HU. O endoscopista quando soube que era meu pai, disse "por que não me falou, levava no privado, Juliana!" Não precisamos, acredito nas pessoas que trabalham comigo. Que me ensinaram e ainda ensinam. Confio. Meu irmão precisou e o levei lá. Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos.
Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no meu hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: "e você confia?".
"Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim."
Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor. Aprendo, cresço, me torna humana. Se tenho dívidas, pago-as assim. Faço porque acredito.
Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor.
Briguei pelo filho do paciente ajoelhado. Por todos os meus pacientes. Por mim. Por você. Por nós. O SUS é nosso.
Não tenho palavras para descrever o que penso da "Presidenta" Dilma. (Uma figura que se proclama "a presidenta" já não merece minha atenção).
Mas hoje, por mim, por você, pelo meu paciente na cadeira, eu a ouvi.
A ouvi dizendo que escutou "o povo democrático brasileiro". Que escutou que queremos educação, saúde e segurança de qualidades. "Qualidade"... Ela disse.
E disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil....
Para melhorar a qualidade....?
Sra "presidenta", eu sou uma médica de qualidade. Meus pais são médicos de qualidade. Meus professores são médicos de qualidade. Meus amigos de faculdade. Meus colegas de plantão. O médico brasileiro é de qualidade.
Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade.
O dia em que a Sra "presidenta" abrir uma ficha numa UPA, for internada num Hospital Estadual, pegar um remédio na fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos.
Não cuspa na minha cara, não pise no meu diploma. Não me culpe da sua incompetência.
Somos quase 400mil, não nos ofenda. Estou amanhã de plantão, abra uma ficha, eu te atendo. Não demora, não. Não faltam médicos, mas não garanto que tenha onde sentar. Afinal, a cadeira é prioridade dos internados.
Hoje, eu chorei de novo.
Na frente da sala da sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado na parede num prego similiar aos que prendemos plantas (diga-se: samambaias). Ao seu lado, seu filho. Bem vestido. Com fala pausada, calmo e educado. Como eu. Como você. Como nós. Perguntava pela possibilidade de internação do seu pai numa maca, que estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. Esperou, esperou, e toda vez que abria a portinha da sutura ele estava lá. Esperando. Como eu. Como você. Como nós. Teve um momento que ele desmoronou. Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse "não é para mim, é para o meu pai, uma maca". Como eu faria. Como você. Como nós.
Pensei "meudeusdocéu, com todos que passam aqui, justo eu... Nãoooo..... Porque se chorar eu choro, se falar do seu pai eu choro, se me der um desafio vou brigar com 5 até tirá-lo daqui".
E saí, chorei, voltei, briguei e o coloquei numa maca retirada da ala feminina.
Já levei meu pai para fazer exame no meu HU. O endoscopista quando soube que era meu pai, disse "por que não me falou, levava no privado, Juliana!" Não precisamos, acredito nas pessoas que trabalham comigo. Que me ensinaram e ainda ensinam. Confio. Meu irmão precisou e o levei lá. Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos.
Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no meu hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: "e você confia?".
"Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim."
Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor. Aprendo, cresço, me torna humana. Se tenho dívidas, pago-as assim. Faço porque acredito.
Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor.
Briguei pelo filho do paciente ajoelhado. Por todos os meus pacientes. Por mim. Por você. Por nós. O SUS é nosso.
Não tenho palavras para descrever o que penso da "Presidenta" Dilma. (Uma figura que se proclama "a presidenta" já não merece minha atenção).
Mas hoje, por mim, por você, pelo meu paciente na cadeira, eu a ouvi.
A ouvi dizendo que escutou "o povo democrático brasileiro". Que escutou que queremos educação, saúde e segurança de qualidades. "Qualidade"... Ela disse.
E disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil....
Para melhorar a qualidade....?
Sra "presidenta", eu sou uma médica de qualidade. Meus pais são médicos de qualidade. Meus professores são médicos de qualidade. Meus amigos de faculdade. Meus colegas de plantão. O médico brasileiro é de qualidade.
Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade.
O dia em que a Sra "presidenta" abrir uma ficha numa UPA, for internada num Hospital Estadual, pegar um remédio na fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos.
Não cuspa na minha cara, não pise no meu diploma. Não me culpe da sua incompetência.
Somos quase 400mil, não nos ofenda. Estou amanhã de plantão, abra uma ficha, eu te atendo. Não demora, não. Não faltam médicos, mas não garanto que tenha onde sentar. Afinal, a cadeira é prioridade dos internados.
Hoje, eu chorei de novo.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O Eremita
O Eremita - Felix Schmidt (Organizador)
É
um livro muito instrutivo sobre a iniciação espiritual, contada em detalhes por
um alemão que depois da guerra franco-prussiana, da qual participou sendo
ferido gravemente, resolve largar o trabalho em seu país e viajar para as
montanhas do Himalaia e outros locais longínquos para se curar dos ferimentos. Lá encontra mestres especiais e se dispõe a
rigoroso aprendizado até concluir seu discipulado num mosteiro da Fraternidade
Branca. Finalmente retorna e se torna um
fazendeiro incógnito nos Estados Unidos que se dispõe a relatar suas vivências
num periódico em jornal local especializado.
O
texto é claro, com fatos surpreendentes que convidam e possibilitam ao leitor
uma expansão de consciência, refletindo sobre o que realmente importa nesta
vida. Os relatos são ricamente
desenvolvidos, permitindo acompanhar todo o seu processo de iniciação, dando
acesso ao leitor a questões importantíssimas referentes à evolução humana.
É
um livro indispensável para todos que desejam aumentar o contato com sua porção
imaterial e buscar a iluminação.
domingo, 30 de junho de 2013
Hermógenes
Olhos preparados para ver
beleza sempre a encontram.
Olhos que não a querem sempre estão a negar que ela exista.
Olhos que não a querem sempre estão a negar que ela exista.
sábado, 29 de junho de 2013
A Vida de Helena Blavatsky
A Vida de Helena Blavatsky - de A.
P. Sinnett
Este livro é notável, não só porque parece ter sido
escrito como um tributo à personalidade ímpar da biografada, como também porque
funciona como documentário extremamente responsável, um perfeito registro
histórico de sua vida e, por sua importância, de um momento fundamental no
surgimento dos fenômenos extrafísicos como assunto de interesse mundial e para
fins de estudo. O livro é fiel aos depoimentos de familiares de Blavatsky e
recupera o conteúdo de cartas trocadas não só com as irmãs como também com
várias personalidades da época, em diversas áreas de atuação (arte, medicina,
letras etc.) como ainda com seus mais notáveis mestres no caminho evolutivo. Não há como considerar a biografada sem
paixão depois de ler esta obra que a retrata em toda sua excentricidade e
paranormalidade. O aprendizado, com a leitura da trajetória de Blavatsky é
inegável. Mas, para mim, o maior mérito do livro é apresentar ao leitor os
fatos para que cada um possa fazer sua avaliação sobre sua estranha e notável
personalidade e mostrando a vida dela de forma imparcial, Sinnett presta um
serviço fundamental defendendo-a das calúnias de gente medíocre, incapaz de
acompanhar as mudanças, lidar com o novo e considerar o que, em dado momento, pode
ser inexplicável. Ótimo livro, ótimo
autor.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Hermógenes
Por uma lei infalível,
cada um responde por seus atos, atraindo para si o bem ou o mal, a
bem-aventurança ou a amargura, o riso ou o pranto, como consequência exata e
justa...
É sábio nunca esquecer
isto, pois estamos sempre a atuar enquanto a vida durar.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Hermógenes
Ali está uma pedra. E eu
a estou vendo.
Enquanto houver um eu vendo, e uma pedra sendo vista, haverá ilusão.
Enquanto houver um eu vendo, e uma pedra sendo vista, haverá ilusão.
Quando o eu, a pedra
e o ato de ver formarem um só, então a ilusão se desfará e a Realidade
será.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Hermógenes
Não apares as ondas de
peito aberto e pé atrás.
Quando vier a onda,
mergulha ou mantém-te na crista, e vai até a praia, com a cabeça de fora.
Assinar:
Postagens (Atom)
