terça-feira, 13 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

As Três Crianças

.

Cada um de nós, inevitavelmente, estará, ao longo de sua existência, em contato com três tipos de criança. E se ignorar uma delas, não conseguirá sentir-se pleno. É um engano imaginar que somos diferentes nesse aspecto pelo fato de termos filhos ou não, de nossa condição econômica ou psicológica.
Essas crianças precisam ser alimentadas, indiscriminadamente, por cada um de nós.
Se temos ou não temos filhos, não importa. Se optamos por não tê-los ou se não pudemos gerá-los, se adotamos alguma criança ou não concordamos em fazê-lo, de alguma forma teremos crianças por perto na família, de amigos, de vizinhos, no trabalho ou mesmo em alguma instituição à qual podemos nos filiar. Essas são crianças diretamente ligadas a nós, de quem podemos saber os nomes e detalhes da vida. Elas precisam do nosso cuidado, orientação, do nosso olhar e da nossa atitude.
O segundo tipo são aquelas crianças ligadas a nós de forma indireta. Não conhecemos suas identidades nem muitas coisas da sua história, mas as vemos jogadas pelas ruas, com fome, prostituídas, vítimas das drogas, dos abusos ou esquecidas em orfanatos esperando, indefinidamente, por adoção. Também são crianças fotografadas e filmadas em outras terras, protagonizando documentários sobre os horrores da miséria, da guerra, das desigualdades sociais, espalhadas pelo mundo. Elas necessitam do mínimo que pudermos fazer por elas, através do nosso trabalho, da nossa denúncia, indignação, nossas ações cívicas ou globalizadas.
E a terceira categoria de crianças existe dentro de cada um de nós. Elas precisam, urgentemente, do nosso resgate, por meio do reconhecimento de que existem, dos cuidados que devem ser a elas dirigidos para que desenterremos sua história, as recuperemos e permitamos que ganhem vida outra vez. E assim, através de cada um de nós renascido e renovado, possam ser responsáveis pela melhora desse mundo e evolução da humanidade.
Desejo que neste dia das crianças, todos nós possamos ter a oportunidade de refletir e nos deixarmos acercar por essas três espécies de criança, nem que seja só através da imaginação e sermos capazes de dirigir a elas um sorriso grandioso de acolhimento.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ampliação de Consciência

Quando meu olhar escapa de mim, existe uma chance de acalmar minha aflição. É que por paradoxal que possa parecer, o que me aflige no que observo, nada mais é do que um reflexo de mim naquilo que me cerca. Assim, para que a miséria, a fome, a degradação da condição humana, a dor, a doença, o desequilíbrio, o caos e tudo que me provoca incômodo, não tenham mais esse efeito devastador, é necessário me colocar como mero observador, alcançar o caráter balsâmico do distanciamento. É preciso discernir bem, através da vivência e da conscientização o real sentido do egoísmo, da compaixão, da indiferença e da capacidade de observar mantendo-se distanciado (misturando-se, mas guardando a individualidade e integrando-se ao todo com a consciência de que tudo tem um sentido e segue seu curso na roda da existência).

sábado, 10 de outubro de 2009

O que tiver de ser será

O que tiver de ser será.
Inútil resistir e espernear. Faça a sua parte.
Só o que puder e estiver ao seu alcance.
Onde é que isso vai dar?
Aí já é outro lance...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conselho

Se tiver que aceitar imposições, faça o que puder e estiver ao seu alcance, antes de chegar onde, certamente, deseja aquele que as provocou.
Entretanto, atente para determinadas situações em que melhor seria, para não desperdiçar energia, ceder prontamente.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Leonard Wolf e o Ofício do Artista

Não pinte abstrato antes de saber desenhar a figura. Você só poderá quebrar a forma com sucesso se a tiver dominado. A estrutura é a base, depois poderá brincar com ela ou afastar-se dela ao mesmo tempo. Tem de conhecer seu ofício: na pintura ou na escrita.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rio 2016


Lá se vai o tempo em que eu tinha a preocupação de ser politicamente correta. Agora, que já passei dos 50, fico muitíssimo feliz em emitir minha opinião, por mais esdrúxula que pareça. E fico rindo por dentro, se minha verdade irreverente (já que ando quase sempre na contramão) choca os mais comportados, ainda que muitos deles talvez, no fundo, compartilhem das minhas ideias.
Assim, deixem-me confessar que depois da votação em Copenhagen, gritei a plenos pulmões: VIVA O BRASIL! BRASIL! BRASIL! BRASIL! Não que eu tenha qualquer interesse em esportes. Não mexo um músculo por nada, a não ser que tenha alguma utilidade outra que definir o corpinho, competir ou vibrar na torcida por qualquer competição. E, com toda esta preguiça, pra manter a saúde uso outras formas de exercitar o corpo e a mente.
Na verdade, não estou nem aí para futebol, Olimpíadas, Pan-Americanos, Copa do Mundo e correlatos. Mas gritei Brasil mesmo. E não foi por orgulho de ser brasileira, já que me considero cidadã do mundo e o que acontece por aqui, tirando a natureza e o coração das pessoas de bem, não motiva isso. Foi por pura esperança.
É que sou uma trabalhadora HONESTA e assim, depois de estar quase me aposentando, ainda preciso andar de ônibus. Daí, que se fizerem um décimo do que estão prometendo para o setor de transportes, quem sabe as coisas melhorem e eu não vou precisar mais ficar escrevendo aqui no blog aqueles textos carregados de indignação e revolta conclamando as pessoas (que, aliás, não aderiram ao meu movimento) a chamarem a atenção das autoridades no sentido de darem à população do Rio condições mais humanas de ir e vir.
.

domingo, 4 de outubro de 2009

Leonard Wolf e o Escrever

Há milhões de pessoas talentosas que querem “escrever”. A principal diferença entre elas e os escritores verdadeiros não é talento; é que os verdadeiros escritores se sentam todos os dias e põem palavras no papel. Não há como revisar uma página em branco. Continue tentando, você vai conseguir.

sábado, 3 de outubro de 2009

Henry Thoreau e o Olhar

O mesmo sol que matura meus feijões ilumina imediatamente um sistema de terras como a nossa... Esta não era a luz em que os cultivei. As estrelas são os vértices de triângulos maravilhosos! Que seres distantes e diferentes nas várias mansões do universo estão contemplando a mesma coisa no mesmo momento! A natureza e a vida humana são tantas quantas as nossas diversas constituições... Poderia existir milagre maior para nós do que olhar através dos olhos dos outros por um momento?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Nosocômio, Hospício ou Será um Circo?

Chegando cedo para trabalhar, num tradicional hospital militar que, há alguns anos, mais parece um quartel, surpreendo-me a observar algo que é muito evidente para quem se dispuser a enxergar.
Passo pela portaria pequena, onde há pelo menos cinco militares de prontidão, dois deles apenas para tomar conta dos funcionários que chegam para trabalhar. A julgar pelas suas aparências, estão sempre de mau-humor e com um jeito ameaçador (também, o que poderíamos esperar de quem já acorda para fazer um trabalho tão relevante e criativo desses?). Mais adiante, vejo perfilada outra legião de militares, homens e mulheres que dispensam pelo menos trinta minutos preciosos dos seus dias para saudar de forma histérica o diretor quando chega, faça sol ou chuva. Todos eles igualmente tensos, com caras de poucos amigos e vejo que um deles, de patente mais alta, fica destacado, próximo ao ponto onde irá estacionar o carro que traz a ilustre figura do militar comandante. Este então, traz na fisionomia todo o peso e humilhação da tarefa diária a que deve se submeter por imposição da hierarquia.
Sigo estupefata, rindo por dentro de pensar que quanto menor a substância, maior a empáfia, quando percebo que existe ainda um outro militar ao lado de um cone, que permanece por horas a fio, de pé, apenas para impedir que carros que não pertençam à cúpula da direção atravessem. Este mostra sinais evidentes de cansaço e desalento, já a esta hora da manhã.
E enquanto os dirigentes dessa casa se importam somente com detalhes de limpeza e apresentação das fachadas e tratam como cachorros ou bandidos os seus funcionários, para encobrir as falhas de administração gritantes, calamitosas, que trazem um risco cada vez maior para os seus usuários que imaginam ter um bom plano de saúde, nada melhora para aqueles que são lúcidos, bons profissionais, têm responsabilidade e ética. E, por incrível que possa parecer, é sempre capaz de piorar com a evasão crescente de profissionais, sucateamento de equipamentos e deficiência de materiais de consumo básicos.
E cresce o número de óbitos a cada dia, enquanto nas reuniões a cúpula alardeia falsamente, que este hospital só tem qualidades e padrão classe A no atendimento.
Finalmente, encontro com uma figura sorridente, cheia de disposição, carregando mangueiras, pás, ancinhos e uma foice apoiada com o pescoço, que me cumprimenta efusivamente e segue com entusiasmo para trabalhar de verdade, já que os jardins desse lugar constituem a única beleza e espelham a ordem da natureza. Os demais funcionários continuam, tristemente, encenando as suas farsas cotidianas, uma vez que é difícil coadunar compaixão, espírito científico e ética com hierarquia.