terça-feira, 14 de abril de 2009

Mágica no Cotidiano

Saí de casa hoje decidida a enxergar além daquilo que definimos como realidade. Seria um desafio, eu bem sabia, tanto que nos acostumamos a acreditar em tudo que conseguimos perceber com nossos parcos cinco sentidos, já que a maioria de nós não desenvolveu outros. Só que eu tenho sido informada, repetidamente, nos últimos anos, por fontes variadas, de que a realidade é pura ilusão e o que é de fato real está além disso e até podemos participar de sua criação, já que não existe realidade sem um observador. Apesar de parecer complicado, resolvi experimentar como funcionava.
Como ainda era aprendiz, seria prudente ir aos poucos, considerando uma coisa de cada vez, o que, em si, já seria um paradoxo, uma vez que a realidade é sentir-se integrado ao Todo, mas como nosso condicionamento foi apreender a realidade em partes separadas, o que é pura ilusão, achei melhor desta forma, pelo menos no início.
Hoje eu me ocuparia de olhar para as pessoas que passassem por mim. Quantas coisas enxerguei quando me permiti não limitar o sentido da visão. Ele se expandiu, captando além da imagem que os olhos, do ponto de vista anátomo-funcional (rsrs).
Assim foi que logo no elevador dei de cara com o vizinho do décimo andar e percebi que por trás da expressão de homem bem acordado, cheio de disposição e afabilidade no trato, havia alguém deprimido que desejava ter permanecido na cama e extremamente raivoso, tinha cara de poucos amigos.
Na rua, esbarrei com um menino deitado no chão frio, sob neblina, encolhido e sem coberta. Mas era pura ilusão a impressão de sofrimento que ele me passou: olhando bem, ele dormia sossegado, sua alma tranquilamente aguardava que abrisse os olhos para um novo dia sem expectativas e, naquele momento, as ações externas eram incapazes de fustigar seu corpo físico, já que ele (o menino) não se identificava com ele (o corpo).
Logo adiante parei para esperar meu ônibus e qual não foi minha surpresa quando, ao mirar outros coletivos que passavam, o que vislumbrei foram enormes carros de circo com suas gaiolas apinhadas de animais presos que desfilavam diante dos transeuntes em cada cidade onde chegavam para fazer espetáculos.
Desta forma concluí que a realidade de fato é plástica, bastando sermos co-criadores para nos divertirmos à vontade.

Temperança

Orgulho trava,
Traz dificuldades.
Siga com amor.

Paixão esquenta.
Causa brigas, confusão.
Amor serena.

A mente traz luz.
Ordena a confusão.
Use a razão.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Emprego Público

Segunda-feira! Cruz credo!
Não tenho vontade de acordar.
Logo volto praquela gaiola,
Onde, todo dia, eu vou trabalhar.

É que é um lugar nojento:
É só mofo e umidade.
De fora, vem cheiro de lixo
E é palco de iniquidades.

Sempre bate uma depressão,
Quando a semana recomeça.
Fazer um trabalho criativo
É o que menos interessa.

Prossigo tentando fazer
Limonada suíça de limão podre.
Fica difícil de entender
Juntar incompetência, sandice e mente torpe.

É que a administração é tão falha
Que dá nojo e revolta em quem trabalha.
E o que nos mantém neste tédio escabroso,
É mais que necessidade, é consciência do direito do povo.

Então do serviço público não saio.
Morro reclamando até que isto mude.
São quase trinta anos lutando contra o descaso,
Sem acomodação, não cedendo ao crime impune.

Há de um dia aparecer
Gente que nunca se esqueça
Que o melhor no trabalho
É ter qualidade e destreza.

Pois fazendo o que se sabe,
Aquilo que é nossa missão,
A alegria transborda logo,
Aquecendo o nosso coração.

E isso é que leva à saúde,
À alegria e à paz também.
Pois quando trabalhamos de fato
Não estamos fazendo favor a ninguém.

É preciso manter a qualidade,
Ter consciência e amor na profissão.
É a única coisa capaz de ajudar
A reverter tamanha adulteração.

domingo, 12 de abril de 2009

Feliz Páscoa!

Amigos do Duelos
Feliz Páscoa pra vocês!
Que hoje tudo seja belo.
A sua vida começa outra vez...

Que cada coração
Se encha de amor e de paz,
Acendendo a esperança
E brilhe sua luz ainda mais.

Que seja um dia de compartilhar,
De dar amor e perdoar,
Trocar presentes e gentilezas,
Fazendo a alegria extravasar.

Façamos juntos um mundo melhor
Onde os sonhos bons se realizem.
Que cada um encontre o seu lugar
E assim todos se harmonizem.

Ofensa

Há quem chegue tão alto, de tal celebridade, que considere ofensa ser interpelado por um cidadão comum. Procurarei não ofender, mas alguém assim deve elevar sua alma o quanto antes.

O Significado da Páscoa

O homem, por natureza, lida constantemente com símbolos. E compreender conexões inconscientes que se manifestam no dia a dia pode ser libertador.
A Páscoa é mais uma data importante, carregada de significados, dentro da cultura judaico-cristã.
Em última análise, o que seria a Páscoa, por que é simbolizada pelos ovinhos que se oferecem de presente? Simboliza o nascimento de Jesus, na verdade o renascimento, é a ressurreição. Oferecemos nesta data, então, para aqueles que amamos, a perspectiva do espiritual. Pois se há ressurreição, se Cristo morreu na cruz para nos salvar do pecado, que pecado seria este? É o pecado da separação, do homem ter esquecido sua natureza espiritual.
Quando Cristo morre, vitimado por danos inflingidos ao seu corpo físico, a matéria, e depois renasce, ele mostra ao homem que temos a capacidade de transcender a matéria, de sermos ilimitados, porque somos seres de luz. Ele nos religa ao mundo espiritual. A Páscoa é uma reafirmação de que há possibilidade de sermos ilimitados, de escaparmos das prisões do mundo físico, que temos uma porção espiritual dentro de nós e que se focalizarmos nesta nossa porção, teremos a bem-aventurança, seremos a imagem da perfeição. E essa luz em nós é o amor. A Páscoa é o momento de expressar o amor, de sentir o amor dentro de si e espalhar este amor, presenteando o semelhante. E isto é bem simples. E amor é profundidade, é mansidão, é serenidade, é paz, é simplicidade.
Mas o homem, para compreender esta simbologia, precisa voltar-se para dentro, sentir tudo isto dentro de si. E nesta época, isto clama dentro dos homens. Só que hoje, parece que tudo está deturpado e o que existe é um sentido de premência, uma necessidade nervosa de alcançar este algo indefinível, e as pessoas acabam buscando fora, alimentando uma neurose que os faz extrapolarem em atitudes desequilibradas e insanas que os levam a uma ressaca triste na semana seguinte. É que as culpas são mobilizadas e até mesmo encorajadas, tendo seu ponto alto na Sexta-feira da Paixão, sendo o domingo de Páscoa a coroação, o êxtase, a libertação da tristeza, a explosão numa alegria momentânea, muitas vezes forçada ou inexistente e pela qual se paga um preço muito alto.
O que vemos nas grandes cidades principalemente, é uma correria na compra dos ovos de chocolate, pagando-se preços exorbitantes por ovos enormes, especiais, de griffe, para simbolizar, no fundo, o amor que quer dedicar a alguém especial, e que na verdade não carece de nada disso. Melhor seria fugir do atropelo das lojas e usar este tempo para estar perto de quem gostamos, aproveitando os dias de feriado e refletindo sobre o verdadeiro significado da Páscoa. Oferecer um presente nesta data é válido, mas ceder aos apelos do externo, da propaganda, sem ao menos entender o significado e continuar experimentando aquela sensação de vazio depois, é insanidade. E piores ainda são as consequências nas vidas dos que estão totalmente desarvorados e das suas vítimas. É que, como no Natal, no Dia das Mães, Dias dos Pais, Dia dos Namorados, a pressão feita na mídia leva ao aumento de crimes na cidade, para obter os recursos que irão permitir que os menos favorecidos possam também entrar nesta ilusão. Vemos nos noticiários, desde a semana anterior, pessoas sendo presas em assaltos e na expressão de seus rostos notamos claramente que são novatos nesta atividade, desesperados, com fome de amor, que esperavam obter arriscando-se na loucura de um sacrifício desmedido para conseguir dinheiro para, como todo mundo, fazer sua média junto à família e a seus objetos de amor. E incluído aí também está o aumento das blitzs feitas na cidade na semana que antecede estas festas.
E o que sobrevém na semana seguinte? O que encontramos no rescaldo?
São postos de saúde lotados de pessoas (principalmente as crianças) que se excederam, com quadros digestivos, alérgicos e vasculares. São cartões de crédito estourados. São pessoas cansadas, desanimadas em recomeçar a semana, de ressaca. São postos policiais registrando aumento de ocorrências. E tudo isso acontece porque foi pervertido o sentido da Páscoa.
Que um dia haja clareza, que as pessoas possam se aprofundar e refletir sobre o significado desta comemoração. Que consigam manifestar o amor, resgatar o lado espiritual e acender no outro esta possibilidade também. Que possamos oferecer a quem amamos um sorriso, uma gentileza, um presente singelo, apenas atenção, qualquer coisa que expresse nosso sentimento, nos permitindo ir muito além do chocolate e do bacalhau.

sábado, 11 de abril de 2009

Mais Polêmica

A questão do aborto, é preciso que fique bem claro, não envolve a decisão da mulher apenas, embora seja ela que se responsabilize por efetuar a escolha e efetivar a decisão tomada. O pai está diretamente envolvido, apesar de muitas vezes nem tomar conhecimento da gravidez e outras vezes se omitir da definição do destino da criança. Outras pessoas da família, amigos, pessoas que atuam em unidades de saúde ou ligadas à Justiça e mesmo pessoas anônimas cuja voz se faça ouvir pelos diretamente envolvidos neste momento, podem ter atuação decisiva na escolha que é feita. E todos representam, no fundo, a vontade de Deus. Este Deus, que faz parte de nós, não precisa ser convocado para a misericórdia da mulher quando ela está numa situação-limite, em que é difícil escolher. Só é necessário que possa ter um pouco de sossego para se conectar com o seu interior e captar, através do sentimento, ouvindo a voz da intuição, a resposta com a melhor decisão para ela, naquele justo momento de sua evolução. E como, se acreditamos que há um Deus, Ele é perfeição e tudo ocorre da melhor forma, se a pessoa escolhe fazer o aborto e isso se manifesta na vida dela, por exemplo, conseguindo dinheiro emprestado com alguma amiga, arranjando um lugar onde possa realizar o procedimento e, depois se recuperando fisicamente ou não e registrando a paulada no emocional, seguindo o seu processo evolutivo, isto ocorre porque na perfeição do plano divino, este evento fazia parte do seu aprendizado e ela e todos os envolvidos serão responsáveis pela escolha que fizeram. E não cabe a nenhum de nós julgar a quem quer que seja, nem a nós mesmos. Tudo é aprendizado, desde que se aproveite bem a experiência. E, para que possamos refletir profundamente sobre estas questões, é preciso já ter passado por elas ou colocar-se no lugar de quem passa, como semelhante, possibilitando a total compreensão e não apenas usando dogmas como escudo, numa demonstração de rigidez e embotamento.
Além do mais, quando alguém perde um filho na gravidez ou no pós-parto, por não estar em condições de mantê-lo naquele ponto de sua vida, isto pode vir manifestado como um aborto (seja por dificuldade financeira, preconceito, produto de estupro, gravidez de alto risco tipo cardiopatias graves ou lupus eritematoso ativo) ou como um tombo, um problema orgânico agudo, uma doença crônica durante a gravidez como hipertensão e diabetes ou mesmo como uma malformação, que poderão culminar com a morte do concepto. Tudo isso estará refletindo também o plano divino.
Outro ponto importante a destacar é que não só a mãe que aborta sofre as conseqüências da sua escolha e deve ser tratada no sentido de limpar os estragos da culpa, mas também o pai que participa na escolha e mesmo as pessoas da família que estão mais próximas.
Ninguém faz uma escolha dessas sem sofrer e os que estão em volta devem sim ajudar a diminuir os efeitos deletérios e proporcionar todas as opções de segurança, cuidado e expressões de amor quando, infelizmente, é preciso optar e se escolhe o aborto, enfim legalizar e dignificar algo que afinal, paradoxalmente, faz parte da vida.

House

Vou ver o House
Adoro seu cinismo
Inteligente

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ofensa

Alguém de tão alto valor talvez chegue a se ofender com esta sua conduta. Eu procurarei elevar o nível e não lhe fazer qualquer ofensa na resposta, pois não sou uma alma deste quilate.

Compasso de Espera

Estou em compasso de espera. Parece que nada se move do lado de fora. E por dentro, o sentimento é de estagnação. Talvez porque antes, tantas transformações, tantas desconstruções e retomadas tenham feito com que eu me acostumasse a caminhar rápido e hoje, quando o trecho é mais fácil, eu estranhe e me sinta paralisado.
Não quero que se abatam sobre mim tragédias, nem que seja sacudida pelos vendavais emocionais de antes, mas, ao mesmo tempo, gostaria de avançar um pouco mais.
Só que nada se mexe, encontro-me emaranhada numa teia de impedimentos que me força a aguardar e só aguardar. Eu, que por natureza, sou livre, impulsiva e ansiosa. Talvez o aprendizado seja exatamente ter paciência, caminhar segura pelo escuro, confiar, não me deixar levar pelo torvelinho de fora, identificada com ele, e repousar na paz interior, no sossego do contato com o Eu.
E meu eu, que é tão euzinho, tão despreparado, que assusta e se deixa ofuscar pela luz da totalidade, continua tremendo de expectativa. Eu, que ainda não consigo mergulhar mais fundo, nem me deixar levar pela corrente da Vida, sem tentar braçadas que logo se mostram impotentes em me levar para outra direção que não aquela que devo seguir.
É que ainda só vislumbro a possibilidade de viver a realidade, de enfim, me conectar com o Eu, o interior, definitivamente.