domingo, 19 de setembro de 2010

Desejos

Pintura: "Desejos"
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Mar tormentoso é o desejo
Que faz do homem o que bem quer.
Se ele cede a um só lampejo
Mais que um escravo não é.

Quem dentre vós já escapou
Surrado pelas águas desse mar?
Da razão nada sobrou.
- Sob domínio do desejo, é certo naufragar.

Ainda que sereno ele se mostre,
Fatal que se apresente em profundeza
Irreconhecível, imenso, a própria morte,
Quando expressa a verdadeira natureza.

O homem só é senhor do seu destino
Naquilo que não concerne à paixão,
Pois nas garras dessa loba é um menino.
- Coração cravado sem perdão.

Tão humano é esse sentimento
Que cumpre a cada um se perguntar:
Elevar-se em espírito é despir-se do desejo?
Ou será amar e diluir-se nesse mar?

domingo, 12 de setembro de 2010

As Flores do Caminho

Pintura: "Harmonia"
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Destino não é condenação obrigatória,
Livre-arbítrio é oportunidade justa.
Quantos de nós, em nossas trajetórias,
Fazemos distinção dos dois na luta?

Aprender não implica sofrimento,
Atenção ajuda a abreviar as provas,
Já que cada uma tem o intento
De testar a evolução antes de passar pra nova.

Todos podemos crescer mais facilmente
Sem desperdiçar as oportunidades que virão.
Opor resistência ao ensinamento
É pedir provas mais duras, sem perdão.

Porque quando vivemos sem reflexão
A Vida precisa ter muita paciência
Pra ficar repetindo ao incauto a lição,
Tantas vezes até poder tomar ciência.

As escolhas a cada passo são inevitáveis,
E é preciso avaliar antes de optar.
Criamos no presente as próximas paragens.
Quem escolhe bem, entre as flores vai caminhar.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Hermógenes

Se o vaga-lume aprendesse a ficar quietinho, aceso, satisfeito, humilde e tranquilo, não haveria quem não o tomasse por estrela.
É bom ficar quieto, paciente, em silêncio, esperando a visita da Luz.
O vaga-lume tem luz, mas é ainda vaga.
Falta-lhe quietude. Silêncio já tem. E tem também o negrume da noite envolvente a servir-lhe de fundo, a realçar-lhe o fogo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Hermógenes

Somente na alma do asceta reina a Paz. Ele não quer mais do que tem. Não anseia tornar-se o que ainda não é. Não se angustia nem mesmo com a estupidez dos homens. Não se filia a doutrinas, que deva defender ou impor. Não persegue ilusões. Não teme a morte. Nunca se sente pobre. Não deseja poderes, honras, lugares, haveres... Não reprime. Não se reprime. Não se engana. Não engana. Não explora. Mas também nada tem e, se nada tem, não anseia aumentar ou guardar. Não se perturba, pois nada o ameaça. Não se ira, pois ninguém o pode ferir.
Ele só tem uma estrela a supri-lo com Infinito, Beleza, Justiça, Amor, Verdade, Beatitude...
Sua estrela é Ele mesmo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Hermógenes

Jogaram uma pedra na tranquilidade do lago.
O lago comeu-a.
Sorriu ondulações e...
ficou novamente tranquilo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

Hermógenes

Não pules ansioso e ávido querendo agarrar estrelas.
Senta-te quieto e mudo e esquece-as inteiramente.
Quando teu silêncio fizer de ti uma estrela, uma das do céu descerá para brincar contigo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Hermógenes

Enquanto ansiamos pela Paz não a alcançamos.
Ansiedade e Paz são antíteses. Nunca se juntam.

terça-feira, 9 de março de 2010

Uma Doença Chamada Plano de Saúde

Se a saúde pode ser definida como um estado de bem-estar físico, mental e espiritual em que o sujeito pode estar apto a atender aos mais altos fins de sua existência, a doença mais prevalente nos dias de hoje é a que resulta de possuir um plano de saúde.
Quem pode ficar sossegado depois de adquirir um título de empresa de saúde?
Apesar dos comerciais com belas imagens de pessoas esbanjando saúde e mensagens subliminares equivalentes aos produzidos por fabricantes de cigarros, é evidente que nunca mais o assistido terá paz nos dias que lhe restarem para viver.
E isso acontece porque é quase impossível receber “dez com louvor” após precisar se submeter a uma avaliação por um clínico conveniado. As chances de ser enviado para consultar outros especialistas são altíssimas, mesmo se a pessoa é quase assintomática.
É que a Medicina de hoje, altamente tecnológica, é exercida por esses profissionais impessoais, que se portam de forma indigna do juramento que fizeram, que são medrosos e que não estão dispostos a assumir responsabilidades, antes preferindo resguardarem-se, solicitando quase sempre uma infindável lista de exames, ao invés de se aterem a ouvir o paciente com cuidado e buscar um diagnóstico que seja individualizado para o cliente.
E nessa busca desenfreada por explicar sintomas que, freqüentemente, se relacionam com vivências cotidianas, questões psicológicas ou distúrbios funcionais que não aparecem nos exames, mas que podem ser entendidos e resolvidos através da escuta atenciosa e interação com o paciente, fazendo a integração dos mesmos, muito dinheiro é despendido inutilmente na realização de exames de laboratório, de imagem e exames funcionais, totalmente desnecessários.
E é preciso que se diga que o maior desperdício não é do dinheiro em si, mas da própria saúde do sujeito que perde suas energias se consumindo num trabalho inglório e estressante de solicitar autorização das empresas para realizar determinados exames, marcá-los num tempo hábil, perder seu precioso tempo para fazê-los, aguardar ansiosamente os resultados com o coração na mão, depois de passar pelos constrangimentos, dores e dificuldades do exame em si e, finalmente, ter o veredicto dos médicos que, não raramente são incapazes de resolver os resultados conflitantes e acabam pedindo ainda outras novas provas para elucidar os mistérios que eles mesmos ajudaram a produzir, tanto por ficarem mais perdidos do que cego em tiroteio, pela deficiência da história mal colhida e exames físicos incompletos quanto pela possibilidade freqüente e inerente a cada exame de ter falsos positivos ou negativos.
É inegável que para aqueles que apresentam doença aguda ou crônica com expressão no plano físico ou cujo diagnóstico dependa de exames específicos ou avaliação por especialistas, o cliente possuir um bom plano de saúde representa uma comodidade tanto para o médico como para o doente e por vezes é mesmo indispensável, apesar dos problemas, tendo em vista nosso atual sistema de saúde pública tão precário e ineficiente.
E é assim que caminha a Medicina com a sua impessoalidade, sua alta tecnologia fria e desconcertante, seus erros patéticos e injustificáveis, seus processos cada vez mais freqüentes, perdendo apenas para seus protocolos, classificações, procedimentos e medicamentos de última geração.
Que saudades do tempo em que era possível ter um clínico que atendia a família, que era amigo e íntimo e no qual podíamos confiar, que considerava a sua obrigação profissional estar junto do paciente em todos os momentos para promover a cura, não da doença, mas do paciente, sabendo das suas limitações, não posando de Deus Todo Poderoso, mas com a autoridade de quem está ali para melhorar a condição do sujeito, que usa a sua pessoa, a sua palavra, a sua intenção, a sua sabedoria e o seu amor para exercer a sua profissão com dignidade.
Apesar do estrago sem precedentes que os planos de saúde trouxeram para o exercício digno da Medicina, ainda existem esses raros profissionais. E quem topar com um desses pela frente, agarre-o com unhas e dentes e cuide de preservá-los, desde que não em cativeiro porque estão em extinção, mas são livres por natureza.

sábado, 6 de março de 2010

Parabéns, Heloísa e Marcelo!

Hoje é o casamento do meu sobrinho e eu sou a madrinha. Pensei no que diria aos noivos nesse importante momento de suas vidas.
Eles já se conhecem há um bom tempo, sabem que se amam muito e desejam viver juntos formando uma nova família.
E agora vão descobrir o que é viver com outra pessoa, como cada um realmente é no contato com o outro. E essa experiência é inédita para os dois.
Digo a eles então que a realidade cotidiana será mais doce, a casa deles terá mais harmonia, luz e felicidade se ambos tiverem como objetivo maior concretizar a felicidade do outro. Parece ilógico que alguém deva se responsabilizar pela felicidade de outra pessoa, mas o simples desejo de fazer feliz quem você ama, tentando descobrir o que agrada e o que desagrada àquela pessoa e, sendo uma atitude de ambos, no mínimo é capaz de facilitar o relacionamento. E para que a receita seja eficaz, é fundamental a sinceridade no que diz respeito à emoção.
É importante ter uma comunicação aberta, sem subterfúgios, sem jogos ou insinuações, sendo capaz de dizer ao outro exatamente como se sente, qual o impacto que palavras, gestos e atitudes do companheiro têm sobre a sua emoção.
Dessa forma clara será possível perceber os problemas que surgirem ao longo da vida, não deixando pendências no relacionamento que poderiam gerar o enfraquecimento da aliança que foi prometida para os dias felizes e também para os momentos difíceis da vida do casal.

Que dentro desse espírito de união, amor e sinceridade, vocês possam construir uma família muito feliz, num lar harmonioso, pródigo e iluminado. Felicidade!