quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Primeiro Banho

Era o que pretendia ser o primeiro banho do neném. No quarto, esperavam a avó paterna e a tia avó materna, quando a mãe chegou com o pequerrucho no colo, que sentindo a aproximação do local do “sacrifício”, já botou a boca no mundo. Foi conduzido até uma pequena mesa, onde deveria ser colocada uma banheira e deitado lá, para em seguida, lhe tirarem a roupinha e a fralda. Mas cadê a água? A avó correu para trazer uma pequena bacia com água morna, enquanto a mãe pegava um chumaço de algodão que umedecia e passava pelo corpinho do bebê que, vermelhinho de tanto gritar, continuava reclamando, enquanto era virado para limpar as costas e as nádegas. Nada de sabonete, nada de cheirinho de neném. Que frustração! O umbigo era protegido por uma compressa de gaze para receber a limpeza com álcool. E depois,colocaram a fraldinha, a camisinha de pagão, a calça comprida, as meias e a blusinha de manga. Enquanto faziam este ritual, mãe e avó cantavam uma música estranha que falava de um reizinho que chegava na casa, sob os olhares incrédulos da tia. E o banho? O bebezinho agora já estava aninhado no colo da mãe, já abrindo a boquinha naquele reflexo de sucção em busca do leite para saciar a sua fome e desproteção.
Enquanto recolhia as roupinhas usadas, fraldas, gaze e algodões, deixando o quartinho outra vez todo arrumado, a tia se lembrava de como eram os banhos de nenéns em sua casa onde a enorme família era comandada por sua mãe, uma mulher forte, rosada, gordinha e sorridente que com sua mão protetora sempre dava o primeiro banho em todos os bebês da família, inclusive na mãe desse bebezinho, sua neta. Sempre era escolhido o quarto da frente da casa, mais iluminado. Sobre a cama era colocada a bacia rosa ou azul, a toalha colorida e felpuda, roupinhas limpas, cinteiro e fralda, talco e sabonete do bebê. Os familiares formavam a plateia embevecida. Um era encarregado de trazer a água morna, outro ajudava a despir o bebê. Então a matriarca erguia a criança sustentando as costas com a mão, deixando a cabecinha pender recostada ao braço e descia lentamente até a água que molhava os pezinhos, as pernas e então o corpinho que ficava submerso até o pescoço enquanto com a outra mão lavava a cabecinha deixando a água levada pela mão em concha escorrer pelos cabelinhos, com o cuidado de não deixar entrar nos ouvidos. Em seguida, era lavado o rosto, o corpinho, pernas e braços. Era um banho rapidinho que só era iniciado depois de fechadas todas as janelas para impedir que houvesse corrente de ar que poderia, segundo ela, provocar uma pneumonia galopante na criança. E os bebês adoravam. Seus corpinhos eram lavados assim como as suas auras ficavam limpas pela água morna. Enrolados na toalha felpuda e apertados junto ao corpo da doce avó, ficavam quietinhos enquanto ela enxugava cabelos, rostinho e corpo. Logo eram vestidos com a ajuda de tias e tios sob exclamações de orgulho e comparações com outras crianças da família. Saía do quarto só depois de ser perfumado, acarinhado e receber um tantinho de talco nas costinhas para evitar alergias, sob os protestos desta mesma tia que estava estudando Medicina e reprovava o uso de talco. A fraldinha era colocada depois de besuntar o bebê com Hipoglós. Seguia-se a disputa da família para ver quem seguraria o bebê, inclusive a mãe, depois do banho. A avó, orgulhosa, recolhia os utensílios no quarto e saía triunfante, tendo ensinado a mais uma marinheira de primeira viagem como era dar banho no bebê.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Semear

Estou num imenso jardim onde exercito aquilo que mais me fascina. Não é um jardim como aquele que conhecemos e sim um outro com os mesmos atributos. No jardim do mundo semeio novas ideias. E fazendo isso não busco reconhecimento, mas o faço apenas por hábito. E esta tarefa obedece às regras da natureza.
No plantio, havemos de escolher o momento certo em que a terra-gente pode receber a nova semente. E esta, dependendo da planta que se espera, não pode simplesmente ser lançada. Teremos que cavar um sulco na terra, um ponto de menor resistência deve ser aberto para abrigá-la. Molhar o solo frequentemente se faz necessário. E o semeador de ideias fará isto trazendo exemplos de casos bem-sucedidos que funcionarão como a água fertilizadora da semente. E quando, num milagre da existência, a planta-ideia florescer, será preciso vigiá-la para que não fique exposta às intempéries do tempo. É que frequentemente as novas ideias e seus defensores são alvo daqueles que desejam manter o que está arraigado. É o peso do convencional.
Depois, quando vingar, a plantinha deverá crescer para ser vista por muitos neste imenso jardim. E é necessário protegê-la dos depredadores, aqueles que são devoradores de novas ideias que, como tratores, egoisticamente passam por cima do projeto de árvore, impedindo a propagação do novo.
Mas não basta protegê-la, é necessário também guiar seus ramos, impedindo que se desvirtuem do tronco, alterando aquilo que foi inicialmente proposto.
E o verdadeiro jardineiro não se dedicará apenas a uma espécie de plantas. Ele irá diversificar, espalhará várias ideias, semeando em muitas áreas desde que encontre solo fértil.
E um dia verá plenamente desenvolvidas plantas de caules flexíveis que se movimentam ao sabor do vento, numa liberdade de se adaptarem tanto quanto se fizer necessário. Encontrará outras árvores rígidas, são os pensamentos que devem permanecer inalterados, que são a base, os troncos fortes que constituem a estrutura das ideias de uma civilização.
Assim, cada conceito, cada pensamento terá o seu perfil, sendo todos necessários e todos pertinentes. O jardineiro sabe disto tanto quanto a mãe que reconhece a diversidade de personalidade dos filhos, todos concebidos, gerados e cuidados por ela.
E obedecendo à ordem de todas as coisas, o semeador verá suas plantas-ideias, num determinado momento, ceifadas pelo tempo, entendendo que mesmo após a morte, partes destas suas ideias serão adubo natural que permitirá, no futuro, o nascimento, desenvolvimento e propagação de outras ideias originais, plantinhas novas, naturais ou híbridas. O que importa, no fluir do tempo, é, inevitavelmente, o surgimento do novo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Branco é Branco, Preto é Preto

Esta questão de cor de pele não traria qualquer problema se pudéssemos nos comportar em relação a isto como meros observadores, sem que nossa avaliação resultasse em catalogações com as suas consequencias.
Assim, como disse a magnífica Dona Canô, o fulano seria preto e chamado de preto naturalmente, assim como nos referiríamos ao branco como branco. Seria simples assim.
E num país de miscigenação forte é risível tentar dividir a população em um sistema de cores e raças. Todos nós somos a mistura de brancos (portugueses), índios e negros (africanos) e pronto. Corre em nossas veias sangue negro sim, mesmo que nossa pele seja a mais nívea.
É ridículo tentar enquadrar alguém como pardo. O que é o pardo? Qual a gradação que vale entre o branco e o negro na cor da pele? Surgirão as eternas dúvidas e o que mandará na hora de se auto-declarar serão as conveniências de cada cor em dado momento de vida da dita sociedade.
Que vontade eu tenho que chegue logo o dia em que impere a simplicidade e se possa apenas observar a pele de alguém e decidir que cor ela tem sem que haja qualquer vinculação de vantagens ou desvantagens.
Porque, considerando toda a humanidade, a cor da pele é só mais um detalhe no físico de alguém. E o físico é só uma parte da natureza daquela pessoa que inclui também o emocional, o mental e o espiritual. Logo, quando lidamos com a realidade é impossível não enxergar o absurdo da segregação racial a partir da cor da pele.
E no caldeirão chamado Brasil, então, é hilário estabelecer estes limites e instituir benesses baseadas neles, principalmente numa questão tão importante na vida de uma pessoa como a oportunidade de entrar para uma universidade. Vincular a cor da pele à distribuição de vagas é mais uma opção estabelecida por ensandecidos e, portanto, só poderá gerar dúvidas e infindáveis contendas.

Êta, Tema Difícil!

Eutanásia é tema difícil porque se relaciona com a morte, este tabu intransponível do qual a maioria das pessoas nem quer se aproximar. Morte, é bom pensar sempre que só acontece com os outros e melhor ainda, com aqueles que estão bem longe de nós, não fazem parte de nossa família ou relações.
Assim entendo porque este tema está proposto no Duelos desde o dia 11/04 e até agora ninguém escreveu sobre ele.
Para mim, assim como o aborto, eutanásia é uma questão de direito. Devemos ter todas as opções possíveis para fazermos nossas escolhas. Mas é claro, que a informação deve ser vasta e a possibilidade de trocar experiências sobre o tema tem que acontecer bem antes que isto figure como uma ocorrência em nossa vida sobre a qual precisemos decidir.
É um assunto tão complexo e polêmico, já que envolve morte, culpa, espiritualidade, doação de órgãos, limite de vida, sofrimento, reencarnação, vitimização, medo, raiva, tantos outros aspectos do humano, sobrehumano, sendo difícil emitir uma opinião sem que se caia na realidade de que é preciso ainda aprofundar a discussão.
Numa sociedade como a nossa, bem diferente da realidade que existe na Suíça, legalizar a eutanásia pode ser temerário. Até lá resta a opção velada, que acaba sendo rotina nas UTI’s, manipulada por consciências que, muitas vezes, não se coadunam com as do interessado ou de seus familiares.

Notícias

Muitos já compreenderam o novo paradigma, este que diz que nós estamos ligados a tudo o que existe, que aquilo que afeta a um atingirá certamente a todos, ainda que não percebamos. Nada se move no universo sem que afete a todos. Mas quantos de nós experimentam isto no dia a dia? Nós somos seres de luz, temos o que chamam Deus dentro de nós mesmos: assim, somos capazes de muito mais do que sabemos. Podemos fazer o que se considera mágica. Mas, para realizarmos magia, devemos antes admitir magia no nosso sistema de crenças.
A nossa realidade é aquilo em que acreditamos. O que faz parte da crença de cada um de nós neste momento? Será que acreditamos na perfeição? Será que vendo o que acontece neste mundo podemos acreditar? De todos os lados nos chegam as piores notícias: as imagens são aterradoras, os sons nos transmitem horrores ocorridos em todas as partes do mundo, o ser humano está degradado ao nível mais rasteiro. Estamos acabando com o meio ambiente. As crianças que nascem hoje ouvem todos repetirem que estamos no fim do mundo, que o mundo é feio, triste, injusto, absurdo. A vida foi banalizada, as emoções foram rebaixadas em relação à razão e, paradoxalmente, somos cada vez mais insanos. As crianças crescem esperando o pior. E o pior continua piorando, acontece tudo do jeito que esperamos.
Mas, este fim do mundo bem que poderia ser este mundo inglório, este mundo de pernas para o ar, este mundo feio, indigno, estampado nas páginas dos jornais, veiculado nas telas, ouvido em toda a parte como sons de dor e agonia. Podemos sim decretar o fim deste mundo de uma hora para a outra.
Eu creio nisto porque há sementes espalhadas por aí. São seres que habitam todas as partes do mundo e que estão coadunados com esta nova realidade, que se expressam de acordo com as leis da natureza, que esboçam a perfeição. E estes seres estão influenciando outros tantos e um dia, que não está tão distante, esta página de indignidade terá sido virada e seremos testemunhas de novas notícias. Será a hegemonia da perfeição.
E as crianças que nascerem formarão seus sistemas de crenças de acordo com a nova realidade onde o amor será a lei, curas espontâneas serão a regra, a paz, a justiça, a beleza, a ausência de dor e sofrimento, a harmonia serão consideradas absolutamente normais.
Se, como têm provado os fatos, o homem continuar seguindo o que ocorre com ratos e macacos, assim será.

domingo, 19 de abril de 2009

Semente de Amor

Criança tão linda
E cheia de vida
Vens a este mundo
Para espalhar amor
És fonte de cura
Para os que te merecem
Promoverás a paz e trarás harmonia.
Serás forte, lúcido e bom
Terás que ser firme
Pois que és o eixo
Mas tu és tão doce
Que a todos encantarás
Semente de bondade,
Iluminarás os caminhos
De teus pais e teus parentes
Serás querido por todos
Meu amado bebê.

sábado, 18 de abril de 2009

Vamos Sintonizar com as Oitavas Superiores da Luz

Criamos nossa realidade com nossos pensamentos.
Nem sempre podemos mudar as circunstâncias imediatas, mas é certo que, a qualquer momento, é possível mudar nossas atitudes frente às ocorrências, alterando com isso nossa experiência de vida.
É necessário que estejamos alerta para não deixarmos de sempre tentar elevar nossas vibrações e estimular os que nos cercam a fazer o mesmo, entendendo que frente às notícias aterradoras de fatos que acontecem no nosso dia a dia, não podemos ter uma atitude passiva, admitindo para nossas vidas coisas inaceitáveis, como se, neste momento, as pessoas já considerassem “normal” serem desrespeitadas e maltratadas.
É preciso uma posição firme de todos nós, reconhecendo nossa natureza espiritual e tentando nivelar a humanidade por cima e não permitindo rebaixar ainda mais a vibração do planeta.
É inadmissível passarmos por situações como a que constituiu manchete de todos os jornais do dia 16 próximo passado na cidade do Rio de Janeiro: a violência expressa dos funcionários da SuperVia que socavam, empurravam, chutavam e chicoteavam trabalhadores usuários dos trens, diante de um policial militar que, além de não agir no sentido de proteger os trabalhadores, ainda ajudava a empurrá-los para fechar as portas dos trens.
O trabalho da imprensa no sentido de documentar estes fatos lastimáveis com imagens detalhadas que não deixam qualquer dúvida sobre o ocorrido, em sua natureza surrealista, nos permite tomar a atitude de cobrar das autoridades providências imediatas para reverter este quadro vergonhoso que não constitui, segundo a declaração de vários passageiros, fato isolado e sim, rotina na SuperVia.
É muito importante a divulgação daquilo que é uma manifestação de menos-valia: como pessoas cometendo atos de violência, dormindo no lixo, vivendo em condições subumanas, drogando-se, sendo abusadas sexualmente, vendendo seus corpos e tudo o que coloca o ser humano numa vibração baixa, para que nosso pensamento seja firme no sentido de colocar estes fatos como inaceitáveis e chamar a atenção das pessoas para que não admitam para suas vidas estes atos de indignidade.
Temos que ter consciência de que somos seres de luz, podendo assim vibrar numa oitava superior.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Nascimento

É vida nova:
Natureza surgindo,
Sábia criação.

É bebê lindo,
Delicado presente,
Bate coração!

Promessa boa,
Caminho luminoso
Saúde, neném!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Chegou o Neném!

Trazido por sábia cegonha zen
Lá vem o bebê em meio
A uma revoada de borboletas multicoloridas.
Já vem sorrindo, balbuciando barulhinhos
Esticando braços e perninhas
Chegou em dia auspicioso,
Delicadamente encomendado pela família toda em festa:
Os corações extravasando amor
Compondo no astral nuvem rosada onde certamente
Ele se lançará para a vida
Com total confiança.
Seguro de ser amado, cuidado
E conduzido por um caminho florido e iluminado,
Observado por seus pais que nele renascem felizes.

Violência e Paz

Certas coisas que parecem impossíveis, podem ser conseguidas somente com resistência pacífica. A teimosia em buscar a paz é o último recurso para lidar com a violência.