segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Exumação e Transmutação da Dor

Pintura “Reino de Hades”
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Tudo se resume e termina numa pequena caixa. Uma caixa simples que guarda o sagrado. O tesouro que foi a estrutura de uma vida. A perfeição para sempre guardada, até que mesmo ela seja destruída pelo tempo e se transforme em pó.
Mas há algo além da caixa. Algo que jamais se extingue. Que é luz e se expande e evolui. A essência que sobrevive ao tempo, uma vez que não segue suas leis. A essência que concentra os perfumes de todas as existências. E, se chega perto dos bem-aventurados, inunda de perfume doce e suave, inconfundível para aqueles que estão ligados pelos laços do amor.
Parece contraditório que o homem se reduza com a morte, que esta simbolize perda e destruição. Muitos procuram defender-se negando seus rituais, afastando-se das práticas a ela relacionadas. Entretanto, para olhos que perscrutam, tudo é sublime e traz elevação.
Para aqueles que enterram seus mortos, o funeral se justifica quando o corpo é exposto para que seja testemunha da finitude da vida, da igualdade entre todos os homens quando chega o derradeiro sopro de vida. Depois, o corpo na urna é resguardado dos olhos que sem isso, assistiriam à sua decomposição, uma vez que a matéria é perecível. Assim protegido, o corpo, sagrado para aqueles que o amaram, é cuidado, vestido, enfeitado e lacrado para que possa descer à profundidade da terra que o acolhe e colabora com a ação do tempo.
Então, no processo de decomposição que segue nos próximos anos, as emoções se acomodam e família e amigos aceitam sua ausência, enquanto tentam e por fim conseguem simbolizá-lo no fundo de seus corações.
Mas, como existe por parte dos homens, de muitos dos homens, alguma resistência em aceitar a morte como natural, vem a necessidade de desenterrar aquele corpo para que, em seu lugar, outro possa ser acolhido, dando início ao mesmo processo.
E dizem alguns que a exumação é algo horroroso, indigno dos olhos que amaram aquele que se foi. Mas, de fato não é. É sim mais uma oportunidade de enxergar além das evidências e melhor aceitar a verdade suprema e reverenciar a lei da natureza.
Assim, quando pessoas comuns realizam este ritual sagrado, mexendo num corpo que não conheceram, na pessoa que não amaram, permitem que entendamos que somos todos iguais, todos irmãos, que devemos amar ao próximo sem que para isso existam laços de família ou amizade.
E quando aquelas mãos retiram os restos do caixão destruído pela ação da terra, os coveiros comportam-se como garimpeiros que buscam o ouro, os ossos daquele que nos é tão caro. E procuram e separam da terra e dos despojos todos os ossos, longos e pequeninos, que juntos compuseram a estrutura daquele ser e que agora, separados como numa caixa que contém um quebra-cabeças, simbolizam o que restou da pessoa amada.
E reúnem os ossos de forma tão respeitosa, lavam e limpam com as próprias mãos o que de mais profundo existia naquele ser material. E os ossos são guardados na caixa, uma pequena caixa que contém a grandiosidade daquele que para nós era tudo.
Não existe nada de feio, nada de deplorável. É a lei da vida. É a vontade de ter ainda perto o objeto do nosso amor.
E quando valorizamos aqueles que o destino escolheu para participar do nosso ritual sagrado, estamos mais perto de entender a transitoriedade de todas as coisas e o consolo que existe nisso.
E então depositamos esta pequena urna num nicho que protegerá aquele tesouro a que renderemos nossas homenagens até que possamos exercitar o desapego e transferir para a essência luminosa o nosso amor.
Isto acalma os corações que amam e que se permitem acompanhar até o fim a trajetória dos que lhe são caros até que num outro plano haja um reencontro tão esperado, coroado pela paz que enfim se estabelece.

domingo, 3 de outubro de 2010

Votar é Preciso

Enfim chegou o dia tão esperado!
O povo nas urnas deve escolher.
Nosso destino está em nossas mãos!
Será que isso vai mesmo acontecer?

Tanta propaganda falsa!
Tantas promessas em vão!
Tanto descalabro, tanto engodo!
Tanto descaramento e podridão!

Quanto dinheiro escorrendo pelo ralo
Em campanhas patrocinadas por todos nós,
Os assalariados sempre extorquidos
Por quem protege ricos e do povo é algoz.

Se até Deus nos deu o livre-arbítrio,
Por que então a lei a nos obrigar
A participar, sem opção, desse desafio
De engolir a obrigatoriedade de votar?

Depois dessa disputa pelo poder
Com jogo sujo e tanta enganação,
Chegou a hora do povo responder,
Participando em massa da eleição!

Vamos todos às urnas nosso voto anular,
Dando aos candidatos as notas que merecem:
Zero, zero e mais zeros, só pra confirmar!
Quem sabe assim, eles nos esquecem!

Responsabilidade Dividida

Um projeto interessante para testar a competência do nosso governo, de total transparência, seria mudar a lei que rege a aplicação dos impostos pagos pelo povo.
Imagine se, por exemplo, tudo o que é cobrado pelo imposto de renda de cada contribuinte fosse regido pelo seguinte sistema:
- a metade da participação iria para o governo, para ser aplicada segundo sua determinação, como é feito agora;
- a outra metade, a pessoa teria a possibilidade de empregar em projetos assistenciais de acordo com sua vontade e orientação, desde que comprovasse, a cada ano, como usaria o dinheiro, prestando contas ao governo.

Assim, cada contribuinte poderia gastar este dinheiro em ações individuais nas suas próprias comunidades ou associando-se em grupos pequenos ou grandes, que gerenciariam projetos em educação, saúde, geração de empregos, segurança e todas as áreas onde o governo, até hoje, tem-se mostrado ineficiente.
Pesquisas poderiam ser feitas para comparar os resultados do governo com aquelas da iniciativa particular que, certamente, seriam mais compassivas, práticas e honestas, ao invés das costumeiras pesquisas para manipular os dados das eleições no sentido de favorecer os candidatos que interessam aos grupos dominantes.
Evidentemente, os beneficiados por estas ações teriam o compromisso de fiscalizar os recursos para evitar corrupção, embora esta já estivesse sendo reduzida à metade.

Recado ao Lula

Mais vale um voto vendido do que um povo traído.

domingo, 26 de setembro de 2010

Charlotte

Pintura: "Flores", de Aline.
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Charlotte, menina-doce
De olhos tão expressivos
Quem me dera você fosse
Da minha casa o sorriso!

Querida guria dourada,
Nascida cheia de luz
Como o encanto da madrugada
Aos amantes da vida seduz.

Sei que vou lhe receber
Com muito amor linda criança.
E junto com o Kurt há de ser
Outra dádiva e só esperança.

Papai e mamãe muito orgulhosos
Com o irmão fazem coreografia,
Para expressarem tão amorosos
A alegria de ter você na gataria.
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Nós

Pintura: "Doçura"
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Toda pessoa tem um grupo espiritual
Que sempre a acompanha
Eu e você, às vezes somos um canal
E também vivemos essa façanha.

Fico pensando como será interessante
Quando a gente se encontrar
O congraçamento dessas almas
Que vivem a nos inspirar.

É que eu tenho uma certeza:
Que somos almas afins.
Pensamos tantas coisas de infinita beleza,
Que superam as outras ruins...

Viemos do mesmo lugar,
É o Universo quem garante,
Quando é impossível para nós
Caminharmos estando longe.

É certo que nosso grupo já se conhece há muito tempo.
E a nossa relação é uma explosão de contentamento.
Entretanto o tempo não existe para além desse espaço.
Juntos emanamos a vibração de um forte abraço.

Por isso é que o nosso amor
Muda as cores dos lugares,
Traz a paz aos corações,
Brilho e perfume aos outros pares.

Somos como os beija-flores
Disseminando a alegria,
Num vôo sincronizado
Salpicando amor à revelia.

E o encontro dos nossos guias
É como dois arco-íris que se entrelaçam.
Impossível saber até onde essa energia
Alcança os corações que nunca se separam.

É que o amor só traz expansão
E pensamentos positivos elevam a vibração.
Eles permitem que o homem consiga melhorar
O mundo em que vive com aquilo que pensar.

Olhemos para o outro como um Ser especial,
Focalizando em cada indivíduo o Eu superior.
E a conversa dos dois Eus de maneira natural
Permite que cada um manifeste o seu real valor.

Todos somos inspirados por energias superiores.
Somos seres de luz interligados e amorosos.
O amor se propaga através desses benfeitores.
Elevando nossas vibrações podemos ser maravilhosos.

domingo, 19 de setembro de 2010

Desejos

Pintura: "Desejos"
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Mar tormentoso é o desejo
Que faz do homem o que bem quer.
Se ele cede a um só lampejo
Mais que um escravo não é.

Quem dentre vós já escapou
Surrado pelas águas desse mar?
Da razão nada sobrou.
- Sob domínio do desejo, é certo naufragar.

Ainda que sereno ele se mostre,
Fatal que se apresente em profundeza
Irreconhecível, imenso, a própria morte,
Quando expressa a verdadeira natureza.

O homem só é senhor do seu destino
Naquilo que não concerne à paixão,
Pois nas garras dessa loba é um menino.
- Coração cravado sem perdão.

Tão humano é esse sentimento
Que cumpre a cada um se perguntar:
Elevar-se em espírito é despir-se do desejo?
Ou será amar e diluir-se nesse mar?

domingo, 12 de setembro de 2010

As Flores do Caminho

Pintura: "Harmonia"
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Destino não é condenação obrigatória,
Livre-arbítrio é oportunidade justa.
Quantos de nós, em nossas trajetórias,
Fazemos distinção dos dois na luta?

Aprender não implica sofrimento,
Atenção ajuda a abreviar as provas,
Já que cada uma tem o intento
De testar a evolução antes de passar pra nova.

Todos podemos crescer mais facilmente
Sem desperdiçar as oportunidades que virão.
Opor resistência ao ensinamento
É pedir provas mais duras, sem perdão.

Porque quando vivemos sem reflexão
A Vida precisa ter muita paciência
Pra ficar repetindo ao incauto a lição,
Tantas vezes até poder tomar ciência.

As escolhas a cada passo são inevitáveis,
E é preciso avaliar antes de optar.
Criamos no presente as próximas paragens.
Quem escolhe bem, entre as flores vai caminhar.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Hermógenes

Se o vaga-lume aprendesse a ficar quietinho, aceso, satisfeito, humilde e tranquilo, não haveria quem não o tomasse por estrela.
É bom ficar quieto, paciente, em silêncio, esperando a visita da Luz.
O vaga-lume tem luz, mas é ainda vaga.
Falta-lhe quietude. Silêncio já tem. E tem também o negrume da noite envolvente a servir-lhe de fundo, a realçar-lhe o fogo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Hermógenes

Somente na alma do asceta reina a Paz. Ele não quer mais do que tem. Não anseia tornar-se o que ainda não é. Não se angustia nem mesmo com a estupidez dos homens. Não se filia a doutrinas, que deva defender ou impor. Não persegue ilusões. Não teme a morte. Nunca se sente pobre. Não deseja poderes, honras, lugares, haveres... Não reprime. Não se reprime. Não se engana. Não engana. Não explora. Mas também nada tem e, se nada tem, não anseia aumentar ou guardar. Não se perturba, pois nada o ameaça. Não se ira, pois ninguém o pode ferir.
Ele só tem uma estrela a supri-lo com Infinito, Beleza, Justiça, Amor, Verdade, Beatitude...
Sua estrela é Ele mesmo.