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sábado, 20 de outubro de 2012

Se Fosse Mais Simples, Seria Melhor... Ou, Pelo Menos, Seria.

 
 
Recentemente, assisti, no programa Ana Maria Braga, a uma reportagem sobre uma advogada que abriu uma ONG para cuidar de 290 cachorros que recolheu pelas ruas durante alguns anos, em Saquarema, Rio de Janeiro.
O que vi me fez pensar e lamentei, profundamente, que pessoas interessadas em ajudar a cuidar de crianças que andam pelas ruas e se expõem a virar mais vítimas na estatística dos viciados em drogas, não tivessem mais facilidade, como acontece em relação à adoção de animais.
Não que seja fácil cuidar de 290 cães ou que a advogada que fez isso não tenha esbarrado em inúmeras dificuldades ao longo do caminho. Mas, quando se trata de gente, em especial crianças, a burocracia, as exigências, os obstáculos, retiram toda a paciência e minam toda a energia de quem só quer ajudar, tornando um projeto de vida quase sempre inviável.
Por que se espera sempre o pior do ser humano? Não que o homem não seja capaz de qualquer coisa, que por vezes nem ele mesmo imagina, mas ao cercar de tantos cuidados o processo de pegar alguém pra tomar conta e oferecer amor, vendo possíveis monstros sanguinários, abusadores, sádicos, pervertidos e degredados em todos que se propõem à adoção ou a administrar uma ONG para cuidar de pessoas sem lar, certamente evitamos o que poderia ser legitimar o perigo de oferecer a eles algo pior e então, os deixamos na pior, no lugar onde já se encontram desabrigados, maltratados, abusados, sujeitos às drogas e à morte. Antigamente, era bem mais fácil manifestar o amor ao próximo!
Mas, o que mais me impressionou na reportagem foi o tratamento dado aos cachorros pela amorosa advogada e seus apenas 4 funcionários que manifestam o amor e o respeito pelos animais; conhecendo, a responsável pela ONG, cada um deles pelo nome, dando o amor de dona a cada um em especial e todos passeando pelas ruas de Saquarema com todos eles soltos, correndo, acompanhados pela advogada em sua bicicleta e pelos funcionários em motos, todos como numa brincadeira, com grande alegria e entusiasmo, acompanhados de perto pela população de Saquarema que já se acostumou e apóia o projeto. Tudo isso, sem perigo, sem violência, sem complicação.
Brincadeira! Isso é que é coisa séria!
 
 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pra quem se foi

Recebi uma ligação de alguém chorando que me comunicava a morte súbita de um sobrinho e dizia estar precisando ser ouvida. Era uma ex-colega de trabalho que voltava do sepultamento e muito nervosa me contava as circunstâncias do ocorrido e pedia que rezasse por ele, quando mais tarde retornei a ligação.
Ele era jovem e teve um infarto fulminante. A família está em choque, sem acreditar que ele de fato morreu. E ele, como estará?
Tento uma conexão, embora sem conhecê-o e peço que quem esteja perto o acalme, conforte e conduza para um lugar de paz.
Penso que ninguém está só. Mesmo na hora da morte temos ajuda. E ele será amparado nessa sua nova realidade que afinal é apenas uma mudança de vibração, ainda que para quem o ame pareça tão catastrófica nessa hora.
Mas o tempo vai passar e trazer de volta a paz ao coração de todos que gostam dele.

Noite feliz

Ainda não é Natal, mas ao sair de casa essa noite, vi o céu  e fiquei fascinada com o tom de azul nunca visto antes.
Percebi que era um sinal. Tive vontade de ficar na rua, ao relento, passeando de mãos dadas, namorando a vida.
Entendi que estava vestida de primavera, daí a motivação de dançar, de bailar ao som dos motores e buzinas no congestionamento de um final de dia.
Dezembro não chegou. Nem ligo. Meu Eu superior hoje, está travestido de Noel, fazendo minha noite feliz.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Boneca

Rostinho rosado de porcelana, os olhinhos vivos e amorosos. Vestidinho vaporoso e azul esverdeado qual água marinha. Ela me conquistou ao primeiro olhar. Era uma bonequinha que apaziguava os corações de tão delicada expressão que tinha. Seus cabelos louros, presos num pequeno coque e encimados por fita de mesma cor do vestido e do sapatinho davam-lhe uma graça especial. Mas, o que mais sobressaía nela, além do olhar era o sorriso afetuoso. Quantas crianças ela estava fadada a conquistar? E quantos adultos, de súbito, desencantariam suas porções criança, tão cotidianamente soterradas pelas demandas da vida adulta (tão ditatoriais quanto sem graça)? Com certeza, se ela fosse presenteada ao ser mais maduro, no que se refere à chatice de ter crescido, ele não poderia esconder ao encará-la a fenda por onde escaparia um quê de doçura, fantasia e espontaneidade que só as crianças sabem traduzir na expressão quando alguma coisa as encanta e arrebata. Que momento mágico aquele que permite a volta à infância no que ela teve de bom, belo, acolhedor, apaziguador em cada pessoa, apesar dos conflitos, das dores, dos tormentos que vieram depois!
A beleza é assim: tem o poder de resgatar no fundo do nosso ser aqueles tesouros que foram sendo amealhados ao longo da vida e que de tão escondidos, por vezes até mesmo o dono se esquece que os possui. E, ainda que o conceito de beleza possa variar de acordo com o observador, existe naquilo que toca fundo o coração uma tal harmonia que é universalmente percebida, não há quem esteja imune ao seu feitiço. E essa bonequinha é assim: um mimo que dá vontade da gente dar de presente pra todo mundo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Recesso da Realidade

Creio que essa época de festas, o Natal, pode ser sentida por muitas pessoas como um tempo em que elas têm o direito de estarem protegidas da realidade com suas dificuldades cotidianas, um tempo em que a fantasia impera e sonhamos com um mundo maravilhoso, cheio de cores, carinhos, presentes, desejos satisfeitos, pessoas afetuosas e gentis, esperanças, repleto de amor e abundância.
Cada um de nós tem todo o direito de viver este estado de espírito. Isto é lindo e cria uma aura de beleza que envolve aqueles que o vivenciam desta forma e se expande, afetando também aqueles que são menos dotados da capacidade de abstrair ou mesmo incapazes de ignorar que, apesar do Natal, o mundo continua o mesmo, apesar da enxurrada de propagandas dos lojistas e do apelo da mídia para atenuar o clima de horror que ela mesma alimenta durante todo o ano.
Entretanto, esta facilidade de podermos voltar a ser crianças, sentindo desta forma nas semanas das festas, que faz tanto bem a todos nós, pode ser exercitada, nos capacitando a mudar o nosso estado de espírito, mesmo frente aos momentos estressantes de perda e de dor, conseguindo estar em paz. É tipo poder ser feliz, sentir-se em paz sem que para isso tenhamos que esperar os fins de semana, as férias, as festas.
E creio que encontrar o sentido profundo de transformação, de renascer depois de uma morte simbólica, de deixar surgir o novo quando o velho já caducou em nossas vidas, a partir da elaboração, discussão e inspiração que vêm quando o tema é a morte, pode ser interessante apesar de ser dezembro.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Que o Duelos Significa para Mim

O Duelos representou, de início, para mim, um espaço onde eu poderia escrever sobre determinado tema que seria também usado por outros autores, nos dando a oportunidade de apreciar diferentes pontos de vista e refletir. Essa ideia me pareceu muito interessante e fiquei entusiasmadíssima.
Mas, como eu já tivesse o costume de escrever há muito tempo e guardasse minhas composições sem nunca antes tê-las mostrado a outra pessoa além de uma grande amiga, vi no Duelos uma oportunidade de compartilhar textos que na verdade escrevi pra mim mesma. E assim, fui enviando alguns escolhidos e como não encontrei resistência (pelo menos explícita) a algumas bobagens, perdi a vergonha e encaminhei quase tudo que escrevi ao longo de vários anos. Dessa forma, vários momentos de minha vida foram focalizados nos textos. Descobri que escrever era terapêutico e estimulei muitas pessoas a usarem esta via de expressão para lidar com questões difíceis em suas vidas. Para mim, essa característica do Duelos é a mais interessante. Mostrar para outras pessoas o que a gente escreve num momento de tensão, dor, deslumbramento, revolta etc. é ter a possibilidade de reler e reavaliar nossos pontos de vista que serão, a partir da publicação, apreciados por outras pessoas. É como compartilhar a nossa profundidade, é ter a noção exata do que é estarmos todos no mesmo barco. Acho que isso nos aproxima mais dos nossos semelhantes (e de nós mesmos) e se traduz em expansão do amor.
Além disso, ler os textos de tantas outras pessoas, emociona, permite que as conheçamos um pouco mais, cria simpatias e possibilita transformações e expansão para todos. E, inclusive, pelo menos no meu caso, inspira e cria um certo atrevimento em colocar no papel ideias e opiniões próprias, ignorando a parca capacidade na seara da Literatura, como se me fosse dado o direito de poetar e escrevinhar à vontade, sem inibições. E eu adoro isso.
É que como não sou da turma das Letras e já lido na minha área com tanta responsabilidade e cuidado, tenho a oportunidade de ser uma inocente e autêntica criança no Duelos, escrevendo historias que vivi, que vi outras pessoas viverem, que ouvi de pacientes, amigos e estranhos, que criei ou que representam minhas subpersonalidades ou mesmo possessões, sem qualquer preocupação maior com a forma. Ou seja, o Duelos, para mim, é um espaço para vivenciar a amizade, a alegria, a espontaneidade, o amor e a liberdade. É um portal de aprendizagem e terapêutico.

O Ciúme é a Banda Podre do Amor

O ciúme amesquinha o amor.
Ninguém tem o direito de reduzir assim este sentimento que é pura expansão. O amor é livre e quem manifesta o ciúme deseja cercear aquele que ama e reclama posse de quem nunca terá dono. O amor é doação e dá aquele que quer para quem deseja, para todos que inspiram nele este nobre sentimento. Não há limites para o amor. E idiota é aquele que tenta dar medida a algo que é abstrato e supõe que, se dividido, menor parte lhe caberá. Pobre infeliz desavisado, ignora que quanto mais se ama, cresce cada vez mais a capacidade de oferta e de expressão do amor.
Muitos dizem, em relação ao amor romântico, que ciúme é o seu tempero. Entretanto, as manifestações do ciúme, longe de serem interessantes e enaltecedoras de seu objeto, na maioria das vezes, se transformam em algo nefasto que envenena e destempera.
Mas, esta prova contumaz de insegurança e menos valia não se restringe aos parceiros amorosos, fazendo muitas vítimas, também, nas relações familiares, profissionais e de amizade, onde se desenrolam histórias mirabolantes e quase sempre ridículas.
É lamentável que o ciúme não seja tratado logo ao ser detectado, antes que tome proporções maiores com comportamentos descabidos e consequências desastrosas. É uma importante armadilha que apanha os incautos que, assim como os que o manifestam, se sentem lisonjeados com tal deferência, denunciando, também, igual menos valia e, mais tarde, poderão sofrer intensamente as agruras de verem o amor que sentem sendo colocado em camisas de força, ou sendo forçado a usar cinto de castidade.
Sinto pena de quem é incapaz de ver aqueles que são objeto de seu amor livres para expressar o mesmo sentimento por quem inspirá-los, sem amarras, sem certificados de posse e sem limitações.
É preciso estar atento para não ser personagem de histórias fatídicas, onde o ciúme é doentio e pode se manifestar com requintes de crueldade, num desequilíbrio que cria uma rede de intrigas que pode terminar de muitas formas dolorosas e imprevisíveis ou se arrastar indefinidamente numa teia invisível de sofrimentos e compensações que mantêm juntas pessoas que pensam que sabem amar realmente.
Tratar o ciúme requer tempo, vontade e empenho de trilhar o caminho do autoconhecimento com fortalecimento do ego e desenvolvimento da capacidade de se voltar para o outro com amor.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Palavras ao Vento

Muitas vezes acho interessante atualizar esse blog, colocando minhas opiniões sobre vários assuntos, dando depoimentos sobre acontecimentos nessa cidade, mostrando fotografias das pinturas que faço, contando histórias pessoais e de pessoas conhecidas, no sentido de compartilhar idéias.
Mas, tantas outras vezes sinto uma imensa preguiça de postar qualquer coisa aqui, já que parece que o que eu mostro não interessa a quase ninguém. As visitas são pouquíssimas e os comentários ainda mais raros.
Assim, estou pensando seriamente em voltar a escrever em agendas que eu sempre reservei exclusivamente para esse fim e guardá-las só para lê-las quando desejar refletir sobre o que escrevo para mim mesma.

sábado, 6 de março de 2010

Parabéns, Heloísa e Marcelo!

Hoje é o casamento do meu sobrinho e eu sou a madrinha. Pensei no que diria aos noivos nesse importante momento de suas vidas.
Eles já se conhecem há um bom tempo, sabem que se amam muito e desejam viver juntos formando uma nova família.
E agora vão descobrir o que é viver com outra pessoa, como cada um realmente é no contato com o outro. E essa experiência é inédita para os dois.
Digo a eles então que a realidade cotidiana será mais doce, a casa deles terá mais harmonia, luz e felicidade se ambos tiverem como objetivo maior concretizar a felicidade do outro. Parece ilógico que alguém deva se responsabilizar pela felicidade de outra pessoa, mas o simples desejo de fazer feliz quem você ama, tentando descobrir o que agrada e o que desagrada àquela pessoa e, sendo uma atitude de ambos, no mínimo é capaz de facilitar o relacionamento. E para que a receita seja eficaz, é fundamental a sinceridade no que diz respeito à emoção.
É importante ter uma comunicação aberta, sem subterfúgios, sem jogos ou insinuações, sendo capaz de dizer ao outro exatamente como se sente, qual o impacto que palavras, gestos e atitudes do companheiro têm sobre a sua emoção.
Dessa forma clara será possível perceber os problemas que surgirem ao longo da vida, não deixando pendências no relacionamento que poderiam gerar o enfraquecimento da aliança que foi prometida para os dias felizes e também para os momentos difíceis da vida do casal.

Que dentro desse espírito de união, amor e sinceridade, vocês possam construir uma família muito feliz, num lar harmonioso, pródigo e iluminado. Felicidade!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ex-Haiti

A morte é oportunidade para quem vai e para aqueles que ficam e a presenciam. Com a morte, o físico se desintegra para que possa ser reorganizado no futuro. E a porção de luz segue como consciência, acrescida de mais aprendizado até que após um período de transição cósmica possa novamente habitar outro corpo físico e renovar as experiências na realidade material.
Aqueles que assistem ao desenrolar da morte - seja individual ou coletiva - e estão atentos às sutilezas que o cercam, igualmente poderão adquirir conhecimento e trazer transformação às suas vidas.
A experiência do que vem ocorrendo no Haiti todos os dias, há tanto tempo, acrescida pela catástrofe que aconteceu agora, pode ser enriquecedora para o observador interessado. O caos permite, pelo contraste, delinear ocorrências da mais elevada esfera, presentes lá e em todos os lugares onde o sofrimento físico pode ser transcendido pela força do espírito.
Até quando serão necessários as grandes hecatombes e o caos disperso no cotidiano, em tantos outros lugares pelo mundo, para que a humanidade se confronte com a realidade de que o sofrimento advém da ignorância de que fazemos parte da mesma unidade e que, portanto, o que afeta a um afeta a todos e podemos mudar a realidade redescobrindo nossa verdadeira natureza de espíritos?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Quanta Energia

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De onde será que vem tanta disposição?
De onde retira tanta alegria?
Como pode ter energia para realizar tantas coisas ao mesmo tempo?

Ela esbanja vontade de fazer as coisas e contentamento enquanto trabalha. É que seu combustível é inesgotável, ele vem direto da fonte. Ela está conectada ao reservatório do Universo, se alinha, está ligada ao Todo.

Consegue isto porque está voltada para o seu interior e sabe bem o que veio fazer nesta vida. Ela é a grande doadora. Fica feliz ao proporcionar alguma coisa para os outros.

E foi sempre assim: um sorriso largo oferecido indiscriminadamente; as mãozinhas abertas, indo em direção às pessoas, desde a infância, com expressão de felicidade. A mesma felicidade que irradiava ao entregar presentes em enormes embrulhos de papéis coloridos e laços de fitas pra tanta gente, inventando motivos para oferecê-los.

Continua assim quando se manifesta com sorrisos, gentilezas, ajudas, trabalhos, palavras de incentivo, cuidados, abraços e carinhos que são fartamente distribuídos hoje.

Dessa forma, sua força aumenta a cada dia, já que sua energia se renova e sua aura brilha mais.
Que seu brilho aumente a cada ano.
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FELIZ ANIVERSÁRIO! BEIJO.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Desperdício de Energia

Hoje, ao passar por várias academias de ginástica, me ocorreu que o que acontece ali é uma tremenda perda de energia e um comportamento antiecológico generalizado. E, pensando em termos da nova realidade planetária, é um contrassenso tanta gente passar tantas horas queimando energia sem produzir outra coisa que não suor.
Não que eu seja contra exercícios físicos, muito pelo contrário. Mas é que todo o esforço que é feito nesses locais, que faz tanto bem à saúde, bem que podia de quebra trazer benefício a outras pessoas também.
Ao pensar dessa forma, imediatamente me pus a delirar. Imaginei como seria interessante que as pessoas que malham depois do horário de trabalho, fizessem esta atividade, por exemplo, numa frente de trabalho voluntário na construção civil. No fim de algum tempo, elas teriam o imenso prazer de ver antigos desabrigados ocupando moradias construídas com sua participação. Outras, queimariam calorias à beira de um fogão numa cozinha onde seriam preparadas refeições comunitárias. Quem gostasse de se exercitar ao ar livre poderia correr atrás de pimpolhos numa creche para filhos de mães que precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos. E as caminhadas poderiam ser feitas todas as manhãs, acompanhando pessoas da terceira idade que estão jogadas em asilos e passam semanas inteiras sem interagir com ninguém. Parece bem simples, mas sei que é difícil acontecer.
É que nós estamos cada vez mais obsessivos e essas opções são formas mais criativas de usar a energia.
Então, eu temo que continuarei a passar por salas envidraçadas cheia de gente solitária com fones de ouvido, correndo atrás de nada ou não sei do quê, fazendo movimentos repetitivos, sem um mínimo de consciência corporal, aguardando talvez um momento de azaração pra quebrar uma rotina insípida e vazia.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Natureza

Tudo que nos cerca é dotado de vida. Amar a natureza é sentir-se parte dela não admitindo jamais a auto-agressão.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Cura

Curar é entrar em sintonia com aquele que sofre, compreendendo-o, decifrando os sinais e integrando as mensagens de sua doença para que possa continuar evoluindo, entretanto, estando apto a dispensar a dor.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cristais

Cristais são explosões de amor. São presentes da natureza; cores e formas que mantém perfeita harmonia e beleza incomparável, onde vivem os gnomos, seres encantados que nos ajudam e velam por nós.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Saudade

Hoje me recordo com saudade da sua presença entre nós, com seu jeito simples de quem adorava a companhia de pessoas, a boa conversa familiar, as risadas, as brincadeiras, a falta de compromisso. O seu modo de criança encantava a todos. Desde quando apareceu na família, foi amada como se nos conhecêssemos desde sempre. A sua simpatia trazia felicidade para nós e por isso você era bem-vinda todas as tardes. Quando nos trouxe de presente sua filhinha Cássia, aí mesmo é que se tornou mais querida de todos nós. Você guardava para si a gravidade da vida e só compartilhava a leveza, a brincadeira, os sorrisos, mesmo quando seria mais indicado e benéfico para você dividir as dores com os que a compreendiam.
Mas o inesperado aconteceu e a perdemos depois de muita dor e tristeza. Entretanto, existiu sempre a certeza de que os desígnios de Deus devem ser aceitos de forma incondicional, já que há alguma razão de ser para todos eles, mesmo que não compreendamos.
Seu aniversário seria hoje e estaríamos comemorando com você, saboreando todas as comidas gostosas que tanto lhe agradavam no meio de muita algazarra. É muito legal imaginar isto.
Encontrei com a Cássia na academia, de bochechas vermelhinhas e com a sua cara e seu jeito.
É bom constatar que aqueles que amamos estarão para sempre perto de nós. E assim, nunca esqueceremos de você e de tudo que compartilhamos nessa vida. Que onde estiver, esteja em paz.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Que é Sorte

A maioria de nós entende a sorte como facilidade. É quando parece que as portas se abrem imediatamente e ainda estendem um tapete vermelho à nossa passagem. É quando tudo flui sem contratempos e recebemos algo que vai bem além das nossas expectativas. Sorte é ser agraciado com berço de ouro, é ganhar um prêmio polpudo na loteria, é encontrar um grande amor e permanecer com ele pelo resto da vida sendo feliz. Ser sortudo é sempre encontrar uma vaga quando quer estacionar; ver a fila no banco, de repente, correr rápido só porque você chegou; trocar de fila no supermercado e não acontecer nenhum problema na caixa e, ainda por cima, algumas pessoas desistirem de esperar e você se adiantar. Ter sorte é arriscar nos negócios e sempre lucrar; é ter palpites certeiros para os jogos de azar; é caminhar pela rua e, ocasionalmente, encontrar uma nota graúda. É comprar uma rifa já sabendo que irá buscar o prêmio. É só receber cheques que têm fundo e encontrar pela frente pessoas honestas que trabalhem muito bem pra você e ainda entreguem os trabalhos antes do prazo previsto. E eu poderia ficar descrevendo o que é ter sorte de uma maneira superficial o dia inteiro. Mas, será que isto existe mesmo? Já que tudo é relativo, o que pode ser considerado benesse para alguns, é desprezado por outros. E acredito que haja um equilíbrio inerente aos fatos que se desenrolam em nossa vida, desde que tenhamos a visão do todo e acesso às ocorrências de vidas passadas. Além disso, não podemos ficar presos a um só ponto de vista. Assim vejamos que se facilidade fosse sorte realmente, o que dizer daqueles que fazem das dificuldades o estímulo para crescerem e se aperfeiçoarem na vida? Se a vida é experiência, aprendizado, a evolução será mais encontrada naqueles que ganham da vida questões para serem trabalhadas e ultrapassadas.
Acho que na verdade, sorte é ter consciência plena de si e dos outros para aproveitar bem as oportunidades de desenvolvimento que receber ao longo da vida.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de outubro do Duelos Literários: Sorte.

domingo, 1 de novembro de 2009

Não Mais Sob os Auspícios de Saturno

Cresci ouvindo minha mãe dizer ao meu pai que não deveria fazer apostas em jogos nunca, já que ele já havia ganho na loteria no dia em que a conheceu.
Ele era mineiro e sonhava com um grande prêmio para poder dar à família de oito filhos, melhores condições de vida, com o conforto que minha mãe, uma pessoa ambiciosa, almejava.
E entre essas duas polaridades, o sonhador romântico e a empreendedora ambiciosa, eu formei a minha personalidade que congrega esses dois aspectos.
Nunca esperei pela sorte, por facilidades, tinha por certo que era preciso lutar muito para conseguir o que queria, que nada viria de mão beijada. E achava mesmo que tudo que era conquistado com esforço tinha mais valor. O sacrifício então, era o ápice e eu me dilacerava pela vida buscando desafios, aceitando pesos que não eram meus, incapaz de dizer não.
Com o tempo, aprendi a exercitar a outra polaridade. Hoje, a vida tornou-se mais leve porque passei a esperar dela mais facilidade. Eu creio firmemente no poder do pensamento, no desejo, na lei da atração, em que a vida que levamos é plasmada pelos pensamentos bem direcionados.
Ainda me empenho, mas sem sofreguidão. Ainda aceito demandas que não são minhas pela compaixão, mas aprendi a dizer não e nos tempos atuais, esse aprendizado é elementar.
Cresci e já não me defendo tanto. Aspiro à inocência da infância para me largar na vida amparada pela lucidez e pela fé.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de outubro do Duelos Literários: Sorte.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Feliz Aniversário, Adilson!

Ele ocupa o lugar do irmão mais velho em nossa família, não por sua opção, mas por força das contingências e por possuir os dons necessários para exercer esse papel que sempre desempenhou com responsabilidade e dedicação.
Aos quinze anos, ainda usando calças curtas, foi subitamente promovido a arrimo de família, em virtude do casamento inesperado do irmão que era de fato o primogênito. Amedrontado, ouviu de nossa mãe a sentença de que na semana seguinte, iria trabalhar como boy na Phillips do Brasil e passaria a estudar à noite. Para cristalizar esse momento solene, foi levado às lojas Ducal onde lhe compraram um terno e um par de sapatos pretos.
Assim, o menino franzino e medroso passou a enfrentar os trens cheios, onde era colocado para dentro, todas as manhãs, empurrado pela multidão que embarcava. E pode conhecer o centro da cidade nas andanças durante o expediente. Entretanto, permaneceu como boy por pouquíssimo tempo, sendo sua promoção motivada pela inteligência, responsabilidade e presteza n
a execução das tarefas que lhe eram atribuídas e também porque não ficava bem um boy trabalhando de terno. Essa postura de responsabilidade, orgulho e altivez, todos nós herdamos da mãe que, repetidamente nos estimulava dizendo: “É pra frente que se anda”.
Evidentemente que a Phillips foi seu único emprego, onde se aposentou após 35 anos de trabalho, atingindo o cargo máximo a que poderiam almejar aqueles que só contavam com competência, retidão de caráter e dedicação.
Sempre cuidou dos irmãos mais novos e mais velhos que ele, sete ao todo. Esteve ao lado da nossa mãe em todos os seus empreendimentos, já que nosso pai não compartilhava da mesma ambição e capacidade de lidar com a realidade, um pisciano típico, por natureza, contemplativo.
Mesmo com seu casamento, um tanto ou quanto tardio, continuou a ocupar-se de nossa família, sobretudo naquilo que se referisse à parte administrativa e legal. Foi, por todos esses anos, o burocrata de plantão e desempenhou funções de advogado sem nunca ter-se graduado nesta carreira, com competência e brilhantismo.
Nas questões ligadas à saúde, ele não se empenha, posto que é seu ponto fraco lidar com a doença. Deixa isso para as suas irmãs. Mas, quando se trata de cuidar dos óbitos da família, inventários, compras de bens e imóveis, sempre podemos contar com a sua prestimosa ajuda.
Ele sempre tem a palavra certa, a atitude coerente, a conduta irrepreensível e a ação protetora, nos momentos mais delicados de nossas vidas.
No fundo, ainda é o mesmo menino que pegava os doces de Cosme e Damião para organizar e dividir com os irmãos; que vendia as pipas que fazia e não soltava, para aumentar o orçamento familiar; que começou a trabalhar cedo e aprendeu com a vida que o mundo era ameaçador e que era preciso estar sempre alerta para não ser atingido. Com a maturidade, adquiriu a segurança que a competência e o progresso alcançado lhe trouxeram na expressão do seu dom natural para vendas.
Depois da morte de nossa mãe, que era seu grande exemplo e representava para todos nós a segurança e proteção, ele pode iniciar uma nova fase de sua vida.
Agora está sendo convidado a relaxar, soltar as amarras, dispensar defesas que hoje, mais o impedem que protegem e inaugurar um novo tempo.
Neste momento, ele já pode viver seus dias com mais calma e tranquilidade, dedicando-se mais a si mesmo, fazendo o que gosta de fazer, sem cobranças, sem expectativas, apenas saboreando os acontecimentos, expressando suas habilidades e exercendo suas funções de irmão mais velho, no que toca à proteção, orientação e esclarecimento. E podendo estar mais livre para se dedicar à esposa e ao filho, para os seus passeios, os contatos com os amigos ou simplesmente para ouvir o canto dos seus pássaros, uma de suas paixões.
Hoje é seu aniversário, quando completa 67 anos. E você merece de todos nós, seus irmãos, o reconhecimento de tudo que representa em nossas vidas e o agradecimento sincero por tudo que fez e continua a fazer por nós.
Um grande abraço, com todo o meu afeto, carinho e agradecimento. Beijos e um feliz aniversário.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Liberdade

O chão perdeu a firmeza. Tudo balança. Fico meio tonta. O peito oprimido revela o medo. Quero escapar, de dias de limitação, das amarras, da incoerência e de observar a hegemonia do absurdo. Vejo o mal avançar e destruir, impedir e desagregar. Nada posso fazer. Ele tenta me engolfar e eu tento me libertar. Poderia me liberar sozinha, mas não quero deixar para trás aquilo que valorizo. O meu conflito é esse. O meu ego é uma série de capas que foram sendo colocadas e que me isolam de mim mesma, que me impedem, limitam, trazem um peso desnecessário. Se eu abro mão de tudo isso, de tudo que sou, que fui até hoje, que construí, do que há em torno, do que acredito, da ordem que pensei existir, imediatamente sou leve, sou livre, sou solta. Sou inocente outra vez e apenas sigo. Observando e sendo o que sou de verdade, incólume ao que me cerca.