sexta-feira, 12 de março de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

Hermógenes

Não pules ansioso e ávido querendo agarrar estrelas.
Senta-te quieto e mudo e esquece-as inteiramente.
Quando teu silêncio fizer de ti uma estrela, uma das do céu descerá para brincar contigo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Hermógenes

Enquanto ansiamos pela Paz não a alcançamos.
Ansiedade e Paz são antíteses. Nunca se juntam.

terça-feira, 9 de março de 2010

Uma Doença Chamada Plano de Saúde

Se a saúde pode ser definida como um estado de bem-estar físico, mental e espiritual em que o sujeito pode estar apto a atender aos mais altos fins de sua existência, a doença mais prevalente nos dias de hoje é a que resulta de possuir um plano de saúde.
Quem pode ficar sossegado depois de adquirir um título de empresa de saúde?
Apesar dos comerciais com belas imagens de pessoas esbanjando saúde e mensagens subliminares equivalentes aos produzidos por fabricantes de cigarros, é evidente que nunca mais o assistido terá paz nos dias que lhe restarem para viver.
E isso acontece porque é quase impossível receber “dez com louvor” após precisar se submeter a uma avaliação por um clínico conveniado. As chances de ser enviado para consultar outros especialistas são altíssimas, mesmo se a pessoa é quase assintomática.
É que a Medicina de hoje, altamente tecnológica, é exercida por esses profissionais impessoais, que se portam de forma indigna do juramento que fizeram, que são medrosos e que não estão dispostos a assumir responsabilidades, antes preferindo resguardarem-se, solicitando quase sempre uma infindável lista de exames, ao invés de se aterem a ouvir o paciente com cuidado e buscar um diagnóstico que seja individualizado para o cliente.
E nessa busca desenfreada por explicar sintomas que, freqüentemente, se relacionam com vivências cotidianas, questões psicológicas ou distúrbios funcionais que não aparecem nos exames, mas que podem ser entendidos e resolvidos através da escuta atenciosa e interação com o paciente, fazendo a integração dos mesmos, muito dinheiro é despendido inutilmente na realização de exames de laboratório, de imagem e exames funcionais, totalmente desnecessários.
E é preciso que se diga que o maior desperdício não é do dinheiro em si, mas da própria saúde do sujeito que perde suas energias se consumindo num trabalho inglório e estressante de solicitar autorização das empresas para realizar determinados exames, marcá-los num tempo hábil, perder seu precioso tempo para fazê-los, aguardar ansiosamente os resultados com o coração na mão, depois de passar pelos constrangimentos, dores e dificuldades do exame em si e, finalmente, ter o veredicto dos médicos que, não raramente são incapazes de resolver os resultados conflitantes e acabam pedindo ainda outras novas provas para elucidar os mistérios que eles mesmos ajudaram a produzir, tanto por ficarem mais perdidos do que cego em tiroteio, pela deficiência da história mal colhida e exames físicos incompletos quanto pela possibilidade freqüente e inerente a cada exame de ter falsos positivos ou negativos.
É inegável que para aqueles que apresentam doença aguda ou crônica com expressão no plano físico ou cujo diagnóstico dependa de exames específicos ou avaliação por especialistas, o cliente possuir um bom plano de saúde representa uma comodidade tanto para o médico como para o doente e por vezes é mesmo indispensável, apesar dos problemas, tendo em vista nosso atual sistema de saúde pública tão precário e ineficiente.
E é assim que caminha a Medicina com a sua impessoalidade, sua alta tecnologia fria e desconcertante, seus erros patéticos e injustificáveis, seus processos cada vez mais freqüentes, perdendo apenas para seus protocolos, classificações, procedimentos e medicamentos de última geração.
Que saudades do tempo em que era possível ter um clínico que atendia a família, que era amigo e íntimo e no qual podíamos confiar, que considerava a sua obrigação profissional estar junto do paciente em todos os momentos para promover a cura, não da doença, mas do paciente, sabendo das suas limitações, não posando de Deus Todo Poderoso, mas com a autoridade de quem está ali para melhorar a condição do sujeito, que usa a sua pessoa, a sua palavra, a sua intenção, a sua sabedoria e o seu amor para exercer a sua profissão com dignidade.
Apesar do estrago sem precedentes que os planos de saúde trouxeram para o exercício digno da Medicina, ainda existem esses raros profissionais. E quem topar com um desses pela frente, agarre-o com unhas e dentes e cuide de preservá-los, desde que não em cativeiro porque estão em extinção, mas são livres por natureza.

sábado, 6 de março de 2010

Parabéns, Heloísa e Marcelo!

Hoje é o casamento do meu sobrinho e eu sou a madrinha. Pensei no que diria aos noivos nesse importante momento de suas vidas.
Eles já se conhecem há um bom tempo, sabem que se amam muito e desejam viver juntos formando uma nova família.
E agora vão descobrir o que é viver com outra pessoa, como cada um realmente é no contato com o outro. E essa experiência é inédita para os dois.
Digo a eles então que a realidade cotidiana será mais doce, a casa deles terá mais harmonia, luz e felicidade se ambos tiverem como objetivo maior concretizar a felicidade do outro. Parece ilógico que alguém deva se responsabilizar pela felicidade de outra pessoa, mas o simples desejo de fazer feliz quem você ama, tentando descobrir o que agrada e o que desagrada àquela pessoa e, sendo uma atitude de ambos, no mínimo é capaz de facilitar o relacionamento. E para que a receita seja eficaz, é fundamental a sinceridade no que diz respeito à emoção.
É importante ter uma comunicação aberta, sem subterfúgios, sem jogos ou insinuações, sendo capaz de dizer ao outro exatamente como se sente, qual o impacto que palavras, gestos e atitudes do companheiro têm sobre a sua emoção.
Dessa forma clara será possível perceber os problemas que surgirem ao longo da vida, não deixando pendências no relacionamento que poderiam gerar o enfraquecimento da aliança que foi prometida para os dias felizes e também para os momentos difíceis da vida do casal.

Que dentro desse espírito de união, amor e sinceridade, vocês possam construir uma família muito feliz, num lar harmonioso, pródigo e iluminado. Felicidade!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Hermógenes

Se as coisas lá de fora te amedrontam e te perturbam é que até agora ainda desconheces a silenciosa e sutil fortaleza de Paz que está dentro de ti.
É paraíso. Segurança. Plenitude.
Mergulha.
Para dentro.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Hermógenes

Neste mundo bélico, “lógico”, psicodélico, tecnológico, competitivo, erótico, dispersivo, neurótico, violento, pseudo-artístico, virulento, tão “normal”, tão “intelectual”, tão superfície, tão oco, tão agitado, tão louco, tão material, tão hedonista e sem rumo... os poucos que têm Paz são “marginais”.
Marginalizemo-nos. Mergulhemos na Paz.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Buda: “Importante é Como Falar”

Aqueles que encontram as palavras certas nunca ofendem ninguém. E, no entanto, eles falam a verdade. Suas palavras são claras, mas jamais ásperas. Eles não recebem ofensas e não as dão.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Felicidade

Brilha o sol com intensidade, logo de manhã,
Convidando toda a gente para viver com afã.
Que alegria será esta que brota no coração
Sempre que ele aparece dissipando a escuridão?

Há quem goste dos dias nublados
Com friozinho que chama o aconchego.
Mas vejam, parece inegável que é a luz
Que mais desperta o nosso desejo.

O sol assanha as pessoas e faz todo mundo sorrir.
Esquenta até mesmo as entranhas aguçando o sentir.
Dá vontade de sair dançando, abraçando quem encontrar,
Pintando os caminhos de sonhos e esperando o luar...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Carnaval

Carnaval é um tempo em que a realidade cotidiana dá lugar ao sonho.
E cada um de nós tem o seu.
As crianças têm a liberdade de escolher quem desejam tornar-se. E cabem, na medida, na fantasia que vestem: fadas, carrascos, pierrôs, super-heróis, colombinas, vampiros, bate-bolas. Não importa. Elas se transmutam naqueles personagens que elegeram.
Para os adultos, fica mais complicado deixar de ser o que pensam que são para manifestar outra personalidade. Geralmente, precisam de algo mais para nublar a consciência e permitir a mudança. É uma pena!
No carnaval tudo fica mais vivo. Os sentidos se aguçam e os talentos se manifestam. A profusão de cores e formas explode em criações inimagináveis que enfeitam os corpos e os lugares com luzes radiantes por toda parte.
O som é inebriante. Os acordes são arranjados magnificamente e a música só não é celestial porque o ritmo cadenciado é humano demais. As baterias descompassam o coração levando a emoção aos píncaros da glória.
Tudo é cor, tudo é luz, tudo é festa e alegria. Ou quase tudo. É inevitável lembrar do arquétipo do palhaço, daquela alegria forjada para suplantar a dor.
E aí vem a dúvida... será que esse povo que faz o carnaval na cidade é, por dentro, o que mostra na avenida nos dias de festa: só nobreza, beleza e força ou acaso tudo isso é o último vestígio de brilho que ainda sobrevive ao massacre de um cotidiano de pobreza, humilhação e medo?
Que importa? Cada pessoa é que sabe de si e nada pode tirar o que vibra dentro de cada um de nós.
E é isso que certamente explica toda a grandeza dessa festa, capaz de unir nessa arte, numa imagem harmônica, num ritmo cadenciado, num só canto, toda a diversidade de um povo que nesta hora sabe comungar num só credo. Está feita a Vossa vontade. Amamos uns aos outros como a nós mesmos. Somos feitos à Vossa imagem e perfeição. O sagrado expresso no profano.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de fevereiro do Duelos Literários: Carnaval.