sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conselho

Se tiver que aceitar imposições, faça o que puder e estiver ao seu alcance, antes de chegar onde, certamente, deseja aquele que as provocou.
Entretanto, atente para determinadas situações em que melhor seria, para não desperdiçar energia, ceder prontamente.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Leonard Wolf e o Ofício do Artista

Não pinte abstrato antes de saber desenhar a figura. Você só poderá quebrar a forma com sucesso se a tiver dominado. A estrutura é a base, depois poderá brincar com ela ou afastar-se dela ao mesmo tempo. Tem de conhecer seu ofício: na pintura ou na escrita.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rio 2016


Lá se vai o tempo em que eu tinha a preocupação de ser politicamente correta. Agora, que já passei dos 50, fico muitíssimo feliz em emitir minha opinião, por mais esdrúxula que pareça. E fico rindo por dentro, se minha verdade irreverente (já que ando quase sempre na contramão) choca os mais comportados, ainda que muitos deles talvez, no fundo, compartilhem das minhas ideias.
Assim, deixem-me confessar que depois da votação em Copenhagen, gritei a plenos pulmões: VIVA O BRASIL! BRASIL! BRASIL! BRASIL! Não que eu tenha qualquer interesse em esportes. Não mexo um músculo por nada, a não ser que tenha alguma utilidade outra que definir o corpinho, competir ou vibrar na torcida por qualquer competição. E, com toda esta preguiça, pra manter a saúde uso outras formas de exercitar o corpo e a mente.
Na verdade, não estou nem aí para futebol, Olimpíadas, Pan-Americanos, Copa do Mundo e correlatos. Mas gritei Brasil mesmo. E não foi por orgulho de ser brasileira, já que me considero cidadã do mundo e o que acontece por aqui, tirando a natureza e o coração das pessoas de bem, não motiva isso. Foi por pura esperança.
É que sou uma trabalhadora HONESTA e assim, depois de estar quase me aposentando, ainda preciso andar de ônibus. Daí, que se fizerem um décimo do que estão prometendo para o setor de transportes, quem sabe as coisas melhorem e eu não vou precisar mais ficar escrevendo aqui no blog aqueles textos carregados de indignação e revolta conclamando as pessoas (que, aliás, não aderiram ao meu movimento) a chamarem a atenção das autoridades no sentido de darem à população do Rio condições mais humanas de ir e vir.
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domingo, 4 de outubro de 2009

Leonard Wolf e o Escrever

Há milhões de pessoas talentosas que querem “escrever”. A principal diferença entre elas e os escritores verdadeiros não é talento; é que os verdadeiros escritores se sentam todos os dias e põem palavras no papel. Não há como revisar uma página em branco. Continue tentando, você vai conseguir.

sábado, 3 de outubro de 2009

Henry Thoreau e o Olhar

O mesmo sol que matura meus feijões ilumina imediatamente um sistema de terras como a nossa... Esta não era a luz em que os cultivei. As estrelas são os vértices de triângulos maravilhosos! Que seres distantes e diferentes nas várias mansões do universo estão contemplando a mesma coisa no mesmo momento! A natureza e a vida humana são tantas quantas as nossas diversas constituições... Poderia existir milagre maior para nós do que olhar através dos olhos dos outros por um momento?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Nosocômio, Hospício ou Será um Circo?

Chegando cedo para trabalhar, num tradicional hospital militar que, há alguns anos, mais parece um quartel, surpreendo-me a observar algo que é muito evidente para quem se dispuser a enxergar.
Passo pela portaria pequena, onde há pelo menos cinco militares de prontidão, dois deles apenas para tomar conta dos funcionários que chegam para trabalhar. A julgar pelas suas aparências, estão sempre de mau-humor e com um jeito ameaçador (também, o que poderíamos esperar de quem já acorda para fazer um trabalho tão relevante e criativo desses?). Mais adiante, vejo perfilada outra legião de militares, homens e mulheres que dispensam pelo menos trinta minutos preciosos dos seus dias para saudar de forma histérica o diretor quando chega, faça sol ou chuva. Todos eles igualmente tensos, com caras de poucos amigos e vejo que um deles, de patente mais alta, fica destacado, próximo ao ponto onde irá estacionar o carro que traz a ilustre figura do militar comandante. Este então, traz na fisionomia todo o peso e humilhação da tarefa diária a que deve se submeter por imposição da hierarquia.
Sigo estupefata, rindo por dentro de pensar que quanto menor a substância, maior a empáfia, quando percebo que existe ainda um outro militar ao lado de um cone, que permanece por horas a fio, de pé, apenas para impedir que carros que não pertençam à cúpula da direção atravessem. Este mostra sinais evidentes de cansaço e desalento, já a esta hora da manhã.
E enquanto os dirigentes dessa casa se importam somente com detalhes de limpeza e apresentação das fachadas e tratam como cachorros ou bandidos os seus funcionários, para encobrir as falhas de administração gritantes, calamitosas, que trazem um risco cada vez maior para os seus usuários que imaginam ter um bom plano de saúde, nada melhora para aqueles que são lúcidos, bons profissionais, têm responsabilidade e ética. E, por incrível que possa parecer, é sempre capaz de piorar com a evasão crescente de profissionais, sucateamento de equipamentos e deficiência de materiais de consumo básicos.
E cresce o número de óbitos a cada dia, enquanto nas reuniões a cúpula alardeia falsamente, que este hospital só tem qualidades e padrão classe A no atendimento.
Finalmente, encontro com uma figura sorridente, cheia de disposição, carregando mangueiras, pás, ancinhos e uma foice apoiada com o pescoço, que me cumprimenta efusivamente e segue com entusiasmo para trabalhar de verdade, já que os jardins desse lugar constituem a única beleza e espelham a ordem da natureza. Os demais funcionários continuam, tristemente, encenando as suas farsas cotidianas, uma vez que é difícil coadunar compaixão, espírito científico e ética com hierarquia.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tudo Passa

Quanta coisa abandonamos pelo caminho!...
Sonhos, crenças, amigos, ideais...
O tempo traga, sem percebermos,
Tudo a que não nos ligamos mais.

Só fica para sempre (se é que isso existe)
O que passou a fazer parte de nós,
Aquilo que regamos com a água bendita do amor,
Que olhamos, e lembramos, se estamos sós.

Abandonamos o que aos poucos em nós perde o viço
E somos deixados por quem se desinteressou...
Mas há coisas que acabam dando sumiço,
Mesmo se delas cuidamos com amor.

É que cada coisa na vida tem seu tempo
E há o tempo certo de cada coisa nos deixar.
Melhor seguir praticando o desapego,
Viver o momento inteiramente, ser capaz de abandonar.

Ousar seguir prendendo-se a nada,
Voar mais alto, se preciso for,
Pois os únicos laços, nesta longa estrada,
Que jamais se rompem, são os do Amor...
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Este post faz parte da blogagem coletiva de setembro do Duelos Literários: Abandono.

Abandonada

Sozinha entre iguais desconhecidos
E abandonada pela sensatez
Disfarço e ando solta. Faz sentido?
Incrível essa minha desfaçatez!

Pareço pensar como todo mundo
Ninguém imagina o que em minha mente vai
Se pudessem lê-la nesse segundo
Veriam, claramente, a causa dos meus ais.

É que meu universo é tão sombrio
Que parece para nada haver esperança
Eu me debato sempre nesse caudaloso rio
Enquanto aguardo (paradoxo) a bonança.

E vou tocando os dias sempre iguais
Fazendo só o que deve ser feito
Sem cor, sem brilho, só fatos banais...
Pois que o problema é o olhar que não endireito.

Chamem de depressão ou de falta de graça
Não importa o nome que se dê
O fato é que não consigo escapar da trapaça
Que o mundo fez comigo ou eu mesma fui capaz de fazer.

É isso mesmo, vejo claramente agora
Não é Deus nem o mundo, sou eu que me abandono
E pra poder dar uma reviravolta nessa hora
Ao invés de me vitimizar, só tendo comigo o definitivo confronto.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de setembro do Duelos Literários: Abandono.

Abandono

Como o patinho feio que sendo cisne entre os patos, sem saber quem realmente era, sentia-se diferente e era quase sempre rechaçado pelos falsos iguais, eu vivi antes de encontrar você.
Mas, quando nos olhamos pela primeira vez e o impacto do encontro de almas iguais se fez sentir e foi com o tempo se manifestando e trazendo para nós duas a tranquilidade de saber que era possível sermos e nos expressarmos exatamente como éramos, tudo mudou e abriram-se portas para nós. Seguimos depois por caminhos diferentes. Entretanto, sabermos que cisnes existiam acalmou nosso coração que, apesar de participar de outras histórias, sempre bateu com a esperança do reencontro e, finalmente, a paz. E assim se deu num dia inesquecível em que foi possível explodir o amor verdadeiro e, desde então, entrelaçamos nossas almas e deslizamos suavemente no lago azul chumbo da vida, sendo o que somos, felizes, irradiando a luz de oitavas superiores. E o que parecia abandono, a sensação de estar perdido como um extraterrestre, mostrou-se reconhecimento e êxtase.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de setembro do Duelos Literários: Abandono.

Abandono

Quantas de nós se abandonam
E já nem sabem ao menos quem são.
Deixaram pelo caminho perdidos
Crenças, sonhos, amores, vocação.
E foram sendo levadas
Pelo que era esperado delas.
Seguiam com a manada
Cegas, sem vontade, acuadas.

Hoje são encarquilhadas na mente.
E no coração em pedaços, sangram.
Viraram frangalhos, robôs dementes.
Enterraram fundo a natureza selvagem, o âmago.

É preciso tentar voltar a ser.
Descobrir quem somos na realidade.
Não há mesmo o que temer
Em se mostrar na sua verdade.
E isso é revitalizante para o corpo:
Voltar a ser animado pela alma liberta.
E, sem amarras, quebrando as defesas, inverter o jogo.
Brincar, fluir, soltar a voz, deixar as janelas abertas.

A mulher selvagem não segue regras simplesmente.
Espontânea e solta, olha para o abjeto com coragem.
Vive o amor, o sexo, solta o espírito, é coerente.
Expressa sua verdadeira natureza, não importa a imagem.
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Este post faz parte da blogagem coletiva de setembro do Duelos Literários: Abandono.