sábado, 5 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Sobre o Amor
O amor só se realiza plenamente quando, após o deslumbramento inicial em que as expectativas são de receber o melhor, o belo, o delicado e o maravilhoso como únicas possibilidades, encaramos a realidade. Passada a correria na tentativa de se esconder (de si mesmo), podemos ser capazes de olhar a morte subjacente, enxergando e aceitando o que há de pior e, finalmente, fazendo renascer a carne, mas só depois de juntar os ossos num ser reconhecível e passível de ser amado.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Ratos
Eles estão jogados, caídos, subjugados, presos nas ruas, dormindo entre ratos, sonhando com a humanização possível(?).
Meninos perdidos, sujos, sem consciência, manchados com a nódoa das ruas, refletindo toda a sujeira e descaso dos que por eles passam sem os enxergar.
Arrasados, desfalecem sob o sol a pino do verão, em qualquer lugar, e só não irão morrer se forem despertados à força e levados por mãos compassivas, que ainda existem, para a sombra. Porque, no seu declínio de todas as horas, não reconhecem a luz, seu locus é lúgubre eternamente.
Esses meninos vão morrer e não deveriam, tão cedo! Famílias inteiras se desintegram e ocupam as ruas. Eles não se refugiam nas ruas mais desertas, ficam intencionalmente nas ruas principais. Mas não os enxergam! O que esperam da vida? Há vida para eles? O que lhes proporciona o crack? Que lacunas são preenchidas neles?
Será que no barato da droga, no êxtase tão efêmero onde se “integram”, onde naquele instante cada um deles é um com o todo, vale todo o resto do tempo, em que continuam excluídos, à margem, no lixo, dividindo com os ratos o espaço, imitando deles a respiração rápida e superficial que não faz parte da sua própria natureza e que advém do medo?
Eles são feitos ratos. São ratos que fedem, cinzentos, rápidos, fugidios, rechaçados, inspirando medo quando de fato só precisam de proteção.
E se são ratos por estarem assim, então porque os ratos que estão no poder não os veem? Por que não reconhecem sua mesma natureza de ratos, usurpadores do que não lhes pertence e direcionam recursos oriundos dos impostos arrancados covardemente dos trabalhadores para transformar essa triste realidade das ruas?
A quem pertencem esses meninos?
Só os compassivos se ocupam deles que, deslocados, continuam proliferando nas ruas, ameaçando quem passa com a barbárie por efeito das drogas e levando junto aqueles que ainda não se transmutaram em ratos também.
Quem será capaz de proteger-lhes de si mesmos?
Que programa social de verdade pretenderá modificar-lhes o destino realmente?
Não podem ser deixados à deriva simplesmente. Se assim for, arrastarão para o fundo aqueles que se julgam a salvo nos seus lares.
Urge que se faça alguma coisa para reverter essa situação absurda e desumana, senão por amor, ao menos por algo tão humano como o egoísmo, prevenindo o que está certo:
QUE PROLIFEREM CADA VEZ MAIS OS RATOS E TRAGAM A PESTE QUE DIZIMARÁ A TODOS – A PESTE NEGRA DA FALTA DE COMPAIXÃO.
Meninos perdidos, sujos, sem consciência, manchados com a nódoa das ruas, refletindo toda a sujeira e descaso dos que por eles passam sem os enxergar.
Arrasados, desfalecem sob o sol a pino do verão, em qualquer lugar, e só não irão morrer se forem despertados à força e levados por mãos compassivas, que ainda existem, para a sombra. Porque, no seu declínio de todas as horas, não reconhecem a luz, seu locus é lúgubre eternamente.
Esses meninos vão morrer e não deveriam, tão cedo! Famílias inteiras se desintegram e ocupam as ruas. Eles não se refugiam nas ruas mais desertas, ficam intencionalmente nas ruas principais. Mas não os enxergam! O que esperam da vida? Há vida para eles? O que lhes proporciona o crack? Que lacunas são preenchidas neles?
Será que no barato da droga, no êxtase tão efêmero onde se “integram”, onde naquele instante cada um deles é um com o todo, vale todo o resto do tempo, em que continuam excluídos, à margem, no lixo, dividindo com os ratos o espaço, imitando deles a respiração rápida e superficial que não faz parte da sua própria natureza e que advém do medo?
Eles são feitos ratos. São ratos que fedem, cinzentos, rápidos, fugidios, rechaçados, inspirando medo quando de fato só precisam de proteção.
E se são ratos por estarem assim, então porque os ratos que estão no poder não os veem? Por que não reconhecem sua mesma natureza de ratos, usurpadores do que não lhes pertence e direcionam recursos oriundos dos impostos arrancados covardemente dos trabalhadores para transformar essa triste realidade das ruas?
A quem pertencem esses meninos?
Só os compassivos se ocupam deles que, deslocados, continuam proliferando nas ruas, ameaçando quem passa com a barbárie por efeito das drogas e levando junto aqueles que ainda não se transmutaram em ratos também.
Quem será capaz de proteger-lhes de si mesmos?
Que programa social de verdade pretenderá modificar-lhes o destino realmente?
Não podem ser deixados à deriva simplesmente. Se assim for, arrastarão para o fundo aqueles que se julgam a salvo nos seus lares.
Urge que se faça alguma coisa para reverter essa situação absurda e desumana, senão por amor, ao menos por algo tão humano como o egoísmo, prevenindo o que está certo:
QUE PROLIFEREM CADA VEZ MAIS OS RATOS E TRAGAM A PESTE QUE DIZIMARÁ A TODOS – A PESTE NEGRA DA FALTA DE COMPAIXÃO.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Olhos Negros
Solidão dilacera meu corpo neste momento sem glórias. Tropeço pelo caminho feito de misérias em que sigo como única opção ao desfalecimento definitivo e morte.
Não encontro quem me apoie. Eu tenho que ser meu próprio esteio quando a sentença é olhar a morte cara a cara.
É uma iniciação. É mais uma depois de tantas e não me amedronto. Sei que posso olhar agora o que de mais horroroso se apresentar. Desconheço as máscaras que pretensos salvadores insistem em usar. Não as quero intuir também. É preciso lidar com as personas na forma que tiverem. E apenas ter o conhecimento de que são apenas máscaras.
Procuro na vida o conhecimento puro, aquele que provém da experiência. E devo vivenciar a dualidade de todas as coisas, por mais que isto me custe.
O que é mais difícil é ser subjugada e admitir, na caminhada, trechos que foram repudiados e rejeitados anteriormente e que, em dado momento, se constituem no aprendizado mais valioso. Afinal, faz-se necessário vencer a si mesmo antes de ser aceito como iniciado.
Procuro a natureza real das coisas e neste caso é preciso estar sozinho, ser absolutamente aberto no olhar e não ter medo de ver. Buscar ver, desvendar o que não se mostra, esclarecer o que é dissimulado. É isso o que eu desejo.
E no caminho da descoberta do que é real, imagino que sou apenas dois grandes olhos pretos e perscrutadores.
Não encontro quem me apoie. Eu tenho que ser meu próprio esteio quando a sentença é olhar a morte cara a cara.
É uma iniciação. É mais uma depois de tantas e não me amedronto. Sei que posso olhar agora o que de mais horroroso se apresentar. Desconheço as máscaras que pretensos salvadores insistem em usar. Não as quero intuir também. É preciso lidar com as personas na forma que tiverem. E apenas ter o conhecimento de que são apenas máscaras.
Procuro na vida o conhecimento puro, aquele que provém da experiência. E devo vivenciar a dualidade de todas as coisas, por mais que isto me custe.
O que é mais difícil é ser subjugada e admitir, na caminhada, trechos que foram repudiados e rejeitados anteriormente e que, em dado momento, se constituem no aprendizado mais valioso. Afinal, faz-se necessário vencer a si mesmo antes de ser aceito como iniciado.
Procuro a natureza real das coisas e neste caso é preciso estar sozinho, ser absolutamente aberto no olhar e não ter medo de ver. Buscar ver, desvendar o que não se mostra, esclarecer o que é dissimulado. É isso o que eu desejo.
E no caminho da descoberta do que é real, imagino que sou apenas dois grandes olhos pretos e perscrutadores.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Virtude, Beleza e Vontade
Nem virtude, nem beleza...
Quem pode abrir as portas nesta vida
É somente a vontade empedernida.
Quem pode abrir as portas nesta vida
É somente a vontade empedernida.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Metáfora da Rendição
Estrelas se acendem em sequência,
Iluminando o negror do céu sem lua,
Todas as vezes que minha mente pensa
Que naquele momento minha boca é sua.
E o meu corpo aquecido se umedece
Como pétalas orvalhadas na madrugada
Que enfim se mostram. E rejuvenesce
Nas manhãs se abrindo em flor, sua amada.
Como é difícil conceber a minha vida
Sem a certeza de encontrar o seu olhar,
Farol que me protege das tormentas.
Eu que aprendi a me lançar em alto mar...
E então movida pela saudade que castiga,
Sem que exista ainda uma outra forma de chegar,
Peço perdão e rogo a os deuses com essa missiva:
Volte pra mim, meu coração é seu lugar.
Iluminando o negror do céu sem lua,
Todas as vezes que minha mente pensa
Que naquele momento minha boca é sua.
E o meu corpo aquecido se umedece
Como pétalas orvalhadas na madrugada
Que enfim se mostram. E rejuvenesce
Nas manhãs se abrindo em flor, sua amada.
Como é difícil conceber a minha vida
Sem a certeza de encontrar o seu olhar,
Farol que me protege das tormentas.
Eu que aprendi a me lançar em alto mar...
E então movida pela saudade que castiga,
Sem que exista ainda uma outra forma de chegar,
Peço perdão e rogo a os deuses com essa missiva:
Volte pra mim, meu coração é seu lugar.
Este post faz parte da blogagem coletiva de agosto do Duelos Literários: Cartas de Amor.
domingo, 30 de agosto de 2009
Virtude e Beleza
Ter virtude pode honrar alguém, mas abrir portas para o sucesso, somente se entrar junto a beleza.
sábado, 29 de agosto de 2009
Liberdade
Toda abelha quer ser livre.
Claro que sabe o que é bom.
Sair da colmeia e ter seu arbítrio,
Fazer o mel no seu próprio tom.
Claro que sabe o que é bom.
Sair da colmeia e ter seu arbítrio,
Fazer o mel no seu próprio tom.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Verdade - Clarice Lispector
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
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