quarta-feira, 10 de junho de 2009
Conselho
Tente fazer do seu jeito, ainda que não tenha qualquer elogio. Fuja de repetir só para merecê-lo ou é um sujeito vazio.
Faço Minhas as Suas Palavras
Fui tomada de grande alívio ao ler um artigo escrito por uma patologista que foi editora da New England por vinte anos, para uma revista da Fiocruz de março deste ano (Radis 79, p. 30-33).
A corajosa médica denuncia um esquema de corrupção envolvendo a classe médica, com relação às pesquisas realizadas nos Estados Unidos, patrocinadas e manipuladas por grandes grupos farmacêuticos.
No importante e surpreendente artigo, são expostas diversas outras práticas de profissionais médicos (pesquisadores, professores, catedráticos) formadores de opinião que, vergonhosamente, por ganhos materiais de grandes proporções, colocam em risco a saúde das pessoas e a credibilidade e ética de outros médicos, pesquisadores e das publicações feitas por profissionais responsáveis e íntegros.
É impressionante a que ponto a classe médica se deixou corromper e prostituir, deixando qualquer idealismo virar coisa do passado.
Aqui no Brasil imagina-se, ou melhor, sabe-se que acontece o mesmo. E, se não existir vontade e coragem de pessoas incorruptíveis para reverter esta situação inaceitável, as consequências no futuro serão ainda mais desastrosas.
Em minha prática de 28 anos como patologista em dois grandes hospitais gerais do Rio de Janeiro (sendo a Anatomia Patológica uma especialidade médica que funciona como controle de qualidade) e como homeopata há 20 anos, com estudos aprofundados que me permitem uma abordagem holística do paciente, considerando a doença como guia no processo de aprimoramento do ser, tenho observado que a prática médica vem deteriorando progressivamente. E as pessoas, hoje, principalmente as que possuem planos de saúde, quase sempre são tratadas de forma compartimentada por profissionais despreparados que muitas vezes brincam de fazer ciência ou são exímios leitores de bulas farmacêuticas, enquanto deixam de raciocinar clinicamente sobre os sintomas, tratando apenas de suprimi-los sem antes buscar a mensagem que trazem e permitir a sua integração pela pessoa doente.
Assim, proliferam agora os “novos” diagnósticos de patologias já conhecidas que trocam de nome e passam, mesmo se forem problemas simples ou variações da normalidade, a requerer tratamento com drogas potentes, com efeitos colaterais cada vez maiores. O referido artigo destaca o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e transtorno bipolar em crianças, depressões, transtorno de fobia social (timidez) como alguns diagnósticos muito frequentes hoje, baseados em interpretações de sintomas que tentam adequar os pacientes aos diagnósticos pretendidos e que têm levado profissionais desavisados, ignorantes e/ou mal intencionados a prescreverem cada vez mais medicamentos, mais potentes e perigosos, muitas vezes sem necessidade.
Se a corrupção está à solta, se a ética desapareceu, se a consciência dos profissionais deixou de prevalecer, o que fazer?
Penso que é simples: pesquisas, informações, novidades devem servir aos profissionais como base de estudo e reflexão para que daí cada profissional estruture a sua prática, que deve ser calcada sobretudo na observação do paciente: na escuta atenciosa do que ele relata, em relação ao que sente e percebe em si e como evoluem os sintomas, como o seu organismo reage e como o tratamento medicamentoso atua sobre ele. Acho que também é preciso dar tempo ao corpo para reagir, evitando intervenções medicamentosas desnecessárias e prejudiciais.
Outro ponto importante que foi levantado diz respeito às “novas descobertas” na área médica veiculadas pela mídia (vide Fantástico) e que desencadeiam verdadeira neurose em pacientes, seus responsáveis e mesmo em terapeutas, no sentido de fazer diagnósticos e instituir tratamentos. Hoje é bastante comum que pais tragam seus filhos ao médico, pedindo que ele solicite exames que eles, os pais, enumeram, simplesmente porque ouviram falar sobre a necessidade deles serem realizados. Ocorre que essas práticas só proliferam em terreno propício, ou seja, junto a profissionais despreparados, inseguros, de egos insuflados e que, ainda por cima, acabam tirando vantagem da situação, com maiores lucros para as suas clínicas e ajudando a enriquecer as empresas de planos de saúde.
Mas tenho certeza de que nem tudo está perdido, já que o caos que existe hoje na saúde, com a incompetência dos governantes e o descompromisso da classe médica com a sua honra e a saúde dos pacientes, inevitavelmente levará as pessoas a concluírem que é imprescindível que cada um passe a se responsabilizar pela sua saúde, buscando informações e estando atento na hora de escolher o profissional que seja necessário para ajudá-lo, através de observação acurada da sua prática técnica, mas, sobretudo, da sua pessoa, que transparece em suas atitudes e postura. E que, acima de tudo, possam compreender que todos nós dispomos da capacidade de autocura que pode ser despertada com a focalização do Eu interior, através de práticas de meditação, por exemplo, ou simplesmente sabendo que temos esta capacidade e aprendendo a estimulá-la com a mente e esperar que se manifeste. É claro que, dependendo do grau de comprometimento e do caso clínico em questão, será necessário e de melhor indicação contar com ajuda profissional. Mas, nem sempre, esta é a regra.
Percebemos que as pessoas, atualmente, em sua maioria, vivem reféns do medo de adoecer, se desesperam, correm para buscar fora o que têm dentro como recursos de cura e, frequentemente, a evolução acaba sendo pior do que seria se deixada seguir normalmente, sem intervenção. Isto ocorre, comumente, nos casos de viroses, onde o uso indiscriminado de antibióticos é desastroso, só para citar um exemplo.
Dessa forma, eu me senti amparada nas minhas idéias e louvo a atitude de coragem, ética, responsabilidade, inteligência, abertura mental (acompanhando o desenvolvimento de novas descobertas em variados campos de estudo), profissionalismo e exercício de consciência dessa excelente médica.
Essa profissional se arrisca, denunciando que as pesquisas com medicamentos são dirigidas, gerenciadas pelas grandes empresas farmacêuticas, que conduzem as pesquisas, controlam a apresentação dos resultados, excluindo o que não lhes interessa que seja mostrado.
E aí? Dá para confiar nos resultados de pesquisas sobre as doenças e seus tratamentos? Os próprios profissionais poderão confiar nos efeitos prometidos de atuação das drogas, posologias e ausência de efeitos colaterais?
É mais prudente desconfiar sempre e basear sua prática naquilo que é tradicionalmente eficaz, sem deixar de acompanhar o progresso da ciência, mas só depois de deixar assentarem os modismos e separar com muita diligência o joio do trigo. Dessa forma prosseguem com ótimos resultados as Medicinas Tradicionais Chinesa e Indiana.
A corajosa médica denuncia um esquema de corrupção envolvendo a classe médica, com relação às pesquisas realizadas nos Estados Unidos, patrocinadas e manipuladas por grandes grupos farmacêuticos.
No importante e surpreendente artigo, são expostas diversas outras práticas de profissionais médicos (pesquisadores, professores, catedráticos) formadores de opinião que, vergonhosamente, por ganhos materiais de grandes proporções, colocam em risco a saúde das pessoas e a credibilidade e ética de outros médicos, pesquisadores e das publicações feitas por profissionais responsáveis e íntegros.
É impressionante a que ponto a classe médica se deixou corromper e prostituir, deixando qualquer idealismo virar coisa do passado.
Aqui no Brasil imagina-se, ou melhor, sabe-se que acontece o mesmo. E, se não existir vontade e coragem de pessoas incorruptíveis para reverter esta situação inaceitável, as consequências no futuro serão ainda mais desastrosas.
Em minha prática de 28 anos como patologista em dois grandes hospitais gerais do Rio de Janeiro (sendo a Anatomia Patológica uma especialidade médica que funciona como controle de qualidade) e como homeopata há 20 anos, com estudos aprofundados que me permitem uma abordagem holística do paciente, considerando a doença como guia no processo de aprimoramento do ser, tenho observado que a prática médica vem deteriorando progressivamente. E as pessoas, hoje, principalmente as que possuem planos de saúde, quase sempre são tratadas de forma compartimentada por profissionais despreparados que muitas vezes brincam de fazer ciência ou são exímios leitores de bulas farmacêuticas, enquanto deixam de raciocinar clinicamente sobre os sintomas, tratando apenas de suprimi-los sem antes buscar a mensagem que trazem e permitir a sua integração pela pessoa doente.
Assim, proliferam agora os “novos” diagnósticos de patologias já conhecidas que trocam de nome e passam, mesmo se forem problemas simples ou variações da normalidade, a requerer tratamento com drogas potentes, com efeitos colaterais cada vez maiores. O referido artigo destaca o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e transtorno bipolar em crianças, depressões, transtorno de fobia social (timidez) como alguns diagnósticos muito frequentes hoje, baseados em interpretações de sintomas que tentam adequar os pacientes aos diagnósticos pretendidos e que têm levado profissionais desavisados, ignorantes e/ou mal intencionados a prescreverem cada vez mais medicamentos, mais potentes e perigosos, muitas vezes sem necessidade.
Se a corrupção está à solta, se a ética desapareceu, se a consciência dos profissionais deixou de prevalecer, o que fazer?
Penso que é simples: pesquisas, informações, novidades devem servir aos profissionais como base de estudo e reflexão para que daí cada profissional estruture a sua prática, que deve ser calcada sobretudo na observação do paciente: na escuta atenciosa do que ele relata, em relação ao que sente e percebe em si e como evoluem os sintomas, como o seu organismo reage e como o tratamento medicamentoso atua sobre ele. Acho que também é preciso dar tempo ao corpo para reagir, evitando intervenções medicamentosas desnecessárias e prejudiciais.
Outro ponto importante que foi levantado diz respeito às “novas descobertas” na área médica veiculadas pela mídia (vide Fantástico) e que desencadeiam verdadeira neurose em pacientes, seus responsáveis e mesmo em terapeutas, no sentido de fazer diagnósticos e instituir tratamentos. Hoje é bastante comum que pais tragam seus filhos ao médico, pedindo que ele solicite exames que eles, os pais, enumeram, simplesmente porque ouviram falar sobre a necessidade deles serem realizados. Ocorre que essas práticas só proliferam em terreno propício, ou seja, junto a profissionais despreparados, inseguros, de egos insuflados e que, ainda por cima, acabam tirando vantagem da situação, com maiores lucros para as suas clínicas e ajudando a enriquecer as empresas de planos de saúde.
Mas tenho certeza de que nem tudo está perdido, já que o caos que existe hoje na saúde, com a incompetência dos governantes e o descompromisso da classe médica com a sua honra e a saúde dos pacientes, inevitavelmente levará as pessoas a concluírem que é imprescindível que cada um passe a se responsabilizar pela sua saúde, buscando informações e estando atento na hora de escolher o profissional que seja necessário para ajudá-lo, através de observação acurada da sua prática técnica, mas, sobretudo, da sua pessoa, que transparece em suas atitudes e postura. E que, acima de tudo, possam compreender que todos nós dispomos da capacidade de autocura que pode ser despertada com a focalização do Eu interior, através de práticas de meditação, por exemplo, ou simplesmente sabendo que temos esta capacidade e aprendendo a estimulá-la com a mente e esperar que se manifeste. É claro que, dependendo do grau de comprometimento e do caso clínico em questão, será necessário e de melhor indicação contar com ajuda profissional. Mas, nem sempre, esta é a regra.
Percebemos que as pessoas, atualmente, em sua maioria, vivem reféns do medo de adoecer, se desesperam, correm para buscar fora o que têm dentro como recursos de cura e, frequentemente, a evolução acaba sendo pior do que seria se deixada seguir normalmente, sem intervenção. Isto ocorre, comumente, nos casos de viroses, onde o uso indiscriminado de antibióticos é desastroso, só para citar um exemplo.
Dessa forma, eu me senti amparada nas minhas idéias e louvo a atitude de coragem, ética, responsabilidade, inteligência, abertura mental (acompanhando o desenvolvimento de novas descobertas em variados campos de estudo), profissionalismo e exercício de consciência dessa excelente médica.
Essa profissional se arrisca, denunciando que as pesquisas com medicamentos são dirigidas, gerenciadas pelas grandes empresas farmacêuticas, que conduzem as pesquisas, controlam a apresentação dos resultados, excluindo o que não lhes interessa que seja mostrado.
E aí? Dá para confiar nos resultados de pesquisas sobre as doenças e seus tratamentos? Os próprios profissionais poderão confiar nos efeitos prometidos de atuação das drogas, posologias e ausência de efeitos colaterais?
É mais prudente desconfiar sempre e basear sua prática naquilo que é tradicionalmente eficaz, sem deixar de acompanhar o progresso da ciência, mas só depois de deixar assentarem os modismos e separar com muita diligência o joio do trigo. Dessa forma prosseguem com ótimos resultados as Medicinas Tradicionais Chinesa e Indiana.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Escrever as Entrelinhas - Clarice Lispector
Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Autocrítica no Entanto Benévola - Clarice Lispector
Tem que ser benévola, porque se fosse aguda, isso talvez me fizesse nunca mais escrever. E eu quero escrever, algum dia talvez. Embora sentindo que se voltar a escrever, será de um modo diferente do meu antigo: diferente em quê? Não me interessa.
Minha autocrítica a certas coisas que escrevo, por exemplo, não importa no caso se boas ou más: mas falta a elas chegar àquele ponto em que a dor se mistura à profunda alegria e a alegria chega a ser dolorosa - pois esse ponto é o aguilhão da vida.
E tantas vezes não consegui o encontro máximo de um ser consigo mesmo, quando com espanto dizemos: “Ah!” Às vezes esse encontro comigo mesmo se consegue através do encontro de um ser com outro ser.
Não, eu não teria vergonha de dizer tão claramente que quero o máximo - e o máximo deve ser atingido e dito com a matemática perfeição da música ouvida e transposta para o profundo arrebatamento que sentimos. Não transposta, pois é a mesma coisa. Deve, eu sei que deve, haver um modo em mim de chegar a isso.
Às vezes sinto que esse modo eu o conseguiria através simplesmente de meu modo de ver, evoluindo. Uma vez senti, no entanto, que seria conseguido através da misericórdia. Não da misericórdia transformada em gentileza de alma. Mas da profunda misericórdia transformada em ação, mesmo que seja a ação das palavras. E assim como “Deus escreve direito por linhas tortas”, através de nossos erros correria o grande amor que seria a misericórdia.
Minha autocrítica a certas coisas que escrevo, por exemplo, não importa no caso se boas ou más: mas falta a elas chegar àquele ponto em que a dor se mistura à profunda alegria e a alegria chega a ser dolorosa - pois esse ponto é o aguilhão da vida.
E tantas vezes não consegui o encontro máximo de um ser consigo mesmo, quando com espanto dizemos: “Ah!” Às vezes esse encontro comigo mesmo se consegue através do encontro de um ser com outro ser.
Não, eu não teria vergonha de dizer tão claramente que quero o máximo - e o máximo deve ser atingido e dito com a matemática perfeição da música ouvida e transposta para o profundo arrebatamento que sentimos. Não transposta, pois é a mesma coisa. Deve, eu sei que deve, haver um modo em mim de chegar a isso.
Às vezes sinto que esse modo eu o conseguiria através simplesmente de meu modo de ver, evoluindo. Uma vez senti, no entanto, que seria conseguido através da misericórdia. Não da misericórdia transformada em gentileza de alma. Mas da profunda misericórdia transformada em ação, mesmo que seja a ação das palavras. E assim como “Deus escreve direito por linhas tortas”, através de nossos erros correria o grande amor que seria a misericórdia.
domingo, 7 de junho de 2009
Sobre o que o Duelos Representa para Mim
O Duelos hoje representa um espaço importante onde posso me expressar falando sobre minhas observações do mundo em que vivemos, onde falo sobre minhas experiências de vida, como enxergo as pessoas, sobre o que elas me passam, apresento minhas reflexões sobre o caos urbano, a solidão, a busca crescente pela individualidade, o egoísmo, os fatos que nos causam indignação, a política, a economia, a desigualdade social e tantas outras coisas que diariamente passam pela minha cabeça.
Representa, ainda, a possibilidade de fazer ensaios em prosa e “poesia”, onde me aventuro de forma “irresponsável” nos haikais que, para mim, são um exercício gostoso e descompromissado da síntese do pensamento. Não tenho formação técnica, nunca fui muito chegada à literatura e nem tenho talento especial nesta área. Aproveito para me desculpar com meus eventuais leitores do Duelos por minha descompromissada e despretensiosa forma de escrever, em virtude da frequencia que considero mesmo exagerada dos meus textos (é que é muito bom escrever). Mas me lembro que este espaço, segundo sua descrição no blog, está aberto para amadores que gostam de escrever e que os que os acessam têm sempre a opção de não ler, pulando os textos de autores cujo estilo não os agradar (Felizmente! Isto diminui a minha culpa. rsrs).
Penso que, eventualmente, existam algumas pessoas que aproveitem meus textos para refletir sobre temas polêmicos, que usem as informações que passo e que se referem, principalmente, à minha área de atuação (saúde) e ainda que possam compartilhar de minhas opiniões nada convencionais.
Aproveito este blog, também, para homenagear os amigos e parentes em dias festivos e enviar votos para todos em datas comemorativas.
Visito o Duelos porque ele me presta um serviço importantíssimo (me perdoem, novamente, os eventuais leitores) quando me permite, através dos textos, extravasar minhas dores, dificuldades, questionamentos, exercitar o autoconhecimento escrevendo para mim mesma, partindo do princípio de que escrever é terapêutico.
Mas, representa, principalmente, o espaço onde continuamente aprendo sobre várias coisas e sobre o outro, com os demais autores e, sobretudo, me divirto muito. Adoro participar, tenho total liberdade, me sinto entre amigos.
Representa, ainda, a possibilidade de fazer ensaios em prosa e “poesia”, onde me aventuro de forma “irresponsável” nos haikais que, para mim, são um exercício gostoso e descompromissado da síntese do pensamento. Não tenho formação técnica, nunca fui muito chegada à literatura e nem tenho talento especial nesta área. Aproveito para me desculpar com meus eventuais leitores do Duelos por minha descompromissada e despretensiosa forma de escrever, em virtude da frequencia que considero mesmo exagerada dos meus textos (é que é muito bom escrever). Mas me lembro que este espaço, segundo sua descrição no blog, está aberto para amadores que gostam de escrever e que os que os acessam têm sempre a opção de não ler, pulando os textos de autores cujo estilo não os agradar (Felizmente! Isto diminui a minha culpa. rsrs).
Penso que, eventualmente, existam algumas pessoas que aproveitem meus textos para refletir sobre temas polêmicos, que usem as informações que passo e que se referem, principalmente, à minha área de atuação (saúde) e ainda que possam compartilhar de minhas opiniões nada convencionais.
Aproveito este blog, também, para homenagear os amigos e parentes em dias festivos e enviar votos para todos em datas comemorativas.
Visito o Duelos porque ele me presta um serviço importantíssimo (me perdoem, novamente, os eventuais leitores) quando me permite, através dos textos, extravasar minhas dores, dificuldades, questionamentos, exercitar o autoconhecimento escrevendo para mim mesma, partindo do princípio de que escrever é terapêutico.
Mas, representa, principalmente, o espaço onde continuamente aprendo sobre várias coisas e sobre o outro, com os demais autores e, sobretudo, me divirto muito. Adoro participar, tenho total liberdade, me sinto entre amigos.
Sobre Minha Participação no Duelos
Quando recebi o convite para participar do Duelos, aceitei porque se destinava também a amadores que gostassem de escrever com qualquer estilo, podendo se expressar de várias formas e com liberdade total.
A ideia inicial era que as pessoas escrevessem sobre um mesmo tema (e iam sendo criadas as categorias) para que se tivesse diferentes visões sobre cada um deles. Achei muito interessante e claro que quis participar.
Como trabalho há muitos anos na área de saúde, sempre gostei de escrever e fazia isto de forma terapêutica desde adolescente, com uma frequência maior nas passagens mais difíceis da minha vida, nos momentos de perdas, nas dúvidas, inquietações, desespero mesmo, no meu longo processo de autoconhecimento que se mantém até hoje.
Assim, reunia meus textos numa pastinha que não mostrava a ninguém (cruz credo!).
Quando surgiu o Duelos, fui aos poucos enviando estes textos, de acordo com a minha preferência pessoal, fora da ordem cronológica em que foram escritos.
Depois gostei da experiência, me assanhei e quase esgotei o conteúdo da pastinha, ao mesmo tempo em que, inspirada por outros autores, resolvi escrever outras coisas além de cartas para mim mesma.
Foi assim que misturei textos com informações sobre saúde e testemunhos de fatos que observo no dia a dia na rua, na família, no trabalho. E aí virou um verdadeiro caldeirão, onde muito me agrada exercitar a observação do que é humano, vivências de qualquer um de nós.
Concordo que naquilo que escrevemos deixamos inscrita a nossa essência, ainda que ela assuma diferentes roupagens.
Mas, afinal, não é só através das palavras; de muitas formas, para quem sabe decifrar, nos expomos no dia a dia. Admiro a coragem de quem também faz isto escrevendo.
A ideia inicial era que as pessoas escrevessem sobre um mesmo tema (e iam sendo criadas as categorias) para que se tivesse diferentes visões sobre cada um deles. Achei muito interessante e claro que quis participar.
Como trabalho há muitos anos na área de saúde, sempre gostei de escrever e fazia isto de forma terapêutica desde adolescente, com uma frequência maior nas passagens mais difíceis da minha vida, nos momentos de perdas, nas dúvidas, inquietações, desespero mesmo, no meu longo processo de autoconhecimento que se mantém até hoje.
Assim, reunia meus textos numa pastinha que não mostrava a ninguém (cruz credo!).
Quando surgiu o Duelos, fui aos poucos enviando estes textos, de acordo com a minha preferência pessoal, fora da ordem cronológica em que foram escritos.
Depois gostei da experiência, me assanhei e quase esgotei o conteúdo da pastinha, ao mesmo tempo em que, inspirada por outros autores, resolvi escrever outras coisas além de cartas para mim mesma.
Foi assim que misturei textos com informações sobre saúde e testemunhos de fatos que observo no dia a dia na rua, na família, no trabalho. E aí virou um verdadeiro caldeirão, onde muito me agrada exercitar a observação do que é humano, vivências de qualquer um de nós.
Concordo que naquilo que escrevemos deixamos inscrita a nossa essência, ainda que ela assuma diferentes roupagens.
Mas, afinal, não é só através das palavras; de muitas formas, para quem sabe decifrar, nos expomos no dia a dia. Admiro a coragem de quem também faz isto escrevendo.
Sobre a Participação de Outros Autores no Duelos
Leio quase diariamente todos os textos que são postados no Duelos, desde sua criação, em 02/12/2008, ainda no Terra. Tenho todo respeito ao fazer isto porque considero um ato de coragem quando cada um expõe sua sensibilidade, suas opiniões, crenças e reflexões livremente, correndo o risco de, às vezes, ser mal interpretado.
Entendo que cada um dos leitores tem afinidades maiores com alguns autores e tenho minhas preferências, embora admire o trabalho de todos. Existem os mais soltos, os mais graves, os profundos, os originalíssimos, os contundentes, os que nos divertem com seu humor afiadíssimo, os autobiográficos, os contadores de histórias e, ainda, os que misturam todas estas habilidades. Estão todos de parabéns: os que atuam com maestria e os amadores e sem qualquer pretensão no campo das letras. Entre estes eu me incluo, aproveitando esta participação para me tornar uma pessoa melhor.
Entendo que cada um dos leitores tem afinidades maiores com alguns autores e tenho minhas preferências, embora admire o trabalho de todos. Existem os mais soltos, os mais graves, os profundos, os originalíssimos, os contundentes, os que nos divertem com seu humor afiadíssimo, os autobiográficos, os contadores de histórias e, ainda, os que misturam todas estas habilidades. Estão todos de parabéns: os que atuam com maestria e os amadores e sem qualquer pretensão no campo das letras. Entre estes eu me incluo, aproveitando esta participação para me tornar uma pessoa melhor.
sábado, 6 de junho de 2009
Charada
Deixo pegadas de sangue na trilha do tempo.
De início sou dor a dilacerar,
Depois um simples lamento.
Justifico a eterna presença do que feneceu.
Pois consolo na perda do amor que morreu.
Teço com os fios das lembranças,
A manta quente que agasalha,
Nos graves momentos de dor
Em que a falta do amor estraçalha
Trazendo o medo da mudança.
Às vezes sou o único remédio
Da relação que já virou tédio,
Porque contra mim não cabe argumento.
É melhor se render,
Quem comanda é o tempo.
Tantas vezes único consolo na terceira idade,
Ainda que isso pareça, da Vida, maldade.
Sou filha da perda e irmã do amor.
Gerada, inevitavelmente, por ela,
Dele, na distância, sou o elo mantenedor.
Atinjo pessoas de qualquer idade,
Pra mim não há limites se é amor de verdade.
Com os fios do tempo teço rede de proteção
Que minora o efeito de cair na realidade
De quem perdeu a razão de sua felicidade.
Sou o mata-borrão pro estrago
Das tintas da morte na tela da vida.
Cicatrizo, se é profunda a ferida,
Inevitável consequência
De uma paixão plenamente vivida.
De início sou dor a dilacerar,
Depois um simples lamento.
Justifico a eterna presença do que feneceu.
Pois consolo na perda do amor que morreu.
Teço com os fios das lembranças,
A manta quente que agasalha,
Nos graves momentos de dor
Em que a falta do amor estraçalha
Trazendo o medo da mudança.
Às vezes sou o único remédio
Da relação que já virou tédio,
Porque contra mim não cabe argumento.
É melhor se render,
Quem comanda é o tempo.
Tantas vezes único consolo na terceira idade,
Ainda que isso pareça, da Vida, maldade.
Sou filha da perda e irmã do amor.
Gerada, inevitavelmente, por ela,
Dele, na distância, sou o elo mantenedor.
Atinjo pessoas de qualquer idade,
Pra mim não há limites se é amor de verdade.
Com os fios do tempo teço rede de proteção
Que minora o efeito de cair na realidade
De quem perdeu a razão de sua felicidade.
Sou o mata-borrão pro estrago
Das tintas da morte na tela da vida.
Cicatrizo, se é profunda a ferida,
Inevitável consequência
De uma paixão plenamente vivida.
Calar Verdade, Falar Mentira
Expressar o que se pensa realmente sobre determinada coisa nem sempre é simples, exceto para mentes simplórias. Sim, porque é fácil ser fiel à verdade quando se trata de relatar um fato, mas não se vamos opinar sobre alguma coisa. E, mesmo se descrevemos o fato, ainda assim, estaremos dando a nossa visão dele. É fácil dizer exatamente o que se pensa sobre algo, sendo fiel à sua verdade, quando não temos medo de emitir a nossa opinião e não nos importamos com as conseqüências das nossas palavras sobre o interlocutor. Entretanto, se estivermos atentos e formos responsáveis com o que sai da nossa boca, isso será, não raras vezes, bastante melindroso. Assim, a omissão, e mesmo a mentira, poderão ser recursos valiosos para tornar nossa atuação positiva em determinada situação. Nem sempre dizer a verdade a qualquer custo é o mais recomendável, ainda que seja o mais desejável. Mas, se fôssemos crianças para sempre, seria fácil. Só que amadurecemos e isto tem um preço, o de nem sempre poder ser sincero. Claro que para avaliar em cada situação o que deve ser dito de verdade, omitido ou mesmo falseado, deve-se ter ética, discernimento, domínio da situação, consciência. Porque no fundo, isto é manipulação e esta só pode ser bem feita por mentes inteligentes e íntegras. Logo, é perigoso ter esta flexibilidade, correndo-se o risco de ser maquiavélico, um manipulador do mal. É complicado ter esta abertura, é como ser político: ou é alguém suficientemente correto, capaz, ético e faz um ótimo trabalho ou é um imoral, corrupto e se torna um desastre nas suas ações. Numa situação de saúde, por exemplo, nem sempre ser verdadeiro com o paciente é a melhor atitude, podendo ser temerário e até mesmo uma covardia em algumas situações, se o resultado que se deseja é o bem do doente.
O fato é que escolher em cada situação entre a verdade e a mentira é como andar no fio da navalha. Fazer bom uso da mentira é recurso de mente inteligente. E, acrescido a isto, temos que a imaginação constitui um outro perigo, considerando que para mentes fantasiosas, aquilo que é imaginado é para elas, a mais pura verdade. Ou seja, verdade ou mentira é algo complexo em sua avaliação.
O fato é que escolher em cada situação entre a verdade e a mentira é como andar no fio da navalha. Fazer bom uso da mentira é recurso de mente inteligente. E, acrescido a isto, temos que a imaginação constitui um outro perigo, considerando que para mentes fantasiosas, aquilo que é imaginado é para elas, a mais pura verdade. Ou seja, verdade ou mentira é algo complexo em sua avaliação.
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