quinta-feira, 4 de junho de 2009

Contato com o Sagrado

Como anda a nossa relação com o sagrado? O que consideramos sagrado? Ultimamente tem sido imperioso fazer essa conexão. Porque, na verdade, estamos tão esvaziados daquilo que é transcendente que nem conseguimos alcançar esta dimensão do nosso ser. Quando o homem se rendia à natureza, louvava os deuses e ouvia a sua intuição, contava com recursos muito mais poderosos do que toda esta tecnologia que, hoje, algumas vezes lhe cria mais problemas do que facilita a sua vida. Ouso dizer que precisamos resgatar estes valores, viver o espiritual, o místico, o sagrado. Temos que nos dirigir ao ser de luz que realmente somos. Só assim será possível vencer os medos, derrubar as defesas que tanto nos impedem e desabrochar para viver a tão sonhada paz.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Responsabilidade

Os homens que são formadores de opinião, fazem com que suas ideias sejam responsáveis pela evolução do pensamento da comunidade.

Catavento de Meninos

Manhã fria na calçada imunda do Jacarezinho.
Amontoados, mijados, dormem meninos ao léu
Formando um catavento, deitados, tão sozinhos,
No ponto de ônibus, entre pessoas, debaixo do céu.

São pás sem cor, sem futuro. Só solidão, desamparo.
Aconchegam o rosto nas costas do companheiro
E as pernas no calor da bunda de outro desgraçado
Que com um outro compõe a roda do mesmo jeito.

Quando é madrugada, os corpos caídos são a figura
Do abandono da família e da omissão do governo.
Eles carecem de proteção e fogem da realidade dura
Pelas drogas que só aumentam o seu desespero.

Cataventos devem rodopiar e alegrar a quem passa.
Meninos precisam brincar, dormir em cama quente,
Comer, rir, estudar, de uma vida sem tanta desgraça...
Quem poderá lhes salvar, se quem deve está ausente?

Penso todo dia, quando por ali passo na condução:
Poderia, sem esforço, dos meninos cuidar do sustento,
Usando o que pago ao Leão todo mês, sem opção,
Trocando futura corrupção por coloridos cataventos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O Carrapato

Acordou ainda meio sonado e começou a se coçar.
Coça, coça, não consegue ficar quieto num lugar.
Rodopia pela sala, corre pro quarto também.
Não alcança, não descobre de onde o incômodo vem.
Nunca antes sentira aquilo. Era coisa de endoidar!
Como podia o coitadinho voltar a se aquietar?
É que fato como este não cabia no seu mundo.
Afinal era de estirpe e não um cão vagabundo.

Coça, coça, ele pulava, não parava de rodar.
Procurava no seu pelo, pelo que o ousava perturbar.
Lambia debaixo das patas, roçava o focinho no dorso.
Eis que de uma só investida expulsa o criminoso.
Diante de todos no pátio finalmente se liberta.
Jamais se deixaria sugar, explorar ou sofrer incertas.
Era cachorro de madame, acostumado a bons tratos.
Como admitir permanecer morada de um carrapato?

Imaginação

A imaginação é o vínculo mais íntimo com a alma.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Entardecer

Cai o véu da noite devagar...
Todo o burburinho do dia se cala.
O corpo cansado busca aconchego,
O olhar se dirige agora para dentro.

Cai em si o que procura...
Já não há como escapar do incômodo.
Está frente a frente com a verdade,
O seu estado depende apenas de si mesmo.

O entardecer é a consciência...
Nenhum brilho de fora disfarça a escuridão.
Ou existe luz e a tarde é acolhedora,
Ou nos resta iluminar nosso porão.

Terremoto em Honduras

Num terremoto
Parece que o mundo
Desequilibrou.

E tudo treme.
Coisas caem sem cessar,
Pavor vem do céu.

Como se manter
Íntegro na destruição?
Só ficando zen.

domingo, 31 de maio de 2009

Consciência

O sol já brilha
Acordemos pra vida
Expandindo luz

Consciência:
Viagem interior
Tornar-se a luz.

sábado, 30 de maio de 2009

Temporada das Flores - Leoni

Que saudade! Agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino.
Pelas ruas, flores e amigos
Me encontram vestindo meu melhor sorriso.

Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas.
Eu era a causa e a saída de tudo
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.

Me espera, amor, que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores.
Espera, amor, nossa temporada das flores.

Eu te trago um milhão de presentes
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta
Que o calor das pessoas e o amor pela vida...

Me espera, estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pras flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.


Fuga

Escotilha para o futuro, o “surto”
Quando minha mente vagueia solta
Para além do que, hoje, posso e sou,
Liberta-me da mesmice dos dias
E traz no desvario das atitudes
A fertilidade, a possibilidade, o impulso.

Já não me cabe o espartilho
Que imobiliza, nem a conveniência.
Melhor a verdade, o incômodo provocador
Daqueles que, a todo custo, sabem
Que ainda que pareça tarde,
Sempre existe uma saída, a demência.