sábado, 11 de abril de 2009

Mais Polêmica

A questão do aborto, é preciso que fique bem claro, não envolve a decisão da mulher apenas, embora seja ela que se responsabilize por efetuar a escolha e efetivar a decisão tomada. O pai está diretamente envolvido, apesar de muitas vezes nem tomar conhecimento da gravidez e outras vezes se omitir da definição do destino da criança. Outras pessoas da família, amigos, pessoas que atuam em unidades de saúde ou ligadas à Justiça e mesmo pessoas anônimas cuja voz se faça ouvir pelos diretamente envolvidos neste momento, podem ter atuação decisiva na escolha que é feita. E todos representam, no fundo, a vontade de Deus. Este Deus, que faz parte de nós, não precisa ser convocado para a misericórdia da mulher quando ela está numa situação-limite, em que é difícil escolher. Só é necessário que possa ter um pouco de sossego para se conectar com o seu interior e captar, através do sentimento, ouvindo a voz da intuição, a resposta com a melhor decisão para ela, naquele justo momento de sua evolução. E como, se acreditamos que há um Deus, Ele é perfeição e tudo ocorre da melhor forma, se a pessoa escolhe fazer o aborto e isso se manifesta na vida dela, por exemplo, conseguindo dinheiro emprestado com alguma amiga, arranjando um lugar onde possa realizar o procedimento e, depois se recuperando fisicamente ou não e registrando a paulada no emocional, seguindo o seu processo evolutivo, isto ocorre porque na perfeição do plano divino, este evento fazia parte do seu aprendizado e ela e todos os envolvidos serão responsáveis pela escolha que fizeram. E não cabe a nenhum de nós julgar a quem quer que seja, nem a nós mesmos. Tudo é aprendizado, desde que se aproveite bem a experiência. E, para que possamos refletir profundamente sobre estas questões, é preciso já ter passado por elas ou colocar-se no lugar de quem passa, como semelhante, possibilitando a total compreensão e não apenas usando dogmas como escudo, numa demonstração de rigidez e embotamento.
Além do mais, quando alguém perde um filho na gravidez ou no pós-parto, por não estar em condições de mantê-lo naquele ponto de sua vida, isto pode vir manifestado como um aborto (seja por dificuldade financeira, preconceito, produto de estupro, gravidez de alto risco tipo cardiopatias graves ou lupus eritematoso ativo) ou como um tombo, um problema orgânico agudo, uma doença crônica durante a gravidez como hipertensão e diabetes ou mesmo como uma malformação, que poderão culminar com a morte do concepto. Tudo isso estará refletindo também o plano divino.
Outro ponto importante a destacar é que não só a mãe que aborta sofre as conseqüências da sua escolha e deve ser tratada no sentido de limpar os estragos da culpa, mas também o pai que participa na escolha e mesmo as pessoas da família que estão mais próximas.
Ninguém faz uma escolha dessas sem sofrer e os que estão em volta devem sim ajudar a diminuir os efeitos deletérios e proporcionar todas as opções de segurança, cuidado e expressões de amor quando, infelizmente, é preciso optar e se escolhe o aborto, enfim legalizar e dignificar algo que afinal, paradoxalmente, faz parte da vida.

House

Vou ver o House
Adoro seu cinismo
Inteligente

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ofensa

Alguém de tão alto valor talvez chegue a se ofender com esta sua conduta. Eu procurarei elevar o nível e não lhe fazer qualquer ofensa na resposta, pois não sou uma alma deste quilate.

Compasso de Espera

Estou em compasso de espera. Parece que nada se move do lado de fora. E por dentro, o sentimento é de estagnação. Talvez porque antes, tantas transformações, tantas desconstruções e retomadas tenham feito com que eu me acostumasse a caminhar rápido e hoje, quando o trecho é mais fácil, eu estranhe e me sinta paralisado.
Não quero que se abatam sobre mim tragédias, nem que seja sacudida pelos vendavais emocionais de antes, mas, ao mesmo tempo, gostaria de avançar um pouco mais.
Só que nada se mexe, encontro-me emaranhada numa teia de impedimentos que me força a aguardar e só aguardar. Eu, que por natureza, sou livre, impulsiva e ansiosa. Talvez o aprendizado seja exatamente ter paciência, caminhar segura pelo escuro, confiar, não me deixar levar pelo torvelinho de fora, identificada com ele, e repousar na paz interior, no sossego do contato com o Eu.
E meu eu, que é tão euzinho, tão despreparado, que assusta e se deixa ofuscar pela luz da totalidade, continua tremendo de expectativa. Eu, que ainda não consigo mergulhar mais fundo, nem me deixar levar pela corrente da Vida, sem tentar braçadas que logo se mostram impotentes em me levar para outra direção que não aquela que devo seguir.
É que ainda só vislumbro a possibilidade de viver a realidade, de enfim, me conectar com o Eu, o interior, definitivamente.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Chuva

Chove fininho. A paisagem fica nublada pela cortina delicada desta água que não cessa de cair do céu. Assim começou este ano para nós, brasileiros. Chuva fina aqui, chuva pesada acolá.
Como este fato será percebido por cada um de nós? E como afetará nossos sentimentos?
A água simboliza emoções. Água infiltra, segue seu curso, sem se deixar deter. Água fertiliza. Água é veículo para matéria e energia. Fazendo as devidas correlações na Medicina Chinesa, na Astrologia, na Psicologia, teremos uma ampla rede de conexões, com possibilidades as mais variadas para este ano.
Para mim, esta chuva fina pede aconchego, cama quentinha, companhia certa deitada ao lado, profundidade e reflexão.
A emoção fica exacerbada com suas consequências fáceis e difíceis.
Chuva também me faz olhar para fora, para a realidade de onde vivo e ter compaixão pelos que não têm um teto, uma coberta ou sequer uma roupa ou sapatos para se protegerem da umidade. Ao mesmo tempo me faz pensar na alegria dos que vivem em terras áridas, quando a chuva chega para refrescar o corpo e a alma, fazendo-os dançar alegremente no chão duro, agora molhado e macio, com a promessa de colheita e sustento da vida.
E a chuva faz deslizar, faz com que tudo venha abaixo. Se cai continuamente, molha o rosto, retirando a maquiagem, encharcando os cabelos que então tornam o rosto tão natural como após o banho ou depois do amor. Aliás, não há nada tão sedutor para um casal de namorados como ver o outro molhado de chuva, despido inteiramente dos disfarces habituais, de cara limpa. Pena que faz também deslizamentos de terra com desabamentos de prédios, grande destruição e dor. Entretanto, no final, a mesma água limpará o que sobrou, ajudando a desfazer os estragos, refazendo tetos, paredes e a vida dos desabrigados.
Parece que este ano será de muitas águas: muitas emoções, muita renovação, o eterno fluir da vida. Que seja uma água bendita que desça dos céus, encharcando nossos corpos, limpando nossas auras, nos abençoando e fazendo seres melhores.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dúvida e Consciência

Diga-me, Senhor de todas as criaturas,
Que fazes de onde estás a ignorar
O estado de coisas que há por aqui,
Enquanto tantos cumprem seu penar?
E se dizes que penam por ignorância,
Porque não lhes concede a luz?
Que insanidade é esta de assistir
À dor dos que arrastam a sua cruz?
Que sadismo inoportuno é este
De quem tantos esperam a proteção?
Ou que indiferença proposital e fria
Ao sofrimento dos que esperam sua bênção?

É que para os que sabem enxergar,
Tudo é perfeito, não há qualquer malefício.
É que estamos aqui para treinar
O difícil aprendizado do livre-arbítrio.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Monte Castelo - Renato Russo, São Paulo Apóstolo e Luís Vaz de Camões

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata, lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria
.
.

Soldadinhos de Chumbo

Soldadinhos de chumbo
Passam por mim todos os dias
Pesados, curvados, rijos.
Soldadinhos porque ainda infantis
Apesar da máscara e dos ardis.

Apenas marcham, repetem,
Obsessivos cumprem as ordens, só ordens.
Têm revoltas que abafam no íntimo
Roubando-lhes as energias e o sorriso.
Assim não criam, não se alegram, sofrem,
Apenas marcham e racham o coração
E ampliam as costas e é só solidão.

Soldados de que exército insano?
Recrutas da loucura e reféns do medo,
Enrijecem-se, apagam a candura
E continuam desfilando sua tristeza todos os dias,
Permanecem ainda soldadinhos de chumbo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Desapego

Por que desapegar do que é valioso para nós? Obrigam-nos a abrir mão do que é precioso, simplesmente pela lei da impermanência de todas as coisas. Que lei é esta que nos traz tamanha dor? É como arrancar do ventre um filho concebido com imenso amor, enquanto é gestado com carinho, segurança e proteção. Desapegar quando ainda se ama é contrassenso, é estupidez. Por que limitar o amor a apenas uma pessoa se há qualidades e intensidades tantas deste sentimento? Tudo muda, é certo, tudo evolui, mas soltar das malhas do coração um objeto de amor, enquanto ainda existe o amor, é involução, é desperdício. Não compreendo aceitar a morte de um ente querido, admitindo que ele ainda viva no coração da gente, enquanto sentimos o coração sangrar, contrair de desespero, exatamente pela falta da presença com a qual nos habituamos por toda a vida e que nos foi arrancada de súbito. Não desapego mesmo, me agarro, esperneio, sofro, não solto aquilo que amo. E morro um pouco a cada vez que me desperta a saudade, a ausência do amor. Estou presa por querer estar, por ser bom estar, por não querer esquecer mesmo quem ainda me toca o sentimento e aviva a mente. Desapegar eu admito somente daquilo que já se esvaneceu, que aos poucos foi desbotando, passando, seguindo o caminho natural de transformação e aniquilamento. O desapego daquilo que vai se distanciando, apagando, diminuindo, saindo de nós, é consequência natural. Desapegar do que é vivo, permanente, agarrado a nós, fazendo mesmo parte de nosso ser, é violência, é desumanidade. Desapegar do amor presente é para os deuses e eu que sou humana, disso não sou capaz sem me esvair em dor e lamentação. Apegada, sim, por princípio (meio e fim). Até que me permita fazer incursões cada vez mais frequentes em minha porção divina.

Hamlet

Hamlet - William Shakespeare

Versão atualizada de Fernando Nunes.
Ótima iniciativa. Escrito visando leitores jovens que não têm muita facilidade com a obra clássica, difícil de ser entendida. Muito bem escrito. Mostra a peça numa linguagem coloquial, em cinco atos, conservando a densidade da obra. Importante para que os jovens conheçam sobre o que versa Hamlet e para que possam refletir sobre sua temática sempre atual.