quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Indagação

Vai-vém de sonhos,
Panteão de deuses-heróis forjados.
Desfile de egos assumidos
Na ilusão de tempos vividos
E outrora desempenhados.
Sem saber, hoje, desenganados.
Busco minha verdadeira história
Nos porões empoeirados da memória.
Quem sou eu afinal?
Faço-me a cada momento
Ou sou fortuito acaso de um destino fatal?

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sem ou zen?

Hoje tô brigada comigo!!! Isso pode ser muito proveitoso. É indício de transformação. Quando implico comigo e fico querendo me ver pelas costas, sei que estou pronta pra mais um salto, mesmo que seja um pulinho só. É que fico zen por um tempo, crente que já consegui deixar de me abalar pelas investidas do externo, mantendo um estado de paz constante, quando, de repente, o involutivo me traga outra vez. E eu, de zen viro sem. Sem paciência, sem tolerância, sem pudor de manifestar toda minha condição rasa de ser. O pior é que isso sempre é desencadeado por alguma banalidade. É como se eu reservasse a capacidade de ser zen para as questões sérias e nos probleminhas cotidianos não conseguisse ultrapassar a necessidade de controle, o maniqueismo de certo e errado e outras bobagens afins.O fator x de hoje foi precisar fazer contato com uma operadora de celular. Pode? Aí dá vontade de ser freira carmelita ou me enterrar num templo budista pra sempre, logo percebendo que essas facilidades não valem pra quem deseja evoluir. nesse caso tem que ser zen morando no Rio de Janeiro e tendo uma vida produtiva e não reclusa. lidando com toda sorte de futilidades que a gente mesmo escolhe pra criar problemas pra nossa vida. Já tratei de cortar o máximo de serviços e bens do meu acervo de ilusões, exatamente pra não me aborrecer, mas mesmo assim ainda fico tendo estes ataques com o que ainda tenho que manter.
Só vou fazer as pazes comigo quando conseguir me afinar ainda mais com a realidade da minha natureza humana. Fui.
 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pra quem se foi

Recebi uma ligação de alguém chorando que me comunicava a morte súbita de um sobrinho e dizia estar precisando ser ouvida. Era uma ex-colega de trabalho que voltava do sepultamento e muito nervosa me contava as circunstâncias do ocorrido e pedia que rezasse por ele, quando mais tarde retornei a ligação.
Ele era jovem e teve um infarto fulminante. A família está em choque, sem acreditar que ele de fato morreu. E ele, como estará?
Tento uma conexão, embora sem conhecê-o e peço que quem esteja perto o acalme, conforte e conduza para um lugar de paz.
Penso que ninguém está só. Mesmo na hora da morte temos ajuda. E ele será amparado nessa sua nova realidade que afinal é apenas uma mudança de vibração, ainda que para quem o ame pareça tão catastrófica nessa hora.
Mas o tempo vai passar e trazer de volta a paz ao coração de todos que gostam dele.

Noite feliz

Ainda não é Natal, mas ao sair de casa essa noite, vi o céu  e fiquei fascinada com o tom de azul nunca visto antes.
Percebi que era um sinal. Tive vontade de ficar na rua, ao relento, passeando de mãos dadas, namorando a vida.
Entendi que estava vestida de primavera, daí a motivação de dançar, de bailar ao som dos motores e buzinas no congestionamento de um final de dia.
Dezembro não chegou. Nem ligo. Meu Eu superior hoje, está travestido de Noel, fazendo minha noite feliz.

domingo, 30 de setembro de 2012

Hermógenes

Quando desce a nevada, os galhos mais lenhosos, mais fortes, chegam a quebrar sob a carga branca da neve que neles se acumula.
Os mais frágeis e flexíveis se defendem, vergando sabiamente, quando há o mínimo excesso de peso.
Depois que a neve os deixa, reerguem-se e, assim, nunca arrebentam.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Hermógenes

Guarda teu violino. Não insistas. Ninguém te quer escutar Não agridas com a maviosidade de teu instrumento, com a beleza de tua melodia, a batucada dos que desejam apenas divertir-se, atordoar-se. Espera. Depois, toca.

domingo, 2 de setembro de 2012

Hermógenes

O mundo que nos rodeia só é realidade na medida em que nos identificamos com ele, pois é ele que nos impinge dor ou prazer, alegria ou pesar, doçura ou amargor, segurança ou medo, euforia ou tédio.
Desde que vamos podendo desmascarar as ilusões, vamos chegando à equanimidade do espectador amadurecido, que vê a fita, mas não se deixa por ela emocionar.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Hermógenes

Sentia-se seguro. Aprofundara-se no chão. Ali, sua fortaleza. Fortaleza insípida. Segurança-rotina. Imóvel. Sedentária. Rígida. Era segurança mineral. Sempre a mesma. Sem qualquer luta. Isenta dos estímulos da necessidade. Sem contar com a força criadora da angústia.