segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Desperdício de Energia

Hoje, ao passar por várias academias de ginástica, me ocorreu que o que acontece ali é uma tremenda perda de energia e um comportamento antiecológico generalizado. E, pensando em termos da nova realidade planetária, é um contrassenso tanta gente passar tantas horas queimando energia sem produzir outra coisa que não suor.
Não que eu seja contra exercícios físicos, muito pelo contrário. Mas é que todo o esforço que é feito nesses locais, que faz tanto bem à saúde, bem que podia de quebra trazer benefício a outras pessoas também.
Ao pensar dessa forma, imediatamente me pus a delirar. Imaginei como seria interessante que as pessoas que malham depois do horário de trabalho, fizessem esta atividade, por exemplo, numa frente de trabalho voluntário na construção civil. No fim de algum tempo, elas teriam o imenso prazer de ver antigos desabrigados ocupando moradias construídas com sua participação. Outras, queimariam calorias à beira de um fogão numa cozinha onde seriam preparadas refeições comunitárias. Quem gostasse de se exercitar ao ar livre poderia correr atrás de pimpolhos numa creche para filhos de mães que precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos. E as caminhadas poderiam ser feitas todas as manhãs, acompanhando pessoas da terceira idade que estão jogadas em asilos e passam semanas inteiras sem interagir com ninguém. Parece bem simples, mas sei que é difícil acontecer.
É que nós estamos cada vez mais obsessivos e essas opções são formas mais criativas de usar a energia.
Então, eu temo que continuarei a passar por salas envidraçadas cheia de gente solitária com fones de ouvido, correndo atrás de nada ou não sei do quê, fazendo movimentos repetitivos, sem um mínimo de consciência corporal, aguardando talvez um momento de azaração pra quebrar uma rotina insípida e vazia.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Haikais

Preto lascado
Não irá pra panela
Mesmo sendo bom

Não só na mesa
Aparência vale mais
Que qualidade

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O Olhar Atento da Maturidade

Recordar é recolher nas vivências do passado, lindas flores perfumadas compondo um ramalhete que vai enfeitar sua mesa da sala enquanto você, de frente para a janela, observa, atentamente, os acontecimentos que formam o belo jardim que viceja no seu presente.


Este post faz parte da blogagem coletiva de dezembro do Duelos Literários: Recordações.

Recordações

Há momentos em que o passado
Invade de tal forma a vida da gente...
Parece que as lembranças transbordam
Qual a água de cabeça de enchente
Vêm aos borbotões e nem pedem passagem
E então provocam tão vívidas emoções
Porque são perfeitas as imagens
Trazidas pela mente aos nossos corações
Imagens do que foi vivido
Num tempo triste ou feliz
O que importa é que o espírito
É sacudido até a raiz
E quando existe a saudade
Lembrar-se de tudo é outra vez viver
Tanto que dá gosto cismar à tarde
E essa melancolia só nos dá prazer
E então desfilam variadas vivências
Coisas que pensávamos nunca recordar
E quanto mais distante no tempo a ocorrência
Mais detalhes e clareza vamos encontrar
Às vezes é possível ao fechar os olhos
Ter tudo daquilo uma outra vez
Imagens, sons, perfumes, o mesmo abalo
Que quase acreditamos que o mundo se refez
E a recordação alimenta a alma
Refresca o sentimento, tem grande poder
Relembrar ajuda, traz de volta a calma
Quando a saudade é tanta que nos impede de viver
Na verdade pra emoção o tempo não vale
É coisa que escapa de tempo ou lugar
O coração da gente é um mundo à parte
Render-se a este fato é questão de pensar...


Este post faz parte da blogagem coletiva de dezembro do Duelos Literários: Recordações.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Propósito do Superdiagnóstico

Especialmente os médicos devem se acautelar ao procurar alguma coisa.
Afinal, sempre acabamos encontrando aquilo que buscamos com avidez.
Ainda que possa somente existir em nossa mente habitualmente perscrutadora e obsessiva.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Joan Baez

A gente não pode escolher como vai morrer. Nem quando. Só se pode decidir como se vai viver.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Norman Cousins

O que aprendi é que a tragédia da vida não é morte, mas o que vai morrendo dentro de nós, enquanto vivemos.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Vazio

A casa agora completamente vazia.
Reina o absoluto silêncio
Naquela moradia antes tão ruidosa.
Foram-se os móveis, os enfeites, as flores.
Os tapetes foram levados deixando nu o chão.
Não mais esvoaçam as cortinas.
Não há música nem vozes humanas.
E este silêncio berra nos meus ouvidos a dor.
A dor de um tempo perdido,
Tempo que não volta mais.
Dias e dias felizes
Com fatos importantes ou coisas banais.
A morte levou o pai, a avó e a mãe também.
Dissolveu-se a família e os anjos disseram amém.
Ficou somente a lembrança de tudo.
O coração abarrotado de recordações,
Tão cheio que inunda de pranto
As faces que contemplam a nova visão
Daquela que abrigou três lindas gerações,
Que viu crescer os filhos e netos.
E hoje, quando se foram para sempre,
É apenas uma casa vazia, repleta de emoções.
O silêncio traduz a perda, ficou no lugar das canções
Que se ouviam por ali naqueles temos bons.
Hoje, só o amor nos permite enxergar o que havia lá,
Já que, pros olhos da alma, não há tempo nem lugar.