segunda-feira, 27 de abril de 2009

Indo Embora

Há momentos que são tristes. ‘Eu me sinto presa’. São tantas coisas densas, tantos problemas pequenos que não me permitem voar...
Quero alçar um vôo leve e levar comigo aquele que almeja a liberdade.

Há momentos que são cheios de alegria. Estou solta e leve, para fugir de tantas coisas que me impedem, que me mantém numa caminhada tão medíocre...
Quero correr, pular, sumir deste mundo grotesco, alma livre que sou. Sou presa somente pela emoção, pelos contatos de amor.

Sinto-me amarrada, atolada, cansada e sem ânimo de me libertar. Busco aquilo que sei que posso e não consigo. Não sei andar nesse caminho de pedras quando sei que vim de um lugar onde caminhava sobre as nuvens.
Quero voltar, quero me reencontrar. Vou-me embora. Vou voar. Vou ser. Longe daqui...

Meu Irmão Mais Feliz:

Ele está sempre de bem com a vida. Sua principal característica é a confiança. Espera sempre o melhor de cada situação vivida. É receptivo aos acontecimentos, às pessoas e às mudanças. Sempre risonho, é difícil conseguir tirá-lo do sério. Mas quando se aborrece eleva a voz, faz cara feia que chega a assustar. Mas passa rápido e logo recupera o ar jovial, o sorriso no rosto, as palavras suaves! É tão otimista, que quase sempre exagera nas expectativas de bons negócios e acaba tendo prejuízos. Mas não se importa, está sempre recomeçando. Sabe perder e recomeçar sempre com o mesmo entusiasmo.
Tem senso de estética apurado e adora trabalhar com as mãos, produzidno peças caprichadas, em madeira e metal. É autodidata, com um largo campo de interesses, sobretudo voltado para eletrônica e informática, nos quais sobressai e realiza coisas fantásticas. Mas seu forte é a diversidade. Já trabalhou em inúmeros projetos, desde criação de camarões e escargots até construção de aeromodelos. Na informática está sempre acompanhando as novidades. Já trabalhou com fotografia, montando um estúdio de alto nível e depois deixou seu sofisticado equipamento, sendo usado somente como hobby. Na verdade, ele é extremamente criativo, desapegado, vinculado exclusivamente ao momento presente e apaixonado por tudo que faz, sem se importar com questões financeiras, previsões e burocracias.
Aprecia, sobretudo, os prazeres da mesa, é excelente cozinheiro do trivial e adora experimentar novos pratos.
Seus amigos o adoram simplesmente porque é bom desfrutar de sua companhia.
Não tem orgulho, é o irmão mais velho, mas nunca se importou de solicitar auxílio sempre que precisou.
Constituiu numerosa família, criando seis filhos que tiveram sempre abundância de carinho, liberdade, incentivo e felicidade. Não aceitou comprometer a sua felicidade em troca de segurança material. Tenho certeza de que sairá da vida deixando para os filhos a riqueza representada pela alegria de viver cada dia como se fosse o último de sua existência.

domingo, 26 de abril de 2009

Todos os Mares

Mar de azuis
De algas, de recifes de corais.
Mar das redes fartas
De coloridos peixes
Dos pescadores com seus barcos.

Mar bravio
De ondas colossais.
Mar dos desbravadores,
Dos piratas e seus tesouros,
Das garrafas com segredos.

Mar de sonhos,
Mar de lágrimas
Daqueles que esperam na praia.

Mar de ilusão,
Mar das sereias fantásticas
E dos marinheiros enfeitiçados por seu canto.

Mar das crianças travessas, dos tatuís,
Dos surfistas pegando ondas, suas pranchas
E das mulheres com seus nus.
Dos caixotes e inevitáveis tombos,
Com seios à mostra e rosadas bundas.

Mar de audácia,
Mar de desconsolo e dor,
Mar de grandiosidade e tragédias.

Mares onde nos perdemos para nunca mais,
Dos afogados nas águas ou nas próprias tristezas.
Mares que nos levam para longe...
Para terras estrangeiras ou para o estranho em si,
Para buscas insondáveis, perdição ou reconhecimento.

Mares de náufragos...
Dos esquecidos
De si mesmos ou de todos.

sábado, 25 de abril de 2009

Escrever

Sempre se escreve sobre si mesmo. Talvez seja apenas isso: uma explosão repentina no ser que precisa ser aliviada. Eu escrevo estilhaços de pensamentos que, de repente, caem na minha cabeça. Tudo é fragmentado como a própria vida. A questão de cada um é juntar os pedaços, descobrindo o relacionamento que há entre os fatos, exercendo dessa forma a compreensão.
Quando escrevo tenho medo, porque me sinto despida, me revelo para os outros, sinto-me, por vezes, em carne viva, esfolada de minha proteção. Talvez seja por isso que minhas mãos ficam vermelhas, coçam tanto e esfolam. Eu quero me revelar. Eu busco me mostrar para mim mesma.
Só sei escrever assim: sem enredo, sem preparação, apenas dando vida ao que vai jorrando, brotando de mim.
Há tempos comprei uma máquina elétrica para escrever meus textos. Mas, doce ilusão, ainda não consigo, até hoje, acompanhar, com o teclado, a rapidez das idéias. Gosto mesmo é de escrever com a caneta deslizando pelo papel. Acho tão bonito esse movimento! É fluxo, é um escorrer de idéias, de sensações, de impressões...
Muitas vezes, quando espio pela janela do ônibus, surgem mil reflexões, todas elas geradas pelos cheiros que eu capto da vida. Enquanto os ônibus correm, os odores vão chegando, me impressionam e logo mudam para outros que trazem novas cenas que se desenrolam na minha mente. É incrível a velocidade em que o mundo vai acontecendo! Quanta coisa existe para percebermos com os sentidos! As imagens que entram pelos nossos olhos, os perfumes que se sucedem marcando acontecimentos, os ruídos que nos transportam para mundos diferentes. Como a realidade é rica de coisas e como elas nos fazem voar! Como cada um pode ser tão rico quanto quiser, quanto for capaz de enriquecer suas percepções! E o toque? A sensualidade é mansa e doce. Pensar, sentir, voar. Voar para mais alto, acima de todas as coisas. Integrar realidade e fantasia. Soltar as asas e ensaiar voos cada vez mais plenos de sentir. Quanta riqueza em cada um de nós! Quanta beleza presente, pronta para ser captada por todos que se sentem aptos a viver de fato! O imaginário é, a um só tempo, nosso servo e senhor.
Sensibilidade, estar à flor da pele, ansiar por doçuras, estar acima de todas as coisas, pensar somente com o coração. Tudo faz sentido. Tudo, de repente, fica belo.
Hoje pensei num trem. Tantas analogias passaram pela minha cabeça! Um trem é tão presente, é um impulso, sem freio, é continuidade, é perseverança, é destino. É um desenvolver aos poucos, é um balançar, é um barulho contínuo. É imponente, se visto de frente. Pode ser ameaçador. É dor pungente, de saudade, se visto de costas. É belo e convidativo ao olhar, se olhado de lado. Somos nós nas suas janelas. E aí tudo passa pela gente. O trem corre ou são as coisas, o mundo que corre? Somos nós que passamos pelo mundo ou será o mundo que desfila aos nossos olhos? Fico me imaginando dentro de um deles. Não me importo se há requinte no seu interior. Eu gosto de requinte, de cuidados, mas prefiro a simplicidade. O que me atrai de fato é percorrer longas distâncias olhando pela janela. É poder ver o mundo passar por mim, é essa alma de voyeur, é a experiência da impermanência de todas as coisas. Eu vibro quando consigo captar não só imagens como também cheiros que me transportam para outras realidades. Sei que os odores que impregnam meu nariz sensibilizam áreas nervosas que são então integradas no cérebro e me despertam emoções. Adoro a fluidez das informações chegando. São tantas vidas a passar pelos meus olhos! Vidas que me fazem deflagrar outros sonhos. Vibro com a realidade que vejo e com os sonhos que cada fato real me desperta. É uma riqueza imensa que brota de dentro de mim. É vida sobre vida.
Para mim, isto é estar aberta. É sempre que o mundo me impressiona. É quando eu me conecto com o exterior. É quando o que vai por dentro de mim consegue romper as barreiras e extravasar. Adoro esta palavra: extravasar. É ir além, romper limites. É ir subindo devagar, transbordando, espalhando-se.
Música também me atinge em cheio. Ouço Je t’aime e fico trêmula. Porque hoje estou à flor da pele. E estar assim é estar viva, mesmo que isso aconteça somente às vezes. Fora isso, me sinto uma máquina de realizar. Realizo, faço, cumpro, venço, produzo. E é tão bom ser só sentidos, estar à janela do trem e ver o mundo passar. E sentir, sentir, deixar-se levar. Ser somente. Nada a fazer. Não fazer. Soltar-se. Soltar as amarras e ir à deriva, mar afora. Trem solto dos trilhos. Pássaro sem asas.

É Problema Nosso

Existirá coisa mais triste e absurda que uma criança refém da infelicidade e frustração dos pais?
Quantas crianças neste exato momento sofrem no próprio corpo e na alma os maus tratos daqueles que deveriam protegê-las?
Porque diabos estes seres frágeis são feitos de sacos de pancada que aliviam as agressões sofridas, diariamente, por pais despreparados, nesta sociedade injusta?
E o que dizer daqueles que se omitem quando não denunciam e livram por vezes da morte, crianças cujos gritos e choros contidos fingem não ouvir?
Estes filhos do desespero, do medo, da raiva e da dor são nossos também, daqueles que ainda conservam um pouco de lucidez e equilíbrio neste mundo louco.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

IR

Mês de cálculos!!!
Só tributos injustos:
Leão ou porcos?

Cadê a grana
Que pago de impostos?
Social? Zero.

Não dá pra correr,
Sou assalariado:
Só resta pagar.

Eu financio
A farra em Brasília
Com meu trabalho.

E até quando?
Não dá para entender...
Melhor nem chiar.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fim de Semana na Casa da Tia

Ela tem 10 anos e veio passar o final de semana comigo. Pensei em como poderíamos nos divertir, mas na bagagem, ela vinha trazendo livros e cadernos porque tinha que estudar, recomendava o pai. É que agora nas escolas existem muitos trabalhos, atividades e provas. Assim, crianças da 4ª série, na minha época chamada de curso primário, já precisam estudar, inclusive nos fins de semana. Como resolveríamos esta questão? Afinal, ela estava comigo para enriquecer algum outro aspecto de sua vidinha, eu imaginava. Resolvi que faríamos todas as tarefas e estudaríamos livros e cadernos de um jeito bem tranquilo, divertido, sem stress. E, principalmente, sem comprometer o precioso tempo destinado ao outros aprendizados.
Ela havia chegado na sexta-feira à noite, pois fica todos os dias no integral até as 18 horas. Então só deu para jantarmos, vermos um pouco de televisão e irmos dormir, já que para estar na escola às 7 horas, o ônibus escolar a pega em casa às 6 horas e ela acorda às 5:30.
Fico admirada de como a vida das crianças de hoje é sacrificada. Aí entendo porque as fobias, úlceras e doenças de pele são tão prevalentes.
Então, no sábado, depois do café, saímos para andar um pouco pela rua e pegar sol, olhar as pessoas. Descobri que ela tem horror a cachorro e medo de sair na rua, medo aprendido com o pai já transtornado pela violência da cidade. Voltamos e iniciamos os estudos. Enquanto ela estudava, eu a ajudava e lhe ensinava a cozinhar também. Intervalos para brincadeiras e orientações várias sobre relacionamentos com colegas e professores, táticas para estudar mais rápido, como secar os cabelos, como cuidar das unhas etc. Ela descobriu que estudar podia ser divertido, interessante, sem preocupações com resultados de provas, visando apenas o conhecimento. Na tarde de sábado, já tínhamos conseguido completar as tarefas e o estudo.
Foi aí que ela me mostrou um livro que teria de ler ainda naquele dia, com 60 páginas, falando como se fosse uma horrível condenação. Mostrei a ela o gosto pela leitura e como os livros nos enriquecem. Lemos juntas, cada uma um capítulo. O livro era fantástico: A Fada que Tinha Boas Ideias, de Fernanda L. de Almeida. Propus a ela que lêssemos dramatizando as falas. Ela adorou, leu direitinho, entendeu e interpretou fadas, bruxas, cometas etc. Foi demais!
Ao ir dormis, no sábado à noite, estava em dia com todas as obrigações e assim poderia ter o domingo livre, sem pensar em escola (que a mente precisa se afastar de tudo, periodicamente, para descansar). Na manhã de domingo brincamos de karaokê porque ela iria embora à tarde para almoçar com o pai. Cantamos, dançamos, pulamos, gritamos. Eu me soltei, liberei tudo, me diverti demais. Rimos de gargalhar cantando a música do sapo que não lava o pé, com a e i o u. Foi libertador.
Hoje, segunda-feira, liguei pra ela às 5:30 e falei assim: “I sipi ni livi i pi, ni livi i pi piqi ni qi...” E ela dobrou de rir. Estamos começando uma nova semana leves, renovadas e, sobretudo, felizes.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Silêncio

Cuida em guardar silêncio. É preferível falares somente as melhores palavras.

O Primeiro Banho

Era o que pretendia ser o primeiro banho do neném. No quarto, esperavam a avó paterna e a tia avó materna, quando a mãe chegou com o pequerrucho no colo, que sentindo a aproximação do local do “sacrifício”, já botou a boca no mundo. Foi conduzido até uma pequena mesa, onde deveria ser colocada uma banheira e deitado lá, para em seguida, lhe tirarem a roupinha e a fralda. Mas cadê a água? A avó correu para trazer uma pequena bacia com água morna, enquanto a mãe pegava um chumaço de algodão que umedecia e passava pelo corpinho do bebê que, vermelhinho de tanto gritar, continuava reclamando, enquanto era virado para limpar as costas e as nádegas. Nada de sabonete, nada de cheirinho de neném. Que frustração! O umbigo era protegido por uma compressa de gaze para receber a limpeza com álcool. E depois,colocaram a fraldinha, a camisinha de pagão, a calça comprida, as meias e a blusinha de manga. Enquanto faziam este ritual, mãe e avó cantavam uma música estranha que falava de um reizinho que chegava na casa, sob os olhares incrédulos da tia. E o banho? O bebezinho agora já estava aninhado no colo da mãe, já abrindo a boquinha naquele reflexo de sucção em busca do leite para saciar a sua fome e desproteção.
Enquanto recolhia as roupinhas usadas, fraldas, gaze e algodões, deixando o quartinho outra vez todo arrumado, a tia se lembrava de como eram os banhos de nenéns em sua casa onde a enorme família era comandada por sua mãe, uma mulher forte, rosada, gordinha e sorridente que com sua mão protetora sempre dava o primeiro banho em todos os bebês da família, inclusive na mãe desse bebezinho, sua neta. Sempre era escolhido o quarto da frente da casa, mais iluminado. Sobre a cama era colocada a bacia rosa ou azul, a toalha colorida e felpuda, roupinhas limpas, cinteiro e fralda, talco e sabonete do bebê. Os familiares formavam a plateia embevecida. Um era encarregado de trazer a água morna, outro ajudava a despir o bebê. Então a matriarca erguia a criança sustentando as costas com a mão, deixando a cabecinha pender recostada ao braço e descia lentamente até a água que molhava os pezinhos, as pernas e então o corpinho que ficava submerso até o pescoço enquanto com a outra mão lavava a cabecinha deixando a água levada pela mão em concha escorrer pelos cabelinhos, com o cuidado de não deixar entrar nos ouvidos. Em seguida, era lavado o rosto, o corpinho, pernas e braços. Era um banho rapidinho que só era iniciado depois de fechadas todas as janelas para impedir que houvesse corrente de ar que poderia, segundo ela, provocar uma pneumonia galopante na criança. E os bebês adoravam. Seus corpinhos eram lavados assim como as suas auras ficavam limpas pela água morna. Enrolados na toalha felpuda e apertados junto ao corpo da doce avó, ficavam quietinhos enquanto ela enxugava cabelos, rostinho e corpo. Logo eram vestidos com a ajuda de tias e tios sob exclamações de orgulho e comparações com outras crianças da família. Saía do quarto só depois de ser perfumado, acarinhado e receber um tantinho de talco nas costinhas para evitar alergias, sob os protestos desta mesma tia que estava estudando Medicina e reprovava o uso de talco. A fraldinha era colocada depois de besuntar o bebê com Hipoglós. Seguia-se a disputa da família para ver quem seguraria o bebê, inclusive a mãe, depois do banho. A avó, orgulhosa, recolhia os utensílios no quarto e saía triunfante, tendo ensinado a mais uma marinheira de primeira viagem como era dar banho no bebê.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Semear

Estou num imenso jardim onde exercito aquilo que mais me fascina. Não é um jardim como aquele que conhecemos e sim um outro com os mesmos atributos. No jardim do mundo semeio novas ideias. E fazendo isso não busco reconhecimento, mas o faço apenas por hábito. E esta tarefa obedece às regras da natureza.
No plantio, havemos de escolher o momento certo em que a terra-gente pode receber a nova semente. E esta, dependendo da planta que se espera, não pode simplesmente ser lançada. Teremos que cavar um sulco na terra, um ponto de menor resistência deve ser aberto para abrigá-la. Molhar o solo frequentemente se faz necessário. E o semeador de ideias fará isto trazendo exemplos de casos bem-sucedidos que funcionarão como a água fertilizadora da semente. E quando, num milagre da existência, a planta-ideia florescer, será preciso vigiá-la para que não fique exposta às intempéries do tempo. É que frequentemente as novas ideias e seus defensores são alvo daqueles que desejam manter o que está arraigado. É o peso do convencional.
Depois, quando vingar, a plantinha deverá crescer para ser vista por muitos neste imenso jardim. E é necessário protegê-la dos depredadores, aqueles que são devoradores de novas ideias que, como tratores, egoisticamente passam por cima do projeto de árvore, impedindo a propagação do novo.
Mas não basta protegê-la, é necessário também guiar seus ramos, impedindo que se desvirtuem do tronco, alterando aquilo que foi inicialmente proposto.
E o verdadeiro jardineiro não se dedicará apenas a uma espécie de plantas. Ele irá diversificar, espalhará várias ideias, semeando em muitas áreas desde que encontre solo fértil.
E um dia verá plenamente desenvolvidas plantas de caules flexíveis que se movimentam ao sabor do vento, numa liberdade de se adaptarem tanto quanto se fizer necessário. Encontrará outras árvores rígidas, são os pensamentos que devem permanecer inalterados, que são a base, os troncos fortes que constituem a estrutura das ideias de uma civilização.
Assim, cada conceito, cada pensamento terá o seu perfil, sendo todos necessários e todos pertinentes. O jardineiro sabe disto tanto quanto a mãe que reconhece a diversidade de personalidade dos filhos, todos concebidos, gerados e cuidados por ela.
E obedecendo à ordem de todas as coisas, o semeador verá suas plantas-ideias, num determinado momento, ceifadas pelo tempo, entendendo que mesmo após a morte, partes destas suas ideias serão adubo natural que permitirá, no futuro, o nascimento, desenvolvimento e propagação de outras ideias originais, plantinhas novas, naturais ou híbridas. O que importa, no fluir do tempo, é, inevitavelmente, o surgimento do novo.