quinta-feira, 9 de abril de 2009

Chuva

Chove fininho. A paisagem fica nublada pela cortina delicada desta água que não cessa de cair do céu. Assim começou este ano para nós, brasileiros. Chuva fina aqui, chuva pesada acolá.
Como este fato será percebido por cada um de nós? E como afetará nossos sentimentos?
A água simboliza emoções. Água infiltra, segue seu curso, sem se deixar deter. Água fertiliza. Água é veículo para matéria e energia. Fazendo as devidas correlações na Medicina Chinesa, na Astrologia, na Psicologia, teremos uma ampla rede de conexões, com possibilidades as mais variadas para este ano.
Para mim, esta chuva fina pede aconchego, cama quentinha, companhia certa deitada ao lado, profundidade e reflexão.
A emoção fica exacerbada com suas consequências fáceis e difíceis.
Chuva também me faz olhar para fora, para a realidade de onde vivo e ter compaixão pelos que não têm um teto, uma coberta ou sequer uma roupa ou sapatos para se protegerem da umidade. Ao mesmo tempo me faz pensar na alegria dos que vivem em terras áridas, quando a chuva chega para refrescar o corpo e a alma, fazendo-os dançar alegremente no chão duro, agora molhado e macio, com a promessa de colheita e sustento da vida.
E a chuva faz deslizar, faz com que tudo venha abaixo. Se cai continuamente, molha o rosto, retirando a maquiagem, encharcando os cabelos que então tornam o rosto tão natural como após o banho ou depois do amor. Aliás, não há nada tão sedutor para um casal de namorados como ver o outro molhado de chuva, despido inteiramente dos disfarces habituais, de cara limpa. Pena que faz também deslizamentos de terra com desabamentos de prédios, grande destruição e dor. Entretanto, no final, a mesma água limpará o que sobrou, ajudando a desfazer os estragos, refazendo tetos, paredes e a vida dos desabrigados.
Parece que este ano será de muitas águas: muitas emoções, muita renovação, o eterno fluir da vida. Que seja uma água bendita que desça dos céus, encharcando nossos corpos, limpando nossas auras, nos abençoando e fazendo seres melhores.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dúvida e Consciência

Diga-me, Senhor de todas as criaturas,
Que fazes de onde estás a ignorar
O estado de coisas que há por aqui,
Enquanto tantos cumprem seu penar?
E se dizes que penam por ignorância,
Porque não lhes concede a luz?
Que insanidade é esta de assistir
À dor dos que arrastam a sua cruz?
Que sadismo inoportuno é este
De quem tantos esperam a proteção?
Ou que indiferença proposital e fria
Ao sofrimento dos que esperam sua bênção?

É que para os que sabem enxergar,
Tudo é perfeito, não há qualquer malefício.
É que estamos aqui para treinar
O difícil aprendizado do livre-arbítrio.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Monte Castelo - Renato Russo, São Paulo Apóstolo e Luís Vaz de Camões

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata, lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria
.
.

Soldadinhos de Chumbo

Soldadinhos de chumbo
Passam por mim todos os dias
Pesados, curvados, rijos.
Soldadinhos porque ainda infantis
Apesar da máscara e dos ardis.

Apenas marcham, repetem,
Obsessivos cumprem as ordens, só ordens.
Têm revoltas que abafam no íntimo
Roubando-lhes as energias e o sorriso.
Assim não criam, não se alegram, sofrem,
Apenas marcham e racham o coração
E ampliam as costas e é só solidão.

Soldados de que exército insano?
Recrutas da loucura e reféns do medo,
Enrijecem-se, apagam a candura
E continuam desfilando sua tristeza todos os dias,
Permanecem ainda soldadinhos de chumbo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Desapego

Por que desapegar do que é valioso para nós? Obrigam-nos a abrir mão do que é precioso, simplesmente pela lei da impermanência de todas as coisas. Que lei é esta que nos traz tamanha dor? É como arrancar do ventre um filho concebido com imenso amor, enquanto é gestado com carinho, segurança e proteção. Desapegar quando ainda se ama é contrassenso, é estupidez. Por que limitar o amor a apenas uma pessoa se há qualidades e intensidades tantas deste sentimento? Tudo muda, é certo, tudo evolui, mas soltar das malhas do coração um objeto de amor, enquanto ainda existe o amor, é involução, é desperdício. Não compreendo aceitar a morte de um ente querido, admitindo que ele ainda viva no coração da gente, enquanto sentimos o coração sangrar, contrair de desespero, exatamente pela falta da presença com a qual nos habituamos por toda a vida e que nos foi arrancada de súbito. Não desapego mesmo, me agarro, esperneio, sofro, não solto aquilo que amo. E morro um pouco a cada vez que me desperta a saudade, a ausência do amor. Estou presa por querer estar, por ser bom estar, por não querer esquecer mesmo quem ainda me toca o sentimento e aviva a mente. Desapegar eu admito somente daquilo que já se esvaneceu, que aos poucos foi desbotando, passando, seguindo o caminho natural de transformação e aniquilamento. O desapego daquilo que vai se distanciando, apagando, diminuindo, saindo de nós, é consequência natural. Desapegar do que é vivo, permanente, agarrado a nós, fazendo mesmo parte de nosso ser, é violência, é desumanidade. Desapegar do amor presente é para os deuses e eu que sou humana, disso não sou capaz sem me esvair em dor e lamentação. Apegada, sim, por princípio (meio e fim). Até que me permita fazer incursões cada vez mais frequentes em minha porção divina.

Hamlet

Hamlet - William Shakespeare

Versão atualizada de Fernando Nunes.
Ótima iniciativa. Escrito visando leitores jovens que não têm muita facilidade com a obra clássica, difícil de ser entendida. Muito bem escrito. Mostra a peça numa linguagem coloquial, em cinco atos, conservando a densidade da obra. Importante para que os jovens conheçam sobre o que versa Hamlet e para que possam refletir sobre sua temática sempre atual.

domingo, 5 de abril de 2009

Nossos Olhos Inquisidores e Equivocados

Se o que vês é o reflexo de ti,
Apressa-te a corrigir as imagens
Que enxergas como horripilantes...
Lembra-te que o que captas
Desta ínfima fatia da realidade
É o que vai na tua alma,
Aquilo que, hoje, sabes de ti.
Cuida em ampliar teu olhar,
Acerca-te da verdade, abandona a ilusão,
Cresce, mergulha fundo na tua eternidade.
E descobre, enfim, que tu e os outros
São só perfeição.

Vida Incondicional

Vida Incondicional - Deepak Chopra

Livro fantástico, maravilhoso, nos ajuda a ampliar a visão, usando relatos de Chopra, médico indiano, sobre casos de sua clínica analisados sob nova perspectiva, correlações com as descobertas da física quântica e análise de textos tradicionais indianos.
Basicamente nos esclarece sobre a noção de realidade como um campo de possibilidades do qual podemos participar, ou seja, mostra claramente que o que vivenciamos é aquilo no que acreditamos: nós fazemos a nossa realidade e podemos nos libertar do que nos mantém cativos.
E isto nos abre para outras formas de enxergar a vida, como, por exemplo, que nós somos capazes de tudo, na dependência do nosso nível de consciência. Se tudo é feito da mesma “substância” de que é feita nossa consciência, nós podemos, à medida que temos a capacidade de nos modificar, também mudar a realidade. Nosso nível de consciência é que diz se estamos presos à realidade local ou dominamos a realidade não local (se sintonizamos com a noção de campo de consciência), se a vontade de realizar desejos passou de atender aos nossos próprios desejos para atender aos desejos de todos.
Fica claro que a nossa mente, quando identificada com o “campo”, é capaz de criar qualquer realidade.
Se relacionarmos isto à saúde, vemos que assim como temos a capacidade de gerar um problema também estamos aptos a resolvê-lo, desde que estejamos identificados não com o eu local (o eu interior) e sim com o universal (o Eu) ou como afirma um poeta sufi: saímos do círculo do tempo e entramos no círculo do amor ou ainda, fazemos yoga (união).

Estou Lendo...

Hamlet - William Shakespeare

sábado, 4 de abril de 2009

A Escolha é Sua

O tema aborto é muito complexo. Não há verdades absolutas. Tudo depende do ponto de vista. E não estamos aqui para julgar ninguém. Cabe a cada um de nós fazer nossas escolhas. Em relação ao aborto, cada um dos envolvidos está escolhendo sua atitude naquele momento: a mãe, o pai, a própria criança, cada membro das famílias envolvidas, o médico ou a pessoa que faz o procedimento, os amigos que opinam, ajudam ou se omitem, os que emitem os pareceres de qualquer religião, enfim, todos os envolvidos. Cada um está fazendo a sua escolha e estará assumindo as consequências dela. É a lei da vida. E tudo acontece exatamente como deve ser, dentro do plano geral.
O que me parece importante dizer é que cada mulher que em sua vida tiver que passar por esta experiência, ao fazer a escolha, pergunte ao seu coração, deixe que ele responda, porque só ele consegue traduzir o que diz o Eu de cada um de nós. E seja qual for a escolha feita, saiba compreendê-la dentro do seu contexto e, se mais tarde houver uma transformação no seu ponto de vista, não carregue uma culpa que nada irá acrescentar nem a você nem a ninguém, só prejudicando. Use o seu aprendizado para colaborar com outras pessoas que precisem também escolher, dando o testemunho da sua experiência, sem julgar, sem tentar impor as suas crenças, pois a escolha é individual sempre e deve ser respeitada. O que diz a justiça ou cada uma das religiões é só circunstancial. O que importa é seguir a sua verdade, o seu Eu interior.