segunda-feira, 9 de março de 2009

Prática médica hoje

Que medicina é esta que praticamos hoje? Será que atendemos às reais necessidades daqueles que nos procuram? Será que aliviamos realmente suas dores, corrigimos seus processos fisiológicos que tentam restabelecer o equilíbrio, acalmamos seu coração aflito, tranqüilizamos sua mente perturbada, harmonizamos sua energia ou causamos ainda mais problemas à sua economia já desgastada?
Será que quando nos associamos aos melhores planos de saúde estamos garantindo a melhor opção para lidar com a possibilidade de adoecer?
Há profissionais que trabalham com empresas de planos de saúde e outros que resistem bravamente. O que determina isto?
A evolução científica, no tocante à Medicina, nos impõe uma prática mais voltada ao uso da tecnologia. Entretanto, não podemos nos distanciar da dimensão humana em nossa abordagem dos problemas de saúde.
A doença causa insegurança, alude à morte e todos nós desejamos nos preparar para lidar com as dificuldades inerentes ao fato de ficarmos doentes. Mas como? Qual seria a melhor maneira de fazer isso?
Inicialmente, reflita: como deve ser encarada a doença? Algo contra a pessoa ou a favor dela, que ajuda a evidenciar desequilíbrios internos de diversas naturezas que precisam ser integrados?
A seguir, responda à pergunta: os pacientes, ao buscarem um médico, o que realmente desejam?
Os pacientes procuram alguém que acumule a excelência do técnico, mas apresente a capacidade do ser humano na função de conselheiro, amigo, filósofo e até mesmo guia espiritual. Os pacientes, na maioria das vezes, não desejam um anônimo, alguém indiferente a eles enquanto pessoas. Hoje, quando a função do médico é tão diluída na obrigatoriedade de consultas a tantos especialistas, em geral os pacientes ficam atônitos, em busca de algum profissional que possa integrar todos os aspectos envolvidos na sua saga em busca da saúde. Que possa, sobretudo, ouvi-los em seus questionamentos.
Qual a sua crença? Qual a sua prática?

Planos de saúde: como utilizá-los?

Os planos de saúde deveriam ser utilizados para que, na prática, fossem garantidos, com menor custo:
- maior facilidade de investigação diagnóstica, possibilitando realização de exames, desde os mais simples aos mais sofisticados;
- consultas a diferentes especialistas, quando necessário;
- internações hospitalares;
- procedimentos cirúrgicos;
- quimioterapia;
- radioterapia etc.
O mais indicado seria sempre individualizar o paciente e realizar somente os procedimentos diagnósticos e terapêuticos indicados em cada caso.
Entretanto, o que se observa é a solicitação indiscriminada de exames e procedimentos terapêuticos, seguindo protocolos que tendem à generalização. As consultas geralmente são rápidas e quase nunca o paciente pode ser ouvido o suficiente.
Esta prática demanda tempo e energia do paciente que necessita voltar-se completamente para a investigação diagnóstica quase sempre agravando seu nível de ansiedade e consumindo mais da sua já depauperada energia. E quanto mais exames e mais especialistas, muitas vezes mais dúvidas em relação ao diagnóstico e mais ansiedade para o paciente.
A peregrinação por diferentes especialistas e salas de exame aumenta seu estado confusional, deixando-o ainda mais alarmado, aumentando sua dificuldade de acionar os mecanismos de auto-regeneração para recuperação da saúde. Isto sem contar o quanto procedimentos e consultas desnecessários oneram sua renda.
E isto vem acontecendo por inexperiência, insegurança, necessidade de se resguardar juridicamente em relação a sua prática e/ou excesso de zelo dos colegas médicos que têm aberto mão do seu diagnóstico intuitivo, do seu feeling, nesta corrida alucinada da era tecnológica, não se dando conta de que esta postura intervencionista funciona como mais uma agressão, noxa para o paciente, quando não é necessária, evidentemente.

Para “curar-se” é preciso ter atitude

Se você está com algum problema de saúde, deve prestar muita atenção à sua atitude de agora e a que deve desenvolver no futuro.
Para lidar com sua doença você precisará desenvolver uma atitude otimista, responsável, participativa, diligente, corajosa e, sobretudo, surpreendente.
É claro que, se está doente (principalmente se tem doença crônica), algo na sua atitude precisa ser alterado.
Comece tentando expressar o seu verdadeiro eu; não aquele que você passou a exibir para conquistar a aceitação dos outros ou para se defender deles.
Neste caminho de auto-expressão, o que a sua doença está querendo lhe dizer será de grande ajuda para expor e liberar sua verdadeira natureza.
Responsabilize-se pela sua recuperação. Não entregue o poder para seu médico e/ou terapeuta. Você é o responsável, o terapeuta é o colaborador (muitas vezes imprescindível).
Deixe claro para seu médico quem é você, naquilo em que acredita e o que espera dele.
Não aceite ser tratado como um “caso” pelo seu médico e equipe de saúde. Exponha sua individualidade, fale de suas crenças, de seus desejos e sonhos, da sua família, do seu trabalho, de seus amigos, de seu conceito sobre a doença e a morte. Diga a eles o que, para você, é estar recuperado e o que espera de seu tratamento.
Participe de seu diagnóstico. Opine sobre os exames que quer ou não fazer. Inteire-se de todos os passos a serem seguidos para saber o seu real problema.
Opine sobre o tratamento proposto. Você pode concordar ou não em fazê-lo, ou fazê-lo parcialmente. Também pode ser da sua vontade confiar plenamente no médico e deixar as decisões mais importantes a seu encargo. Você escolhe.
Pergunte sobre abordagens alternativas ao tratamento proposto e sobre esquemas complementares de tratamento.
Não deixe que lhe apresente apenas probabilidades de evolução e se esqueça de assinalar as possibilidades para cada caso. Lembre ao seu médico que você pode estar além das estatísticas, ter uma evolução surpreendente. Você pode ser um paciente excepcional.
Interrogue-o sobre a possibilidade de curas espontâneas no seu caso.
Pergunte sobre orientações que ele lhe aconselha em relação a todos os outros aspectos da vida (alimentação, exercícios, sexo, trabalho, sono, lazer etc.), além do tratamento proposto.
Se você precisar de internação, cuide para que, no hospital, suas necessidades principais para se sentir bem sejam atendidas. Pleiteie vestir-se com suas próprias roupas, trocar a cama de lugar no quarto se for mais agradável, colocar no quarto seus objetos pessoais e coisas que expressem sua personalidade, receber suas visitas e ter ou não acompanhante, principalmente em internações prolongadas.
Discuta com seu médico sobre seu diagnóstico e tratamento, aceitando suas orientações e conhecimento sobre o que você tem, mas pedindo a ele que lhe explique tudo, evitando termos técnicos para sua melhor compreensão. Cuide para que sua vontade seja respeitada, porque a doença é sua e, principalmente, a vida é sua e não dele. Você é quem deve ter o poder de decisão quando houver controvérsias sobre abordagens, a não ser que seja situação de emergência ou situações nas quais você não tem condições de opinar (ainda assim, o parente mais próximo deve participar das decisões).
Lembre-se de que, em relação aos exames que fizer, você tem todo direito de ter acesso aos laudos médicos e pode requisitar aos laboratórios lâminas e blocos de parafina dos materiais biológicos extraídos de você para, se quiser, submetê-los à revisão diagnóstica de outros especialistas.
Não aceite ser explorado em sua doença, receber um diagnóstico com proposta de um determinado tratamento e simplesmente ter que aceitá-lo sem antes tirar todas as suas dúvidas e concordar com ele.
Manifeste para o seu médico a necessidade de integrar aquela sua doença à sua vida naquele exato momento. Peça a ele que lhe ajude nesta tarefa fundamental e complexa.
Respeite o seu médico, confie no seu conhecimento e na sua técnica, procure ouvi-lo com atenção e aceitação. Mas lembre a ele que é você quem deve decidir em determinadas questões e que espera dele não somente sua plena capacidade técnica e conhecimento, mas, principalmente, seu cuidado, seu amor, sua esperança de que você melhore, e seu estímulo.
Não aceite dos profissionais de saúde desamor, arrogância, prepotência, agressividade e hermetismo. Busque profissionais que lhe ofereçam clareza, carinho, segurança e otimismo.
Se você está doente, entenda que você precisa agora parar, se olhar melhor, se descobrir, passar a se respeitar mais, se amar como verdadeiramente é, para poder transformar-se e ficar melhor. É um processo, é um caminho que você deve trilhar. Não se esqueça de pedir ajuda e selecione bem aqueles que quer ter como companhia nesta caminhada.

Reviravolta 2002


Investigando o hipertenso

Se você é hipertenso, qual a compreensão que possui desta doença?
O que aconteceu com você a partir deste diagnóstico? O que se passa na sua imaginação? O que lhe foi dito pelo seu médico e o que você já sabia pela experiência de vida que foi acumulando no contato com outros portadores desta doença?
É fato que você tem muitas perguntas e que seu médico, provavelmente, não respondeu a todas elas (se é que lhe foram formuladas).
Qual o seu sistema de crenças em relação a esta doença? Isto é muito importante.
Você se trata com medicamentos? Faz exercícios físicos? Dá atenção especial à expressão das suas emoções? Já fez algum investimento em autoconhecimento? Passou a tentar diminuir o seu nível de estresse a partir do diagnóstico ou simplesmente toma os remédios que lhe disseram que deveria tomar pelo resto da vida, tendo em vista que “pressão alta” não se cura (fala-se do sintoma e não da doença)? Vive oprimido pelo medo das “malfadadas” complicações tão freqüentes (infarto e derrame) que são o destino dos que se comportam mal e não tomam os remédios? Mas você deve saber, já deve ter tido conhecimento das mesmas complicações naqueles cordeirinhos que tomam os remédios direitinho (e isto acaba servindo de justificativa para os que rejeitam a medicação). E há aqueles que se recusam a deixar aferir a pressão arterial para não correrem o risco de engrossar o grupo daqueles que se tornaram escravos da doença. As pessoas que possuem uma natureza independente e livre não desejam ser portadoras deste tipo de doença, entretanto, não estão imunes a ela.
O fato é que, apesar de todas as campanhas para diagnóstico, da facilidade de se verificar a pressão nos mais variados locais públicos, da possibilidade de receber os medicamentos em casa, as complicações continuam existindo e o número de mortes não diminui de forma satisfatória.
Então, o que poderia ajudar a você que descobriu que tem pressão alta (ao aferir sua pressão numa consulta médica de rotina, ou para diagnóstico após ter apresentado dor de cabeça, náuseas, tonteiras, aperto ou pressão no peito, zumbido nos ouvidos, visão turva ou ainda outros sintomas) ou que tem uma família em que vários membros são hipertensos ou mesmo que se interessa em prevenir esta condição em você?
O que ajuda é conhecer a doença. Primeiro de maneira geral, e depois de forma individualizada, isto é: saber informações gerais sobre diagnóstico e tratamento de hipertensão e depois, obrigatoriamente, saber se você tem perfil para ser hipertenso e como seria se desenvolvesse a sua hipertensão arterial, já que os espectros de doença variam de acordo com o portador. Há os que têm sintomas e há os que não sentem nada relacionado ao aumento dos níveis tensionais ou, pelo menos, não se dão conta disto. Há os que têm níveis leves, moderados ou acentuados de hipertensão. Há os que mostram elevação de pressão por causas muito diferentes entre si (relacionados a alimentação, aborrecimentos, raiva reprimida, preocupações excessivas etc.). Há os que têm picos hipertensivos e há os que mantêm a pressão elevada sem medicamentos ou mesmo apesar deles. Há os que tiveram sua doença deflagrada por algum acontecimento em suas vidas (a grande maioria) e há os que não a relacionam a nada. Há os que apresentam hipertensão em períodos de sua vida como, por exemplo, durante a gravidez, e precisam ficar atentos a partir disto. O que é certo é que os hipertensos compõem um grupo heterogêneo, embora possam ser observadas muitas características comuns.

Compreendendo melhor a hipertensão

Antes de mais nada, se você tem pressão alta, é preciso que seja feito o diagnóstico completo do seu caso, considerando a sua totalidade (físico, mental, emocional e espiritual) e não simplesmente iniciar o uso de anti-hipertensivo. Isto é muito importante, já que há casos que podem se corrigidos por procedimentos cirúrgicos (estenose de artéria renal, feocromocitoma, por exemplo) e que, por vezes, são tratados como hipertensão essencial por longos anos. Então é necessário que procure um médico clínico ou cardiologista e faça a avaliação clínica e se submeta aos exames indicados. Então você terá o diagnóstico e uma proposta de tratamento que poderá incluir medicamentos ou não. Você deverá ser acompanhado durante um tempo até que suas doses de remédio (se for o caso) sejam ajustadas e você se sinta bem e depois deverá continuar a ser visto pelo seu médico em intervalos maiores ou em eventuais agravamentos do seu quadro.
Agora que você já foi orientado é importante descobrir porque você desenvolveu hipertensão. A partir daí, como em todas as outras doenças, você deverá perceber qual a mensagem que ela quer dar a você e se empenhar em fazer as transformações necessárias para que este sintoma passe a ser supérfluo na sua vida. Nem sempre, com transformações em nossa personalidade poderemos ficar livres de usar remédios, mas, sem dúvida, diminuiremos a sua necessidade e as eventuais complicações. Somente usando remédios e adotando algumas medidas higienodietéticas será muito mais difícil evitá-las. Então precisamos entender que a pressão aumenta em função do sangue e em função da condição dos vasos sangüíneos, logo estarão implicados no tratamento: a dieta, as atividades físicas, o manejo das emoções, a temperatura ambiental, só para darmos início à investigação.
A pressão arterial expressa o dinamismo da pessoa e como ela se comporta em relação aos obstáculos, aos desafios e aos limites que surgem em sua vida. Sendo assim, é expressão de agressividade reprimida, é autocontrole. Quando fazemos esforço físico, a pressão se eleva porque precisamos de energia. Da mesma forma, se há um conflito, precisamos de energia para resolvê-lo; então a pressão sobe, trazendo mais energia, e esta é consumida durante a resolução do mesmo. Mas, se isto ocorre só na imaginação e de fato nós não confrontamos o conflito, a energia se acumula e vivemos com a pressão elevada, isto é, sob pressão. É necessário, então, que resolvamos nossos conflitos ao invés de escamoteá-los.
Desta forma, é importante que os hipertensos aprendam a lidar com a agressividade, que esta seja canalizada para exercícios físicos supervisionados, iniciativas com maior independência nas atitudes do cotidiano ou verbalizada para permitir escoamento do excesso de energia. É preciso entender que se você possui uma natureza belicosa, combativa, não pode se comportar simplesmente como um cordeirinho para ser aceito, e sim adequar ao momento as suas expressões de raiva, um sentimento que não deve ser reprimido, uma vez que é humano senti-lo, e que representa, ainda, a outra face do medo. Além disso, você pode usar, em casa, quando precisar extravasar a raiva, uma técnica de bioenergética para isto: com um pedaço de mangueira de jardim, golpeie um travesseiro, como se fosse uma reação à pessoa ou situação que lhe faz mal, até sentir que toda a raiva foi eliminada durante esta dramatização, deixando o seu corpo livre daquele excesso de energia perversa.
Com as crescentes dificuldades e obstáculos muitas vezes intransponíveis gerando frustrações tão freqüentes na vida moderna, precisamos administrar esta energia de ação que, se não canalizada adequadamente acabará por alterar a circulação energética ao nível do nosso fígado, trazendo implicações que predispõem a complicações vasculares (acidentes vasculares cerebrais por ira reprimida, por exemplo).
As alterações hormonais representam outro fator que deve ser analisado na hipertensão, sendo a menstruação uma forma do organismo tentar se reequilibrar. Atenção especial deve ser dada às cefaléias que acompanham fases do ciclo menstrual.
Naquelas pessoas com tendência a liderança e independência, quando em seu trabalho precisam se submeter a chefias autoritárias ou vivem em seu casamento qualquer forma de restrição à sua natureza livre, a hipertensão arterial será freqüente se a situação se mantiver por tempo prolongado.
Períodos da vida acompanhados por altos níveis de estresse (perdas de qualquer natureza, desemprego, doença na família, novo emprego, traição etc.), podem ser somatizados com elevação da pressão arterial.
Devemos ainda lembrar que, apesar dos níveis tensionais e da pulsação serem de controle autonômico, é possível, através de técnicas de biofeedback ou meditação interferirmos, ajustando estas funções do nosso corpo. Através de técnicas de meditação podemos atuar sobre o sistema nervoso autônomo através da atenção focada com relaxamento corporal.

Mudança de atitude

Resumidamente, o que estamos propondo é que você, que é portador de hipertensão, tem muito a contribuir com o seu tratamento para que tenha uma sobrevida maior, de melhor qualidade, e que possa até mesmo reverter o seu quadro de doença, recuperando plenamente a saúde.
Mais do que a preocupação em verificar a pressão arterial (o que muitas vezes é feito de forma obsessiva), você precisa entender os motivos pelos quais você necessita se autocontrolar, porque vive sob pressão e em quais setores de sua vida isto acontece. Precisa buscar saídas, sabendo o que pode fazer para minorar este estado e se temporariamente não puder fazê-lo, trate de dispersar esta energia em exercícios físicos, fazendo amor ou, de acordo com a sua vocação, assistindo a programas humorísticos, ouvindo piadas dando boas gargalhadas, dançando, fazendo yoga, meditação etc.
Esteja certo de que existem formas de lidar com situações estressantes, mantendo-se tranqüilo, confiante, com a certeza de que tudo isto também passará. A rigidez do olhar muitas vezes impede que você enxergue a saída. Desenvolva a flexibilidade em sua vida, abra o seu coração, seja mais receptivo, expresse o afeto, conecte-se com o seu interior para diminuir o seu medo, recorra à fonte, à sua essência. Desta forma, os seus vasos sangüíneos responderão ficando com as paredes mais flexíveis e a sua pressão cairá.
O importante é ter atenção aos vários fatores implicados e sempre buscar as causas de elevação da pressão no seu caso, na sua vida e o que esta doença quer lhe dizer para que você possa voltar a estar em harmonia. Apenas tomar remédio não basta, e você - principalmente se for idoso - não deve aceitar ter uma vida indigna, tornando-se escravo de medicamentos por vezes com custos aviltantes, muitas vezes incompatíveis com sua parca aposentadoria, tirando o mínimo de poder pessoal que ainda possui, e reduzindo sua esperança no futuro, o que em nada contribui para a resolução da sua doença.

Epidemia de dengue no Rio de Janeiro

Esta epidemia em nosso Estado revela as condições precárias em que se encontra a saúde pública carioca e a dificuldade com que os governantes lidam com a prevenção de doenças, ainda que, desde os últimos surtos, os infectologistas e epidemiologistas os advertissem para a necessidade de uma abordagem drástica da questão.
Quando se tornou impossível negar os fatos e a epidemia foi admitida, passou-se a uma atitude alarmista que, se por um lado propiciou ações de emergência por parte do Estado, por outro tem atuado como mais um fator que agrava a resposta imunológica ao vírus ao deflagrar uma campanha aterrorizante através da mídia, sobretudo no que tange às crianças. Estas, incapazes de compreender a situação e contagiadas pelo desespero e pânico dos pais e, muitas vezes, de professores, tornam-se ansiosas e deprimidas com a possibilidade de morrerem vitimadas por dengue, desenvolvendo quadros de pânico ao mosquito. Considerando que nas comunidades carentes é praticamente impossível evitá-los, isto se soma ao terror das balas perdidas que já faz parte do seu cotidiano.
O medo enfraquece o sistema imunológico e isto é cientificamente provado.
Mesmo os profissionais de saúde, ao lidarem com um número crescente de mortes pela infecção, se assustam e acabam incorrendo em erros lastimáveis.
Várias perguntas ficam no ar, mas o que a população deseja saber é o que deve fazer para evitar cair doente e ter complicações graves que podem levar à morte, principalmente as crianças e os idosos, mas também a qualquer um que esteja com seu sistema imunológico prejudicado.
É claro que as medidas para erradicar focos do mosquito aedes aegypti são fundamentais, que a população deve se envolver na prevenção evitando atitudes irresponsáveis que levam ao acúmulo de lixo e materiais que servem de reservatórios para água das chuvas. É óbvio que o governo, através dos seus vários escalões, deve melhorar a assistência à população tanto na área social quanto na de saúde. É importantíssimo que haja unidades de saúde aptas a fazer o diagnóstico dos casos que necessitem de hidratação venosa e transfusões sangüíneas, que o pronto-atendimento seja rápido com a triagem dos casos mais graves sem que a população espere por tantas horas até que seja atendida por um médico. Lógico que médicos, enfermeiros e auxiliares devem ser convocados emergencialmente, embora não haja necessidade de buscá-los em outros Estados, visto que há profissionais suficientes aqui. Claro que as campanhas para doação de sangue, contando com a solidariedade daqueles que são compassivos nestas situações, são válidas, podendo ajudar a melhorar os estoques dos bancos de sangue do Estado (ainda que saibamos que os fenômenos hemorrágicos, na maioria dos casos, são revertidos apenas com a hidratação).
Tudo que está acontecendo é válido, mas, nesta fase de epidemia, podemos parar um pouco, nos tranqüilizar e ao invés de sairmos correndo para os hospitais de emergência quando surgirem os sintomas de provável dengue, como tem sido orientado na mídia, vamos tentar lidar com esta virose de forma equilibrada, deixando as atitudes intempestivas, dramáticas, de vitimização e horror apenas para aqueles que, pela própria condição de absoluto abandono sócio-econômico, não têm a menor condição de avaliar sua possibilidade de auto-ajuda.

Entendendo a dengue

Dengue é uma virose como tantas outras, podendo evoluir mal, com complicações de vários tipos, podendo, em casos raros, levar à morte. Entretanto, na grande maioria dos casos, a evolução é benigna e a recuperação total ocorre em até 15 dias.
Sendo uma virose, não há tratamento específico, sendo usados medicamentos apenas para os sintomas. O próprio sistema imunológico é que deve se encarregar de eliminar o vírus.
Este vírus tem tropismo para o fígado, onde faz uma hepatite que geralmente é subclínica. Devemos estar atentos a isto para não aumentarmos o dano ao fígado prescrevendo paracetamol (Tylenol®), que é tóxico e que, como o paciente quer que sua febre e dor no corpo cedam, abusa freqüentemente das doses, aumentando as tomadas do remédio mesmo sem a indicação do médico.

Lidando com a dengue

Devemos ver a dengue de uma forma prática: se estou com a infecção é porque fui picado por um mosquito e o vírus está em meu corpo. Preciso das minhas defesas para eliminá-lo do meu organismo. Quando vem a febre, ela expressa as minhas defesas, então é natural que ela ocorra. Junto com ela vem a dor de cabeça e a dor no corpo ou outros sintomas gerais como náuseas, vômitos e diarréia. Então a primeira coisa é entender que preciso melhorar minhas defesas. Para isto preciso descansar, me acalmar, esperar que fique logo curado, rir bastante apesar do mal-estar e me hidratar, ainda que seja difícil comer ou beber alguma coisa. Mas devo entender que isto é fundamental para a melhora. No caso de crianças, elas precisam ser cuidadas todo o tempo porque ficam enjoadas, irritadas e devemos persuadi-las a comer e beber. Para a febre, banhos e compressas devem ser feitas sempre para diminuir a necessidade dos anti-térmicos. Se necessário, dipirona e ibuprofeno (Novalgina® e Alivium®) são mais indicados que paracetamol (Tylenol®). O ácido acetilsalicílico também deve ser evitado por causa das complicações hemorrágicas que já podem ocorrer. O uso de inhame na alimentação revigora o sangue e deve ser utilizado pelo menos duas vezes na semana. Ainda poderemos usar chá de folhas de cravo amarelo (cravo de defunto) que tem propriedades anti-viróticas e se mostrou de grande utilidade em epidemias em outros Estados.
A prevenção da dengue com o uso de repelentes deve ser feita com cuidado, já que fenômenos alérgicos podem ocorrer. Uma forma de repelir o mosquito é usar uma técnica de visualização criativa em que imaginamos uma aura de luz envolvendo nosso corpo como um casulo nos protegendo e impedindo a picada dos insetos.
Quanto ao tratamento com medicamentos homeopáticos, acredito que o tratamento pela similitude deva ser prescrito por um homeopata, individualizando cada caso, que deve ser acompanhado por ele até a recuperação, usando os medicamentos que forem necessários além das medidas gerais de suporte ou com a internação para hidratação venosa e outras medidas mais específicas nos casos que evoluírem mal. (A prevenção para aqueles que não contraíram a infecção pode ser feita com o uso do similium. Sendo aconselhadas fórmulas de uso indiscriminado, as mesmas podem ter bons resultados valendo-se do efeito placebo.)
Então, o principal nesta epidemia é ser solidário ajudando aos que necessitam por sua própria condição de carência geral, realizando as medidas preventivas erradicando focos de mosquitos, cuidando do lixo, evitando reservatórios abertos que acumulem água da chuva.
Mas é preciso ter calma, mudar o ânimo, não ter medo, ter a certeza de que vai se curar e contribuir para isto bebendo todos os líquidos que puder, comendo melhor, evitando usar medicamentos em excesso para febre e dor no corpo, dando oportunidade ao seu corpo de reagir, colaborando com ele e aguardando a melhora que virá em poucos dias ou será mais tardia na dependência das suas condições atuais de reagir ao vírus e eliminá-lo do seu organismo.
Nos casos em que a evolução não for tão boa, é preciso também ter calma, porque a hidratação venosa e, se necessária, a internação com todas as medidas necessárias, na maior parte dos casos possibilitará a recuperação.